Frente da Agropecuária diz ter votos suficientes para derrubar veto de Lula

Por Marcelo oXarope
22/10/2023

Publicado em

oxarope1115noticia

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) diz ter votos suficientes para derrubar os vetos do presidente Lula ao projeto de lei que trata sobre o marco temporal para a demarcação de terras indígenas. A proposta foi aprovada na Câmara dos Deputados com 283 votos a favor. No Senado, recebeu apoio de 43 parlamentares. Em ambas as casas legislativas, o apoio já demonstrado quando da deliberação do texto seria mais do que o necessário para rejeição aos vetos.

Nesta sexta-feira (20), o Executivo vetou o principal ponto da proposta, que estabelece que os povos indígenas só possuem o direito de reivindicar as terras que eles ocupavam no dia 5 de outubro de 1988 – data de promulgação da Constituição Federal. Essa tese jurídica ficou conhecida como marco temporal. 

Presidente da FPA, o deputado federal Pedro Lupion (PP-PR) classificou o veto parcial do presidente da República como um “desrespeito ao Congresso Nacional”. O parlamentar lembrou que o projeto de lei passou na Câmara e no Senado com larga vantagem e afirmou que vai trabalhar para derrubar a decisão do governo. 

“Nós não podemos assistir de braços cruzados a injustiça com os proprietários rurais do país. Não podemos assistir de braços cruzados a escalada da violência no campo. E é por isso que nós vamos tomar providências. Essa providência será já nas negociações da próxima sessão do Congresso Nacional nós trabalharmos para derrubar esse veto”, disse. 

O governo vetou outros pontos da proposta. Um deles previa que a instalação de bases militares, expansão de rodovias ou a exploração de energia de cunho estratégico poderiam ocorrer sem consulta às comunidades indígenas. Lula também disse não ao artigo que permitia a instalação, em terras indígenas, de redes de comunicação, estradas e outras vias de transporte. 

O artigo que previa indenização por benfeitorias aos atuais ocupantes de áreas que viessem a se tornar terras indígenas também foi barrado pela presidência da República. 

Próximos passos

Flávia Bahia, professora da FGV Direito Rio, afirma que a análise dos vetos pelo Congresso Nacional não será o último capítulo da discussão a respeito do marco temporal. Ela lembra que, recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou a tese do marco para a demarcação de terras indígenas. Segundo a maioria dos ministros, a data de promulgação da Constituição não pode ser baliza para definir a ocupação tradicional da terra por essas comunidades. 

“O caminho natural dessa lei, principalmente na parte conflituosa do marco temporal, é que ela seja objeto de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, cuja palavra final será do Supremo Tribunal Federal. Essa mudança de jurisprudência por atividade legislativa é absolutamente democrática, constitucional, mas creio que, como não houve nenhum grande intervalo, nem mudança social entre a decisão do Supremo e a eventual publicação da lei, a decisão do tribunal deva ser mantida”, projeta. 

Ciente da provável derrota no STF, a bancada da agropecuária já se articula para garantir, no texto constitucional – e não apenas via projeto de lei – a data de 5 de outubro de 1988 como parâmetro para demarcação de territórios indígenas. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 48/2023 propõe que o artigo 231 da Constituição Federal estabeleça o dia 5 de outubro de 1988 como marco temporal. 

Disputa

A polêmica em torno do marco temporal para demarcação das terras indígenas opõe interesses dos povos originários e de produtores rurais brasileiros. É o que explica Flávia Bahia. “Em resumo, nós temos conflitos envolvendo os direitos dos povos indígenas, uma parcela da população brasileira que sempre foi muito colocada em escanteio. E, do outro lado, nós temos interesses da bancada agropecuária, que envolvem altíssimos valores com relação à terra, com relação a indenizações, com relação à plantação”, completa. 

Informações: Felipe Moura

1678540344banner-970x90-bello.png

Mais recentes

Bahia cria 270 mil empregos formais entre 2023 e 2025 e reforça avanço nacional

A Bahia teve um crescimento expressivo na geração de empregos formais entre janeiro de 2023 e novembro…

Prêmio Banco do Nordeste de Jornalismo 2026 destaca reportagens sobre microcrédito rural e desenvolvimento regional

O Prêmio Banco do Nordeste de Jornalismo chega à edição 2026 valorizando profissionais e estudantes que produzem…

Maior navio da temporada de cruzeiros, MSC Seaview é o primeiro a aportar na Bahia em 2026

Com quase 5 mil passageiros a bordo, o navio de cruzeiro MSC Seaview foi o primeiro a…

Prefeitura de Porto Seguro e APAE definem ações para fortalecer políticas de proteção à infância

A Prefeitura de Porto Seguro, por meio da Secretaria de Assistência Social e da Superintendência de Articulação…

Prefeitura de Eunápolis informa que estão abertas as matrículas da rede municipal ensino para 2026

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Educação (SEDUC), publicou o cronograma oficial de…

Frente da Agropecuária diz ter votos suficientes para derrubar veto de Lula

Por Marcelo oXarope
22/10/2023 - 11h38 - Atualizado 22 de outubro de 2023

Publicado em

oxarope1115noticia

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) diz ter votos suficientes para derrubar os vetos do presidente Lula ao projeto de lei que trata sobre o marco temporal para a demarcação de terras indígenas. A proposta foi aprovada na Câmara dos Deputados com 283 votos a favor. No Senado, recebeu apoio de 43 parlamentares. Em ambas as casas legislativas, o apoio já demonstrado quando da deliberação do texto seria mais do que o necessário para rejeição aos vetos.

Nesta sexta-feira (20), o Executivo vetou o principal ponto da proposta, que estabelece que os povos indígenas só possuem o direito de reivindicar as terras que eles ocupavam no dia 5 de outubro de 1988 – data de promulgação da Constituição Federal. Essa tese jurídica ficou conhecida como marco temporal. 

Presidente da FPA, o deputado federal Pedro Lupion (PP-PR) classificou o veto parcial do presidente da República como um “desrespeito ao Congresso Nacional”. O parlamentar lembrou que o projeto de lei passou na Câmara e no Senado com larga vantagem e afirmou que vai trabalhar para derrubar a decisão do governo. 

“Nós não podemos assistir de braços cruzados a injustiça com os proprietários rurais do país. Não podemos assistir de braços cruzados a escalada da violência no campo. E é por isso que nós vamos tomar providências. Essa providência será já nas negociações da próxima sessão do Congresso Nacional nós trabalharmos para derrubar esse veto”, disse. 

O governo vetou outros pontos da proposta. Um deles previa que a instalação de bases militares, expansão de rodovias ou a exploração de energia de cunho estratégico poderiam ocorrer sem consulta às comunidades indígenas. Lula também disse não ao artigo que permitia a instalação, em terras indígenas, de redes de comunicação, estradas e outras vias de transporte. 

O artigo que previa indenização por benfeitorias aos atuais ocupantes de áreas que viessem a se tornar terras indígenas também foi barrado pela presidência da República. 

Próximos passos

Flávia Bahia, professora da FGV Direito Rio, afirma que a análise dos vetos pelo Congresso Nacional não será o último capítulo da discussão a respeito do marco temporal. Ela lembra que, recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou a tese do marco para a demarcação de terras indígenas. Segundo a maioria dos ministros, a data de promulgação da Constituição não pode ser baliza para definir a ocupação tradicional da terra por essas comunidades. 

“O caminho natural dessa lei, principalmente na parte conflituosa do marco temporal, é que ela seja objeto de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, cuja palavra final será do Supremo Tribunal Federal. Essa mudança de jurisprudência por atividade legislativa é absolutamente democrática, constitucional, mas creio que, como não houve nenhum grande intervalo, nem mudança social entre a decisão do Supremo e a eventual publicação da lei, a decisão do tribunal deva ser mantida”, projeta. 

Ciente da provável derrota no STF, a bancada da agropecuária já se articula para garantir, no texto constitucional – e não apenas via projeto de lei – a data de 5 de outubro de 1988 como parâmetro para demarcação de territórios indígenas. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 48/2023 propõe que o artigo 231 da Constituição Federal estabeleça o dia 5 de outubro de 1988 como marco temporal. 

Disputa

A polêmica em torno do marco temporal para demarcação das terras indígenas opõe interesses dos povos originários e de produtores rurais brasileiros. É o que explica Flávia Bahia. “Em resumo, nós temos conflitos envolvendo os direitos dos povos indígenas, uma parcela da população brasileira que sempre foi muito colocada em escanteio. E, do outro lado, nós temos interesses da bancada agropecuária, que envolvem altíssimos valores com relação à terra, com relação a indenizações, com relação à plantação”, completa. 

Informações: Felipe Moura

1

Mais recentes

Bahia cria 270 mil empregos formais entre 2023 e 2025 e reforça avanço nacional

A Bahia teve um crescimento expressivo na geração de empregos formais entre janeiro de 2023 e novembro de 2025. Segundo dados do Novo Caged, divulgados…

Prêmio Banco do Nordeste de Jornalismo 2026 destaca reportagens sobre microcrédito rural e desenvolvimento regional

O Prêmio Banco do Nordeste de Jornalismo chega à edição 2026 valorizando profissionais e estudantes que produzem reportagens capazes de mostrar, com profundidade, como o…

Maior navio da temporada de cruzeiros, MSC Seaview é o primeiro a aportar na Bahia em 2026

Com quase 5 mil passageiros a bordo, o navio de cruzeiro MSC Seaview foi o primeiro a aportar em Salvador em 2026, nesta terça-feira (6),…

Prefeitura de Porto Seguro e APAE definem ações para fortalecer políticas de proteção à infância

A Prefeitura de Porto Seguro, por meio da Secretaria de Assistência Social e da Superintendência de Articulação Comunitária, deu um passo importante no planejamento das…

Prefeitura de Eunápolis informa que estão abertas as matrículas da rede municipal ensino para 2026

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Educação (SEDUC), publicou o cronograma oficial de matrículas para o ano letivo de 2026 na…

Já estão abertas as inscrições para o Programa de Estágio 2026 da Veracel

A Veracel, indústria de celulose com operação na região Sul da Bahia, está com inscrições abertas para o seu Programa de Estágio de 2026. Serão 31 vagas…

Assistência Social de Porto Seguro inicia 2026 com reunião de alinhamento e renovação de propósitos

A Secretaria de Assistência Social iniciou as atividades de 2026 com uma reunião geral que reuniu servidores e colaboradores da pasta. O encontro, realizado nesta…

Aniversário de Ronaldo Carletto reuniu principais lideranças políticas da Bahia

Neste domingo, 4, o aniversário de Ronaldo Carletto, uma das maiores lideranças políticas da Bahia, foi celebrado com uma grande confraternização que reuniu prefeitos de diversas…

Por que a maior reserva de petróleo do planeta virou um problema para a Venezuela

A Venezuela possui uma das maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, estimadas em mais de 300 bilhões de barris. Durante décadas, essa riqueza financiou…

Porto Seguro atua com responsabilidade e humanidade no enfrentamento da vulnerabilidade social

A Prefeitura de Porto Seguro, por meio da Secretaria de Assistência Social, tem intensificado as ações de acolhimento e proteção às pessoas em situação de…

Prefeitura intensifica manutenção das estradas do Litoral Sul para garantir mobilidade e segurança na alta temporada

Com o aumento expressivo do fluxo de veículos durante a alta temporada, a Prefeitura de Porto Seguro tem intensificado os trabalhos de manutenção e recuperação…

Governo Federal renova parceria com a Rede Sarah e amplia acesso a serviços especializados pelo SUS

Mais de 2 milhões de pessoas devem ser beneficiadas com atendimentos em reabilitação e alta complexidade em 2026. Acordo garante continuidade dos atendimentos gratuitos e…

Garis da Secretaria de Serviços Públicos garantem limpeza de Porto Seguro após as comemorações do Réveillon

Após a intensa programação de Réveillon, que reuniu milhares de moradores e turistas, o primeiro dia de 2026 começou com muito trabalho para as equipes…

Turistas curtem primeiro anoitecer de 2026 em show gratuito de Daniela Mercury, no Farol da Barra

“Começar o ano na Bahia é a realização de um sonho. Quando fiquei sabendo que ia ter o Pôr do Som, reprogramei todo o meu…

Chiclete com Banana comanda a virada e leva multidão à Passarela da Cultura em Porto Seguro

Porto Seguro recebeu 2026 em clima de grande evento urbano. Uma multidão ocupou o circuito e o largo de eventos da Passarela da Cultura para…

Rolar para cima