Venezuela talvez não lance uma invasão em grande escala na Guiana, mas pode fazer algo igualmente perigoso

Por Marcelo oXarope
17/12/2023

Publicado em

oXarope1171223noticia4

Artigo afirma que Maduro poderia simplesmente fincar uma bandeira em Essequibo e gerar assim um conflito internacional

É improvável que o ditador venezuelano Nicolás Maduro lance uma invasão militar em grande escala na disputada região de Essequibo, na Guiana, como ameaçou tacitamente num discurso neste mês. Mas ele poderá lançar uma “invasão silenciosa”, que poderá ser igualmente perigosa.

De acordo com esta teoria, Maduro poderá enviar uma pequena equipe de soldados para uma região remota da selva rica em petróleo de Essequibo e fincar uma bandeira venezuelana. Depois, divulgaria um vídeo da cena e solicitaria que Rússia e China pedissem às Nações Unidas que apelassem pela “cessação das hostilidades” na área. Isto, com efeito, estabeleceria uma presença venezuelana de fato naquele país.

Tal ação provavelmente desencadearia um conflito internacional e daria a Maduro uma desculpa de “emergência nacional” para cancelar as eleições do próximo ano na Venezuela, como suspeitam muitos especialistas.

No seu discurso televisivo à nação em 5 de dezembro, Maduro segurava um mapa intitulado “Novo Mapa da República Bolivariana da Venezuela”, que inclui a área de Essequibo. Ele ainda e anunciou planos para criar um novo estado venezuelano ali e o chamou de “Guiana Essequiba”.

Maduro também disse que concederia à empresa petrolífera estatal venezuelana PDVSA licenças para explorar depósitos de petróleo na área, que representa cerca de três quartos do território da Guiana.

Um em cada três venezuelanos passaram fome grave em 2019, diz ONU

O presidente venezuelano Nicolás Maduro

Num artigo de 8 de dezembro com o título “A crise inteiramente fabricada e perigosa sobre Essequibo”, Ryan Berg, diretor do programa para a América Latina do think tank Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, de Washington, especulou que Maduro poderia se envolver em uma “guerra híbrida” ou iniciar uma invasão silenciosa. “A crise inteiramente fabricada e perigosa sobre Essequibo.”

Berg argumentou que Maduro tem várias “oportunidades para guerra híbrida ou táticas de zona cinzenta”, porque “a área de Essequibo é enorme (um terço maior do que as áreas da Ucrânia atualmente ocupadas pela Rússia), escassamente habitada e composta por selva densa.”

Segundo Berg, “Maduro poderá tentar enviar um pequeno contingente de soldados venezuelanos para a Guiana, fincar uma bandeira e depois alegar que estas forças estão protegendo o recém-criado estado da Guiana Essequiba”.

Questionado sobre mais detalhes, Berg me disse que Maduro talvez nem precise enviar soldados para a selva de Essequibo: o ditador venezuelano poderia falsificar o evento.

“Maduro poderia gravar um vídeo em território venezuelano, numa área semelhante à da Guiana, com soldados venezuelanos falando sobre defender seu território”, disse-me Berg. “Ninguém saberia dizer se foi gravado na Venezuela ou na Guiana.”

Berg diz que Maduro pode não lançar uma invasão total porque as Forças Armadas venezuelanas “são mais bem compreendidas como uma organização de tráfico de drogas do que como uma força de combate adequada”. Mas não descarta uma invasão, porque “os ditadores nem sempre escolhem a opção ‘racional’.”

A maioria dos venezuelanos, incluindo os principais líderes da oposição, apoia a reivindicação de longa data do seu país sobre a região de Essequibo. A área foi concedida à Guiana numa decisão arbitral de Paris em 1899 , mas a Venezuela repudiou formalmente a sentença de Paris em 1962.

Juan Guaidó, o antigo presidente interino venezuelano nomeado pela agora dissolvida Assembleia Nacional controlada pela oposição, concorda que uma invasão venezuelana em grande escala é improvável.

“Maduro não tem capacidade nem para fornecer gasolina, água, energia, serviços básicos. Ele não seria capaz de sustentar uma guerra convencional”, disse-me Guaidó. “Mas não excluo que ele finque uma bandeira, ou faça algo assim, para desviar a atenção dos problemas internos da Venezuela e provocar um conflito internacional.”

Na verdade, Maduro sabe que está em sérios apuros. Ele está programado para concorrer à reeleição em 2024, e uma pesquisa recente da ORC deu-lhe uma péssima taxa de popularidade de 14%. Entretanto, a oposição realizou umas primárias de grande sucesso em outubro, nas quais a linha-dura Maria Corina Machado venceu com 93% dos votos. Isso injetou nova energia no movimento de oposição.

Encurralado politicamente, Maduro poderá criar uma emergência nacional para adiar as eleições ou eliminar as poucas liberdades políticas restantes na Venezuela. Uma invasão militar da Guiana seria arriscada demais e poderia marcar o início do fim do seu regime, como aconteceu quando a junta militar argentina invadiu as ilhas Falkland/Malvinas, controladas pelos britânicos, em 1982.

Eu não ficaria surpreso se ele optasse por fincar uma bandeira venezuelana na selva e transformasse esse episódio, real ou falso, num conflito internacional maior.

Repórter Andrés Oppenheimer

Mais recentes

Prefeitura de Eunápolis garante devolução das taxas de inscrição do Concurso Público nº 001/2024

A Prefeitura de Eunápolis garantirá a devolução integral das taxas de inscrição aos candidatos do Concurso Público…

“Mulher preta pode, deve e vai ocupar todo e qualquer espaço”, afirma Fayda Belo em evento da OAB Bahia

Uma das principais referências nacionais na defesa dos direitos das mulheres, a advogada, professora e escritora Fayda…

Eunápolis no ranking da violência entenda o cálculo

Eunápolis apareceu no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 com a segunda maior taxa de mortes violentas…

35 anos da Veracel: como a empresa ajudou a transformar o Sul da Bahia

Quando a Veracel iniciou sua trajetória, em 1991, começava também uma relação de longo prazo com o…

Porto Seguro deve receber quase 340 mil turistas em julho, com crescimento de 11%

Porto Seguro inicia julho com expectativa de receber 339.869 turistas ao longo do mês, um crescimento de…

Venezuela talvez não lance uma invasão em grande escala na Guiana, mas pode fazer algo igualmente perigoso

Por Marcelo oXarope
17/12/2023 - 08h55 - Atualizado 17 de dezembro de 2023

Publicado em

oXarope1171223noticia4

Artigo afirma que Maduro poderia simplesmente fincar uma bandeira em Essequibo e gerar assim um conflito internacional

É improvável que o ditador venezuelano Nicolás Maduro lance uma invasão militar em grande escala na disputada região de Essequibo, na Guiana, como ameaçou tacitamente num discurso neste mês. Mas ele poderá lançar uma “invasão silenciosa”, que poderá ser igualmente perigosa.

De acordo com esta teoria, Maduro poderá enviar uma pequena equipe de soldados para uma região remota da selva rica em petróleo de Essequibo e fincar uma bandeira venezuelana. Depois, divulgaria um vídeo da cena e solicitaria que Rússia e China pedissem às Nações Unidas que apelassem pela “cessação das hostilidades” na área. Isto, com efeito, estabeleceria uma presença venezuelana de fato naquele país.

Tal ação provavelmente desencadearia um conflito internacional e daria a Maduro uma desculpa de “emergência nacional” para cancelar as eleições do próximo ano na Venezuela, como suspeitam muitos especialistas.

No seu discurso televisivo à nação em 5 de dezembro, Maduro segurava um mapa intitulado “Novo Mapa da República Bolivariana da Venezuela”, que inclui a área de Essequibo. Ele ainda e anunciou planos para criar um novo estado venezuelano ali e o chamou de “Guiana Essequiba”.

Maduro também disse que concederia à empresa petrolífera estatal venezuelana PDVSA licenças para explorar depósitos de petróleo na área, que representa cerca de três quartos do território da Guiana.

Um em cada três venezuelanos passaram fome grave em 2019, diz ONU

O presidente venezuelano Nicolás Maduro

Num artigo de 8 de dezembro com o título “A crise inteiramente fabricada e perigosa sobre Essequibo”, Ryan Berg, diretor do programa para a América Latina do think tank Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, de Washington, especulou que Maduro poderia se envolver em uma “guerra híbrida” ou iniciar uma invasão silenciosa. “A crise inteiramente fabricada e perigosa sobre Essequibo.”

Berg argumentou que Maduro tem várias “oportunidades para guerra híbrida ou táticas de zona cinzenta”, porque “a área de Essequibo é enorme (um terço maior do que as áreas da Ucrânia atualmente ocupadas pela Rússia), escassamente habitada e composta por selva densa.”

Segundo Berg, “Maduro poderá tentar enviar um pequeno contingente de soldados venezuelanos para a Guiana, fincar uma bandeira e depois alegar que estas forças estão protegendo o recém-criado estado da Guiana Essequiba”.

Questionado sobre mais detalhes, Berg me disse que Maduro talvez nem precise enviar soldados para a selva de Essequibo: o ditador venezuelano poderia falsificar o evento.

“Maduro poderia gravar um vídeo em território venezuelano, numa área semelhante à da Guiana, com soldados venezuelanos falando sobre defender seu território”, disse-me Berg. “Ninguém saberia dizer se foi gravado na Venezuela ou na Guiana.”

Berg diz que Maduro pode não lançar uma invasão total porque as Forças Armadas venezuelanas “são mais bem compreendidas como uma organização de tráfico de drogas do que como uma força de combate adequada”. Mas não descarta uma invasão, porque “os ditadores nem sempre escolhem a opção ‘racional’.”

A maioria dos venezuelanos, incluindo os principais líderes da oposição, apoia a reivindicação de longa data do seu país sobre a região de Essequibo. A área foi concedida à Guiana numa decisão arbitral de Paris em 1899 , mas a Venezuela repudiou formalmente a sentença de Paris em 1962.

Juan Guaidó, o antigo presidente interino venezuelano nomeado pela agora dissolvida Assembleia Nacional controlada pela oposição, concorda que uma invasão venezuelana em grande escala é improvável.

“Maduro não tem capacidade nem para fornecer gasolina, água, energia, serviços básicos. Ele não seria capaz de sustentar uma guerra convencional”, disse-me Guaidó. “Mas não excluo que ele finque uma bandeira, ou faça algo assim, para desviar a atenção dos problemas internos da Venezuela e provocar um conflito internacional.”

Na verdade, Maduro sabe que está em sérios apuros. Ele está programado para concorrer à reeleição em 2024, e uma pesquisa recente da ORC deu-lhe uma péssima taxa de popularidade de 14%. Entretanto, a oposição realizou umas primárias de grande sucesso em outubro, nas quais a linha-dura Maria Corina Machado venceu com 93% dos votos. Isso injetou nova energia no movimento de oposição.

Encurralado politicamente, Maduro poderá criar uma emergência nacional para adiar as eleições ou eliminar as poucas liberdades políticas restantes na Venezuela. Uma invasão militar da Guiana seria arriscada demais e poderia marcar o início do fim do seu regime, como aconteceu quando a junta militar argentina invadiu as ilhas Falkland/Malvinas, controladas pelos britânicos, em 1982.

Eu não ficaria surpreso se ele optasse por fincar uma bandeira venezuelana na selva e transformasse esse episódio, real ou falso, num conflito internacional maior.

Repórter Andrés Oppenheimer

Mais recentes

Prefeitura de Eunápolis garante devolução das taxas de inscrição do Concurso Público nº 001/2024

A Prefeitura de Eunápolis garantirá a devolução integral das taxas de inscrição aos candidatos do Concurso Público nº 001/2024, realizado pela administração municipal anterior e…

“Mulher preta pode, deve e vai ocupar todo e qualquer espaço”, afirma Fayda Belo em evento da OAB Bahia

Uma das principais referências nacionais na defesa dos direitos das mulheres, a advogada, professora e escritora Fayda Belo debateu com a advocacia baiana o enfrentamento…

Eunápolis no ranking da violência entenda o cálculo

Eunápolis apareceu no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 com a segunda maior taxa de mortes violentas intencionais do país entre cidades com mais de…

35 anos da Veracel: como a empresa ajudou a transformar o Sul da Bahia

Quando a Veracel iniciou sua trajetória, em 1991, começava também uma relação de longo prazo com o Sul da Bahia. Ao longo de 35 anos,…

Porto Seguro deve receber quase 340 mil turistas em julho, com crescimento de 11%

Porto Seguro inicia julho com expectativa de receber 339.869 turistas ao longo do mês, um crescimento de 11,08% em relação ao mesmo período de 2025….

Rock toma conta da Praça ACM e transforma noite em celebração da música e da cultura

O som das guitarras, a energia do público e o clima de celebração marcaram a noite deste sábado (11), quando a Praça ACM, no Centro…

Jarley,Natanzinho Lima, Xand Avião e Limão com Mel comandaram noite histórica no Pedrão 2026

A segunda noite do Pedrão 2026 confirmou a força do Maior São Pedro do país. Mesmo sob chuva e com o clima típico do inverno,…

Seleção Brasileira vence Haiti e toma a ponta do Grupo C

Depois da estreia com empate por 1 a 1 contra o Marrocos, o Brasil entrou em campo pressionado por resultado e desempenho. Contra o Haiti,…

Pedrão 2026: Gusttavo Lima, Ivete Sangalo e Priscila Senna confirmados no Maior São Pedro do Brasil em Eunápolis

A expectativa cresce em torno do Pedrão 2026, considerado o Maior São Pedro do Brasil. A tradicional festa de Eunápolis, realizada pela Prefeitura Municipal com…

Copa 2026: 12 jogos, 38 gols e três anfitriões em cena

A Copa começou em 11 de junho e, até 14 de junho, teve estes resultados: A primeira rodada já mostrou uma Copa aberta, mas com…

Vini Jr. salva Brasil de derrota contra Marrocos na estreia da Copa 2026

A Seleção Brasileira começou sua caminhada na Copa do Mundo de 2026 com um empate por 1 a 1 contra Marrocos, neste sábado, em Nova…

Polvo de aquário catarinense entra no clima da Copa e vira atração em Balneário Camboriú

A Copa do Mundo de 2026 começou nesta quinta-feira, 11 de junho, com México x África do Sul, no Estádio Azteca, na Cidade do México….

Bahia entra no clima da Copa com nomes inspirados em craques do futebol

A Copa do Mundo de 2026 começa nesta quinta-feira, 11 de junho, e o Brasil estreia no sábado, 13, em busca do tão sonhado hexacampeonato….

São João da Bahia 2026 do Governo do Estado garante festejos juninos em mais de 280 municípios

Mais uma vez, o Governo da Bahia garante a realização dos festejos juninos no interior do estado com o lançamento do São João da Bahia…

Insegurança alimentar cresce nos Estados Unidos e acende alerta sobre custo de vida

A insegurança alimentar voltou a preocupar os Estados Unidos. Uma pesquisa recente do Federal Reserve Bank de Nova York apontou avanço nos relatos de famílias…

Rolar para cima