Guerra prolongada em Israel trará custos financeiros e políticos enormes e nenhum lado vai ganhar com isso

Por MarcelloXarope
13/01/2024

Publicado em

oXarope1130124noticia7-1

Em longo prazo, a continuidade dos combates entre Israel e a Faixa de Gaza, anunciado no início de janeiro por autoridades de defesa israelense, não interessa a nenhuma das partes envolvidas. É o que afirmam Emanuel Pessoa, especialista em Direito Internacional e fundador do Emanuel Pessoa Advogados, e Gisele Souza, professora de Relações Internacionais da ESAMC Santos.

“Os atores envolvidos não têm real interesse que a crise se agrave. Nem Israel, pelo custo da guerra, tanto financeira quanto em perdas humanas, nem o Hamas (grupo extremista palestino que organizou atentados em Israel), porque corre sério risco de sofrer perdas ainda mais pesadas”, detalha Emanuel, sobre as duas partes diretamente envolvidas no conflito.

Ele também cita que países que apoiam cada lado não veem vantagem no prolongamento do conflito. “O Irã, que apoia o Hamas, está se equilibrando em uma linha tênue, fora da qual arrisca sofrer novas sanções americanas. E os Estados Unidos também, pelos custos políticos e financeiros que envolvem o apoio a Israel.”

Desdobramentos mundiais

Uma escalada no conflito não vai ter repercussões apenas no Oriente Médio, acrescenta Gisele. Há questões econômicas e geopolíticas que se entrelaçam e vão criar ondas de instabilidade no mundo, caso não sejam pacificadas. A disparada dos preços do petróleo seria uma consequência natural, visto que a maior parte da produção mundial vem do Oriente Médio.

“Um possível envolvimento de países exportadores de petróleo (Irã e Arábia Saudita) no conflito já tem se refletido nos preços dos barris no mercado internacional”, observa a professora. Dependendo do nível da escalada, os preços da commodity podem “explodir”. “Pode chegar a US$100, US$150 o barril [na primeira dezena de janeiro, a cotação média está em torno de US$78]. Toda a economia mundial dependerá do nível da escalada e o tempo que essa guerra vai se prolongar.”

O petróleo mais caro vai desencadear aumento global de custos, continua Gisele. “A guerra traria problemas não só para a produção de petróleo e custos de produtos dependentes dessa matéria-prima. Como reflexo da tensão, já estamos vendo insegurança no transporte e logística internacionais (no Mar Vermelho, extremistas houthis estão atacando navios que vão para Israel) e esses fatores vão encarecer os custos e pressionar ainda mais a inflação global.”

Na esfera geopolítica, Emanuel cita que outra consequência seria o aumento da polarização entre as superpotências. “Com mais instabilidade, pode haver um alinhamento de países locais com a Rússia e a China para enfraquecer a influência americana no Oriente Médio, onde os EUA são aliados de primeira hora de Israel.”

Repercussão no Brasil

Para o Brasil, a consequência de uma guerra longa será nos preços, segundo os especialistas. O principal efeito será no preço dos combustíveis, de acordo com Emanuel. “Isso vai implicar em pressão inflacionária, já que a maior parte das mercadorias (inclusive comida) são transportadas por meio rodoviário.”

Gisele destaca a questão logística como consequência da guerra. “Um caos logístico internacional, que estaria diretamente ligado à escalada do conflito, vai afetar as nossas exportações e importações. As mercadorias ficariam paradas nos portos e os navios viajarão com capacidade ociosa. Sentiríamos um impacto direto nossa indústria, pois somos grandes dependentes da importação de matérias primas, principalmente o setor químico.”

Para encerrar o conflito, é preciso haver pressão internacional para uma solução duradoura que atenda às necessidades dos dois lados, segundo a professora. “Os países estão exigindo um cessar fogo e o fim do conflito. De qualquer maneira, é preciso construir uma solução que preveja dois estados (israelense e palestino). Do contrário, se o mundo não fizer esforços conjuntos para a pacificação da região, haverá consequências globalizadas para todos os players internacionais.”

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Guerra prolongada em Israel trará custos financeiros e políticos enormes e nenhum lado vai ganhar com isso

Por MarcelloXarope
13/01/2024 - 13h51 - Atualizado 13 de janeiro de 2024

Publicado em

oXarope1130124noticia7-1

Em longo prazo, a continuidade dos combates entre Israel e a Faixa de Gaza, anunciado no início de janeiro por autoridades de defesa israelense, não interessa a nenhuma das partes envolvidas. É o que afirmam Emanuel Pessoa, especialista em Direito Internacional e fundador do Emanuel Pessoa Advogados, e Gisele Souza, professora de Relações Internacionais da ESAMC Santos.

“Os atores envolvidos não têm real interesse que a crise se agrave. Nem Israel, pelo custo da guerra, tanto financeira quanto em perdas humanas, nem o Hamas (grupo extremista palestino que organizou atentados em Israel), porque corre sério risco de sofrer perdas ainda mais pesadas”, detalha Emanuel, sobre as duas partes diretamente envolvidas no conflito.

Ele também cita que países que apoiam cada lado não veem vantagem no prolongamento do conflito. “O Irã, que apoia o Hamas, está se equilibrando em uma linha tênue, fora da qual arrisca sofrer novas sanções americanas. E os Estados Unidos também, pelos custos políticos e financeiros que envolvem o apoio a Israel.”

Desdobramentos mundiais

Uma escalada no conflito não vai ter repercussões apenas no Oriente Médio, acrescenta Gisele. Há questões econômicas e geopolíticas que se entrelaçam e vão criar ondas de instabilidade no mundo, caso não sejam pacificadas. A disparada dos preços do petróleo seria uma consequência natural, visto que a maior parte da produção mundial vem do Oriente Médio.

“Um possível envolvimento de países exportadores de petróleo (Irã e Arábia Saudita) no conflito já tem se refletido nos preços dos barris no mercado internacional”, observa a professora. Dependendo do nível da escalada, os preços da commodity podem “explodir”. “Pode chegar a US$100, US$150 o barril [na primeira dezena de janeiro, a cotação média está em torno de US$78]. Toda a economia mundial dependerá do nível da escalada e o tempo que essa guerra vai se prolongar.”

O petróleo mais caro vai desencadear aumento global de custos, continua Gisele. “A guerra traria problemas não só para a produção de petróleo e custos de produtos dependentes dessa matéria-prima. Como reflexo da tensão, já estamos vendo insegurança no transporte e logística internacionais (no Mar Vermelho, extremistas houthis estão atacando navios que vão para Israel) e esses fatores vão encarecer os custos e pressionar ainda mais a inflação global.”

Na esfera geopolítica, Emanuel cita que outra consequência seria o aumento da polarização entre as superpotências. “Com mais instabilidade, pode haver um alinhamento de países locais com a Rússia e a China para enfraquecer a influência americana no Oriente Médio, onde os EUA são aliados de primeira hora de Israel.”

Repercussão no Brasil

Para o Brasil, a consequência de uma guerra longa será nos preços, segundo os especialistas. O principal efeito será no preço dos combustíveis, de acordo com Emanuel. “Isso vai implicar em pressão inflacionária, já que a maior parte das mercadorias (inclusive comida) são transportadas por meio rodoviário.”

Gisele destaca a questão logística como consequência da guerra. “Um caos logístico internacional, que estaria diretamente ligado à escalada do conflito, vai afetar as nossas exportações e importações. As mercadorias ficariam paradas nos portos e os navios viajarão com capacidade ociosa. Sentiríamos um impacto direto nossa indústria, pois somos grandes dependentes da importação de matérias primas, principalmente o setor químico.”

Para encerrar o conflito, é preciso haver pressão internacional para uma solução duradoura que atenda às necessidades dos dois lados, segundo a professora. “Os países estão exigindo um cessar fogo e o fim do conflito. De qualquer maneira, é preciso construir uma solução que preveja dois estados (israelense e palestino). Do contrário, se o mundo não fizer esforços conjuntos para a pacificação da região, haverá consequências globalizadas para todos os players internacionais.”

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