Araras-vermelhas de volta à Mata Atlântica

Por Redação Oxarope
04/07/2024

Publicado em -

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IBAMA realiza a soltura de aves extintas na Mata Atlântica

O Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) do IBAMA em Porto Seguro (BA) iniciou um novo trabalho de conservação da fauna. O projeto busca restabelecer uma população da arara-vermelha-grande (Ara chloropterus) na mata atlântica da região sul da Bahia após a espécie ter sido localmente extinta entre os séculos 19 e 20. Para isso, o primeiro grupo de indivíduos foi libertado essa semana no interior da Estação Ecológica do Pau-Brasil, em Porto Seguro. Trata-se de uma proposta inovadora, uma vez que ainda não há relatos de tentativas de reintrodução dessa espécie na Mata Atlântica.

Distribuição e importância ecológica

Originalmente, a arara-vermelha possuía ampla distribuição geográfica, ocorrendo em quase todo o Brasil, exceto alguns estados do Nordeste e do Sul. Na natureza, elas se alimentam de uma grande variedade de frutos e sementes e, graças ao seu tamanho, são capazes de dispersar sementes maiores, contribuindo para o aumento do tamanho da vegetação nas regiões onde ocorre, modificando todo o ambiente.

Ave descrita na carta do descobrimento

As araras-vermelhas foram inicialmente registradas no sul da Bahia já na carta de Pero Vaz de Caminha, onde são descritas como “papagaios vermelhos, muito grandes e formosos”. A presença dessas aves na Mata Atlântica baiana foi posteriormente confirmada por outros viajantes, como o príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied, cujo diário de expedição, realizada ainda durante o século 19, descreveu a presença dessas aves desde o Rio Mucuri até a cidade de Salvador.

Risco de extinção

Embora já tenha sido comum na Mata Atlântica, o desmatamento e captura ilegal levaram à extinção da arara-vermelha no litoral brasileiro e hoje as suas populações estão concentradas principalmente nas regiões centro-oeste e norte do Brasil. Como consequência, a arara-vermelha consta como uma das espécies de aves ameaçadas de extinção no estado da Bahia e aparece como extinta no plano municipal de conservação e recuperação da mata atlântica de Porto Seguro.

Animais vindos de várias regiões

Como não há mais populações selvagens de araras-vermelhas na mata atlântica, o projeto conduzido pelo IBAMA precisou reunir animais oriundos de cativeiro. Para isso, o trabalho contou com o apoio de outros CETAS e de órgãos ambientais estaduais e municipais de todo o Brasil, que enviaram para Porto Seguro araras apreendidas em ações de combate ao tráfico de animais silvestres. Graças a união desses esforços, um primeiro lote de 35 animais foi reunido e individualmente identificado através de dispositivos de monitoramento, para permitir seu acompanhamento na natureza.

Exercícios, treinamento e soltura

Após um período de quarentena e avaliação de saúde, os animais foram instalados em um grande recinto de aclimatação, projetado para permitir o fortalecimento da musculatura de voo e a formação de casais, além de gradualmente expor as aves ao clima da região.  Neste recinto, as aves tiveram seu comportamento analisado e foram submetidas a um programa de treinamento contra predadores e enriquecimento ambiental com alimentos encontrados na natureza. Em seguida, foram libertadas através da técnica chamada de “soltura branda”. Para isso, foram instalados diversos comedouros e caixas ninho no local de soltura, mantendo a porta do viveiro aberta para que os animais possam explorar o ambiente externo e a alimentação suplementar de forma gradual, de acordo com sua vontade.

Monitoramento de longo prazo

Segundo Ligia Ilg, analista ambiental do IBAMA e coordenadora da iniciativa, o objetivo do projeto de reintrodução da arara-vermelha é o estabelecimento de uma população selvagem e independente da ajuda de seres humanos. Para avaliar se esse resultado será alcançado, os animais serão acompanhados por um longo prazo através de dispositivos que permitem o monitoramento à distância, além do registro de avistamentos na região.

Participação da sociedade

O projeto de reintrodução da arara-vermelha na Mata Atlântica conta com o apoio de várias entidades ligadas à conservação do meio ambiente, como a Conservix, responsável pela construção dos ninhos artificiais; a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, responsável pela condução de programas de educação ambiental com a população vizinha; e a Companhia Independente de Polícia de Proteção Ambiental (CIPPA-PM/BA), responsável pela proteção dos animais e da área de soltura. O Laboratório de Etologia Aplicada da Universidade Estadual de Santa Cruz (LABET-UESC) orientou os trabalhos de análise do comportamento e treinamento dos animais, visando desenvolver um protocolo de soltura adequado para essa espécie.

Avise os órgãos de meio ambiente

Em caso de avistamento ou aproximação de araras, a orientação é que as pessoas não tentem capturar esses animais. Nesses casos, basta avisar o CETAS/IBAMA Porto Seguro através do telefone (71) 98426-6575. Também é possível avisar a Polícia Ambiental (CIPPA) de Porto Seguro através do telefone (73) 99807-1353 e a Secretaria de Meio Ambiente de Porto Seguro através do telefone (73) 99824-6948. A captura e a manutenção ilegal de animais silvestres em cativeiro são crimes previstos na Lei de Crimes Ambientais, punidos com pena de detenção de seis meses a um ano e multa.

Fonte: CETAS Porto Seguro/IBAMA-BA

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 Araras-vermelhas de volta à Mata Atlântica

Por Redação Oxarope
04/07/2024 - 16h17 - Atualizado 7 de julho de 2024

Publicado em -

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IBAMA realiza a soltura de aves extintas na Mata Atlântica

O Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) do IBAMA em Porto Seguro (BA) iniciou um novo trabalho de conservação da fauna. O projeto busca restabelecer uma população da arara-vermelha-grande (Ara chloropterus) na mata atlântica da região sul da Bahia após a espécie ter sido localmente extinta entre os séculos 19 e 20. Para isso, o primeiro grupo de indivíduos foi libertado essa semana no interior da Estação Ecológica do Pau-Brasil, em Porto Seguro. Trata-se de uma proposta inovadora, uma vez que ainda não há relatos de tentativas de reintrodução dessa espécie na Mata Atlântica.

Distribuição e importância ecológica

Originalmente, a arara-vermelha possuía ampla distribuição geográfica, ocorrendo em quase todo o Brasil, exceto alguns estados do Nordeste e do Sul. Na natureza, elas se alimentam de uma grande variedade de frutos e sementes e, graças ao seu tamanho, são capazes de dispersar sementes maiores, contribuindo para o aumento do tamanho da vegetação nas regiões onde ocorre, modificando todo o ambiente.

Ave descrita na carta do descobrimento

As araras-vermelhas foram inicialmente registradas no sul da Bahia já na carta de Pero Vaz de Caminha, onde são descritas como “papagaios vermelhos, muito grandes e formosos”. A presença dessas aves na Mata Atlântica baiana foi posteriormente confirmada por outros viajantes, como o príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied, cujo diário de expedição, realizada ainda durante o século 19, descreveu a presença dessas aves desde o Rio Mucuri até a cidade de Salvador.

Risco de extinção

Embora já tenha sido comum na Mata Atlântica, o desmatamento e captura ilegal levaram à extinção da arara-vermelha no litoral brasileiro e hoje as suas populações estão concentradas principalmente nas regiões centro-oeste e norte do Brasil. Como consequência, a arara-vermelha consta como uma das espécies de aves ameaçadas de extinção no estado da Bahia e aparece como extinta no plano municipal de conservação e recuperação da mata atlântica de Porto Seguro.

Animais vindos de várias regiões

Como não há mais populações selvagens de araras-vermelhas na mata atlântica, o projeto conduzido pelo IBAMA precisou reunir animais oriundos de cativeiro. Para isso, o trabalho contou com o apoio de outros CETAS e de órgãos ambientais estaduais e municipais de todo o Brasil, que enviaram para Porto Seguro araras apreendidas em ações de combate ao tráfico de animais silvestres. Graças a união desses esforços, um primeiro lote de 35 animais foi reunido e individualmente identificado através de dispositivos de monitoramento, para permitir seu acompanhamento na natureza.

Exercícios, treinamento e soltura

Após um período de quarentena e avaliação de saúde, os animais foram instalados em um grande recinto de aclimatação, projetado para permitir o fortalecimento da musculatura de voo e a formação de casais, além de gradualmente expor as aves ao clima da região.  Neste recinto, as aves tiveram seu comportamento analisado e foram submetidas a um programa de treinamento contra predadores e enriquecimento ambiental com alimentos encontrados na natureza. Em seguida, foram libertadas através da técnica chamada de “soltura branda”. Para isso, foram instalados diversos comedouros e caixas ninho no local de soltura, mantendo a porta do viveiro aberta para que os animais possam explorar o ambiente externo e a alimentação suplementar de forma gradual, de acordo com sua vontade.

Monitoramento de longo prazo

Segundo Ligia Ilg, analista ambiental do IBAMA e coordenadora da iniciativa, o objetivo do projeto de reintrodução da arara-vermelha é o estabelecimento de uma população selvagem e independente da ajuda de seres humanos. Para avaliar se esse resultado será alcançado, os animais serão acompanhados por um longo prazo através de dispositivos que permitem o monitoramento à distância, além do registro de avistamentos na região.

Participação da sociedade

O projeto de reintrodução da arara-vermelha na Mata Atlântica conta com o apoio de várias entidades ligadas à conservação do meio ambiente, como a Conservix, responsável pela construção dos ninhos artificiais; a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, responsável pela condução de programas de educação ambiental com a população vizinha; e a Companhia Independente de Polícia de Proteção Ambiental (CIPPA-PM/BA), responsável pela proteção dos animais e da área de soltura. O Laboratório de Etologia Aplicada da Universidade Estadual de Santa Cruz (LABET-UESC) orientou os trabalhos de análise do comportamento e treinamento dos animais, visando desenvolver um protocolo de soltura adequado para essa espécie.

Avise os órgãos de meio ambiente

Em caso de avistamento ou aproximação de araras, a orientação é que as pessoas não tentem capturar esses animais. Nesses casos, basta avisar o CETAS/IBAMA Porto Seguro através do telefone (71) 98426-6575. Também é possível avisar a Polícia Ambiental (CIPPA) de Porto Seguro através do telefone (73) 99807-1353 e a Secretaria de Meio Ambiente de Porto Seguro através do telefone (73) 99824-6948. A captura e a manutenção ilegal de animais silvestres em cativeiro são crimes previstos na Lei de Crimes Ambientais, punidos com pena de detenção de seis meses a um ano e multa.

Fonte: CETAS Porto Seguro/IBAMA-BA

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