
Às vésperas do Carnaval, Salvador entra no clima da maior festa popular do país. Além da música e da multidão, dados do Censo 2022 revelam curiosidades sobre a popularidade dos nomes de artistas que fazem história na folia baiana.
A plataforma Nomes no Brasil, do IBGE, permite cruzar cultura e demografia a partir dos dados do Censo 2022. Com ela, é possível observar como nomes próprios se espalham ao longo do tempo, ganham força em determinadas décadas e dialogam com o contexto cultural de cada geração. No Carnaval de Salvador, onde a música dita tendências, esses números ajudam a entender como tradição e modernidade caminham juntas.
Mais do que curiosidade, os dados mostram como a cultura popular influencia escolhas familiares e reflete o espírito de cada época. Para mim, o ponto central é perceber que nem sempre o nome artístico mais famoso é o mais comum e que muitos artistas carregam nomes raros em contraste com sua enorme presença simbólica na cidade.
A cantora Ivete Sangalo é uma das figuras mais queridas do Carnaval, mas o nome Ivete é pouco frequente. Salvador registra apenas 479 mulheres com esse nome, que ocupa a 421ª posição entre os nomes femininos. A maioria nasceu na década de 1950, antes mesmo do nascimento da artista em 1972.
Com Daniela Mercury o cenário é diferente. Existem 5.271 Danielas na capital, o 23º nome feminino mais frequente. Embora a cantora tenha nascido em 1965, o auge do nome ocorreu nos anos 1980, quando nasceram 2.630 Danielas.
Já Margareth Menezes tem poucas homônimas. Apenas 146 mulheres em Salvador têm esse nome com a mesma grafia, o que o coloca na 933ª posição. A maior concentração ocorreu nos anos 1960, década em que a cantora nasceu.
A grafia também faz diferença no caso de Alinne Rosa. As Alines, com um único n, somam 5.848 registros em Salvador e ocupam a 16ª posição entre os nomes femininos. Já as Alinnes, com dois n, são apenas 20 na capital.
Entre as pioneiras do axé, Sarajane é quem tem menos xarás. Apenas 15 mulheres em Salvador têm esse nome. Mesmo assim, a capital baiana lidera o ranking nacional de Sarajanes, o que reforça a ligação direta da artista com a cidade.
No grupo masculino, Bell Marques é conhecido nacionalmente, mas seu nome de batismo é Washington. Em Salvador, 860 homens se chamam assim, o 213º nome masculino mais frequente. O nome Bell praticamente não existe na Bahia, embora apareça em outros estados do país.
Com Saulo Fernandes, o nome Saulo soma 867 registros na capital. O pico ocorreu nos anos 2010, bem depois do nascimento do cantor em 1977. A idade mediana dos Saulos em Salvador é de apenas 19 anos.
O vocalista da BaianaSystem, Russo Passapusso, se chama Roosevelt. Apenas 32 pessoas em Salvador têm esse nome. A idade mediana é de 57 anos, o que torna o cantor, aos 43, mais jovem do que a maioria dos Roosevelts da cidade.
Já Léo Santana se chama Leandro, nome bastante comum em Salvador. São 4.670 Leandros, com maior concentração de nascimentos nos anos 1980, mesma década em que o cantor nasceu, em 1988. A capital também registra 151 homens chamados Léo.
Fechando a lista, o pai da Axé Music, Luiz Caldas, tem o nome mais popular entre os artistas citados. Em Salvador, 10.563 homens se chamam Luiz, o 11º nome masculino mais frequente. A maioria nasceu nos anos 1960, incluindo o próprio cantor, de 1963.
Enquanto os trios elétricos arrastam multidões, os números mostram um Carnaval que também se entende pelos dados. Nomes raros e comuns convivem como a própria cidade, diversa e contradória. No fim, cada estatística representa uma história pessoal e cada artista carrega consigo uma geração inteira que se reconhece naquele som.
O Carnaval de Salvador é feito de música, memória e identidade. Ao observar os nomes dos artistas a partir do Censo 2022, fica evidente como cultura e demografia se cruzam, revelando tendências e a força simbólica que esses nomes exercem sobre a cidade.

















