Nos últimos 12 meses, Salvador viu o custo da cesta básica cair 0,64%, enquanto o salário mínimo subiu para R$ 1.621,00. O resultado é direto: o trabalhador precisou de menos horas de trabalho para comprar os alimentos essenciais em janeiro de 2026, segundo dados do DIEESE e da Conab.

De acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento, o custo da cesta básica em Salvador foi de R$ 616,28 em janeiro de 2026.
A redução de 0,64% em relação a janeiro de 2025 coloca a capital baiana entre as cidades com maior queda no período. O dado ganha ainda mais relevância quando analisado junto à Política de Valorização do Salário Mínimo, que elevou o piso nacional para R$ 1.621,00, garantindo ganho real ao trabalhador.
No acumulado de 12 meses, sete dos 12 produtos da cesta registraram queda. O arroz agulhinha liderou a redução, com menos 25,27%, seguido pelo açúcar cristal, menos 15,19%, e pelo tomate, menos 12,07%. Também ficaram mais baratos o leite integral, óleo de soja, manteiga e farinha de mandioca.
Por outro lado, alguns itens pesaram no bolso, como o café em pó, que subiu 27,51%, além do pão francês, carne bovina de primeira, banana e feijão carioca.
O que esses números significam na prática? Mais poder de compra.
Com a cesta mais barata e o salário maior, o trabalhador de Salvador precisou trabalhar 83 horas e 38 minutos para adquirir os alimentos básicos em janeiro de 2026. Em dezembro de 2025 eram necessárias 88 horas e 2 minutos. Em janeiro de 2025, o esforço chegava a 89 horas e 53 minutos.
Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% da Previdência Social, o comprometimento da renda caiu para 41,10%. Em dezembro de 2025 era 43,26% e, um ano antes, 44,17%.
Para mim, o que mais chama atenção é como uma variação aparentemente pequena, de apenas 0,64%, pode representar dias a menos de trabalho ao longo do ano para quem vive com orçamento apertado. Não se trata apenas de estatística, mas de qualidade de vida.
Segundo o DIEESE, a redução nos preços reflete principalmente a maior oferta de alguns produtos agrícolas e a acomodação de custos ao longo de 2025. Já a Conab destaca que fatores como safra favorável e reorganização logística contribuíram para aliviar a pressão sobre itens básicos.
Para economistas, a combinação entre política salarial e controle inflacionário é determinante para ampliar o consumo interno. Para o trabalhador, o impacto é sentido no mercado do bairro e na feira da semana.
Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, oito dos 12 produtos registraram queda de preço, entre eles açúcar, óleo de soja, banana, manteiga e arroz. Em contrapartida, tomate, pão francês e carne bovina apresentaram alta no mesmo período.
Enquanto os grandes indicadores econômicos falam em percentuais e gráficos, aqui na ponta quem sente a diferença é o cidadão comum. Quando o custo da cesta básica diminui e o salário sobe acima da inflação, o efeito é imediato na mesa das famílias.
Mas é preciso cautela. A alta expressiva do café em pó e da carne mostra que o cenário ainda é sensível a oscilações. O desafio está em manter estabilidade de preços e crescimento real da renda de forma contínua, não apenas pontual.
No fim das contas, a equação é simples: menos horas de trabalho para comprar comida significa mais tempo e dignidade para viver.
A queda de 0,64% no custo da cesta básica em Salvador, somada ao aumento do salário mínimo, reforça um cenário positivo para o poder de compra do trabalhador em 2026. Ainda há pressões em itens específicos, mas o balanço geral indica avanço.
Resta saber se esse movimento será sustentável ao longo do ano. Porque, para quem depende do salário mínimo, cada centavo faz diferença.
















