
Nos bastidores da educação baiana, um movimento importante ganhou forma nesta segunda-feira, 23 de março de 2026, em Salvador. A Secretaria da Educação da Bahia recebeu os projetos pedagógicos de dois novos cursos de graduação para profissionais da rede pública, uma medida que busca reconhecer, qualificar e dar novo peso institucional a trabalhadores muitas vezes esquecidos no debate educacional.
A Secretaria da Educação do Estado da Bahia, a SEC, recebeu oficialmente as propostas pedagógicas de dois cursos inéditos: Tecnologia em Alimentação Escolar e Tecnologia em Secretaria Escolar. A iniciativa é voltada a profissionais que atuam no funcionamento cotidiano das escolas públicas, tanto na rede estadual quanto nas redes municipais.
Segundo a secretária da Educação, Rowenna Brito, os cursos foram estruturados para ampliar o acesso ao Ensino Superior e fortalecer áreas essenciais dentro das unidades escolares. A proposta prevê oferta em parceria com as universidades estaduais, com alcance em 27 territórios de identidade e nos 417 municípios baianos.
O movimento não surge isolado. Ele faz parte de uma agenda mais ampla de valorização dos trabalhadores da educação, especialmente daqueles que não estão na docência, mas garantem o funcionamento da escola na prática, da organização da vida escolar à alimentação dos estudantes.
A secretária Rowenna Brito destacou que a proposta nasceu de um acordo construído coletivamente e agora avança para uma fase concreta. Segundo ela, os cursos fortalecem a universidade pública e ampliam oportunidades de formação em todo o Estado.
O presidente da Associação Nacional de Política e Administração da Educação (ANPAE), Luiz Fernandes Dourado, classificou o momento como histórico. Na avaliação dele, a Bahia assume posição de pioneirismo ao propor formação superior para profissionais não docentes, algo ainda raro no país.
Já o presidente da Federação dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (FTE-BA), Valdir dos Santos e Silva, afirmou que a medida representa um marco na luta pelo reconhecimento dos funcionários de escola, historicamente invisibilizados.
Pela UNDIME-BA, Ricardo Matos Berbel reforçou que a ação também fortalece o regime de colaboração entre Estado e municípios, tirando essa cooperação do campo do discurso e levando-a para uma prática com potencial concreto de transformação.
Agora, os projetos seguem para análise da SEC e das instituições de Ensino Superior envolvidas, etapa necessária antes da implementação dos cursos.
Os projetos foram elaborados por um grupo de trabalho multissetorial com participação da SEC, ANPAE, FTE-BA, Fórum Estadual de Educação da Bahia, UNDIME-BA e das universidades estaduais UEFS, UNEB, UESB e UESC.
De acordo com o coordenador-executivo de Programas e Projetos Estratégicos da SEC, José Bites de Carvalho, a proposta integra um ciclo de formação continuada e reforça áreas estratégicas para o funcionamento das escolas, como a alimentação e a organização da vida acadêmica.
A Bahia dá um passo relevante ao transformar valorização profissional em política concreta. Ao apostar em cursos superiores inéditos para trabalhadores da alimentação e da secretaria escolar, o Estado amplia o conceito de quem faz educação e reposiciona esses profissionais no centro de uma agenda que pode gerar efeitos duradouros.
Mais do que uma novidade administrativa, a medida toca numa questão essencial: não existe escola pública forte quando parte dos seus trabalhadores segue invisível.
Fonte: Ascom/SEC



















