Inflação dispara em Salvador e alimentos têm maior alta em mais de 6 anos

Por Murillo Vazquez
27/05/2026

Publicado em - -

Noticia oXarope_economia__1270526_4

Nos supermercados, nas feiras e até nas contas básicas de casa, o peso da inflação voltou a apertar o bolso dos baianos. A prévia da inflação oficial de maio na Região Metropolitana de Salvador ficou em 0,69%, segundo dados divulgados pelo IBGE, com os alimentos registrando a maior alta mensal em mais de seis anos.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, mostrou desaceleração em Salvador na comparação com abril, quando o índice havia alcançado 1,19%. Ainda assim, o resultado da capital baiana e região metropolitana ficou acima da média nacional, que foi de 0,62%.

Entre os 11 locais pesquisados pelo IBGE, Salvador teve o quarto maior índice do país, atrás apenas de Goiânia, Fortaleza e Belém.

O levantamento considera preços coletados entre os dias 16 de abril e 15 de maio e revela uma realidade cada vez mais perceptível para a população: comer ficou significativamente mais caro.

O grupo alimentação e bebidas teve alta de 2,04%, registrando o maior avanço mensal desde janeiro de 2020. Para um mês de maio, trata-se da maior elevação em 25 anos.

Os aumentos mais expressivos ocorreram justamente em produtos essenciais da mesa do brasileiro:

  • Cenoura: 32,72%
  • Batata-inglesa: 29,94%
  • Cebola: 22,93%
  • Tomate: 18,16%
  • Leite longa vida: 13,07%

O impacto vai além dos números divulgados pelo IBGE. A inflação dos alimentos atinge diretamente famílias de baixa renda, que já destinam grande parte do orçamento para alimentação e despesas básicas.

Além da comida, outro fator que pressionou a inflação foi a habitação, com alta de 2,36%. O principal vilão foi a energia elétrica residencial, que subiu 5,97%, seguida pelo gás de botijão, com aumento de 4,27%.

Para mim, o dado mais preocupante é justamente a combinação entre alta nos alimentos e nas contas essenciais da casa. Quando energia, gás e comida sobem ao mesmo tempo, o efeito é imediato no cotidiano das pessoas, principalmente em bairros periféricos e cidades da região metropolitana.

Enquanto os indicadores econômicos mostram desaceleração técnica da inflação, a sensação nas ruas é diferente: o consumidor continua pagando mais caro para manter o básico.

Segundo o IBGE, sete dos nove grupos pesquisados apresentaram aumento em maio, demonstrando que a pressão inflacionária segue espalhada em diversos setores da economia.

Por outro lado, os transportes tiveram deflação de -1,41%, ajudando a evitar um índice ainda mais elevado. A queda foi puxada principalmente pelos combustíveis:

  • Gasolina: -3,38%
  • Etanol: -6,52%

Mesmo assim, a redução nos combustíveis não foi suficiente para compensar o avanço forte dos alimentos e da energia elétrica.

Economistas apontam que fatores climáticos, custos de produção e oscilações na cadeia de abastecimento ajudam a explicar a alta dos alimentos. Já no setor elétrico, reajustes tarifários continuam impactando diretamente o consumidor.

A inflação tem uma característica cruel: ela não pesa igual para todo mundo. Quem possui renda mais alta consegue absorver aumentos temporários. Já para milhões de famílias baianas, qualquer aumento no tomate, no leite ou na conta de luz significa cortar algo dentro de casa.

Enquanto Brasília comemora desaceleração nos índices gerais, o cidadão comum encara uma realidade diferente no mercado do bairro. O carrinho está mais vazio, mas a conta continua chegando mais alta.

O mais simbólico dessa prévia da inflação em Salvador é perceber que os itens que mais subiram são justamente aqueles impossíveis de evitar. Ninguém deixa de cozinhar, consumir energia ou comprar alimentos básicos.

A economia pode até parecer estável nos gráficos, mas a vida real continua cara.

Nos primeiros cinco meses de 2026, a inflação acumulada na região já chega a 3,54%, acima da média brasileira. E para quem depende do salário do fim do mês, os números do IBGE apenas confirmam aquilo que já vem sendo sentido diariamente no bolso.

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Inflação dispara em Salvador e alimentos têm maior alta em mais de 6 anos

Por Murillo Vazquez
27/05/2026 - 20h53 - Atualizado 27 de maio de 2026

Publicado em - -

Noticia oXarope_economia__1270526_4

Nos supermercados, nas feiras e até nas contas básicas de casa, o peso da inflação voltou a apertar o bolso dos baianos. A prévia da inflação oficial de maio na Região Metropolitana de Salvador ficou em 0,69%, segundo dados divulgados pelo IBGE, com os alimentos registrando a maior alta mensal em mais de seis anos.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, mostrou desaceleração em Salvador na comparação com abril, quando o índice havia alcançado 1,19%. Ainda assim, o resultado da capital baiana e região metropolitana ficou acima da média nacional, que foi de 0,62%.

Entre os 11 locais pesquisados pelo IBGE, Salvador teve o quarto maior índice do país, atrás apenas de Goiânia, Fortaleza e Belém.

O levantamento considera preços coletados entre os dias 16 de abril e 15 de maio e revela uma realidade cada vez mais perceptível para a população: comer ficou significativamente mais caro.

O grupo alimentação e bebidas teve alta de 2,04%, registrando o maior avanço mensal desde janeiro de 2020. Para um mês de maio, trata-se da maior elevação em 25 anos.

Os aumentos mais expressivos ocorreram justamente em produtos essenciais da mesa do brasileiro:

  • Cenoura: 32,72%
  • Batata-inglesa: 29,94%
  • Cebola: 22,93%
  • Tomate: 18,16%
  • Leite longa vida: 13,07%

O impacto vai além dos números divulgados pelo IBGE. A inflação dos alimentos atinge diretamente famílias de baixa renda, que já destinam grande parte do orçamento para alimentação e despesas básicas.

Além da comida, outro fator que pressionou a inflação foi a habitação, com alta de 2,36%. O principal vilão foi a energia elétrica residencial, que subiu 5,97%, seguida pelo gás de botijão, com aumento de 4,27%.

Para mim, o dado mais preocupante é justamente a combinação entre alta nos alimentos e nas contas essenciais da casa. Quando energia, gás e comida sobem ao mesmo tempo, o efeito é imediato no cotidiano das pessoas, principalmente em bairros periféricos e cidades da região metropolitana.

Enquanto os indicadores econômicos mostram desaceleração técnica da inflação, a sensação nas ruas é diferente: o consumidor continua pagando mais caro para manter o básico.

Segundo o IBGE, sete dos nove grupos pesquisados apresentaram aumento em maio, demonstrando que a pressão inflacionária segue espalhada em diversos setores da economia.

Por outro lado, os transportes tiveram deflação de -1,41%, ajudando a evitar um índice ainda mais elevado. A queda foi puxada principalmente pelos combustíveis:

  • Gasolina: -3,38%
  • Etanol: -6,52%

Mesmo assim, a redução nos combustíveis não foi suficiente para compensar o avanço forte dos alimentos e da energia elétrica.

Economistas apontam que fatores climáticos, custos de produção e oscilações na cadeia de abastecimento ajudam a explicar a alta dos alimentos. Já no setor elétrico, reajustes tarifários continuam impactando diretamente o consumidor.

A inflação tem uma característica cruel: ela não pesa igual para todo mundo. Quem possui renda mais alta consegue absorver aumentos temporários. Já para milhões de famílias baianas, qualquer aumento no tomate, no leite ou na conta de luz significa cortar algo dentro de casa.

Enquanto Brasília comemora desaceleração nos índices gerais, o cidadão comum encara uma realidade diferente no mercado do bairro. O carrinho está mais vazio, mas a conta continua chegando mais alta.

O mais simbólico dessa prévia da inflação em Salvador é perceber que os itens que mais subiram são justamente aqueles impossíveis de evitar. Ninguém deixa de cozinhar, consumir energia ou comprar alimentos básicos.

A economia pode até parecer estável nos gráficos, mas a vida real continua cara.

Nos primeiros cinco meses de 2026, a inflação acumulada na região já chega a 3,54%, acima da média brasileira. E para quem depende do salário do fim do mês, os números do IBGE apenas confirmam aquilo que já vem sendo sentido diariamente no bolso.

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