A inflação na Região Metropolitana de Salvador ficou em 0,15% em junho, na terceira desaceleração consecutiva desde o pico de março. O alívio veio principalmente dos alimentos, mas perdeu força diante das altas da gasolina, dos medicamentos e de outros gastos difíceis de cortar.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, desacelerou na Região Metropolitana de Salvador pelo terceiro mês seguido. Depois de alcançar 1,47% em março, o indicador passou a subir com menos intensidade até chegar aos 0,15% registrados em junho.
O resultado ficou ligeiramente abaixo da inflação nacional, que foi de 0,16%, e colocou a região na nona posição entre os 16 locais pesquisados separadamente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE.
Brasília teve a maior inflação do mês, com 0,52%, seguida por São Luís, com 0,43%, e pela Região Metropolitana de Curitiba, com 0,42%. Recife, São Paulo e Aracaju registraram pequenas quedas médias de preços.
No Brasil, o IPCA acumulou alta de 3,36% no primeiro semestre e de 4,64% nos 12 meses encerrados em junho. O indicador nacional também desacelerou em relação a maio, quando havia avançado 0,58%.

Na Região Metropolitana de Salvador, a conta continua um pouco mais salgada quando se olha o ano inteiro. O IPCA acumulou 3,73% entre janeiro e junho, a sétima maior alta entre as áreas pesquisadas e acima da média brasileira.
Nos 12 meses encerrados em junho, a inflação local chegou a 4,53%. O percentual ficou abaixo dos 4,67% registrados até maio e marcou a primeira desaceleração em quatro meses.
O IPCA acompanha a variação dos preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias nas áreas urbanas pesquisadas. É a principal medida da inflação oficial do país e uma referência para decisões econômicas, contratos e políticas públicas.
O número geral de 0,15% parece baixo à primeira vista. Só que inflação não chega igual pra todo mundo. Ela depende do que cada família compra, de como se desloca, dos remédios que usa e de quanto do orçamento já está comprometido antes mesmo de o mês começar.
Em junho, seis dos nove grupos pesquisados tiveram aumento de preços na Região Metropolitana de Salvador. Transportes liderou a alta, com avanço de 1,01%, depois de dois meses seguidos de queda.

A gasolina subiu 1,96% e foi o item que mais pressionou individualmente o custo de vida local. As passagens aéreas aumentaram 12,29%, enquanto o aluguel de veículos teve alta de 17,23%, a maior variação entre os itens analisados.
O impacto do combustível não termina na bomba. Ele aparece no deslocamento pra escola e pro trabalho, pesa no orçamento de motoristas de aplicativo e pode chegar ao preço de mercadorias transportadas pela cidade.
Saúde e cuidados pessoais avançaram 0,52%. Os medicamentos ficaram, em média, 1,05% mais caros. Entre os produtos farmacêuticos, remédios contra hipertensão e colesterol alto subiram 2,18%. Os planos de saúde tiveram alta de 0,36%.
Pra mim, o que mais chama atenção é como uma variação aparentemente pequena entra na rotina sem pedir licença. Ela aparece no tanque abastecido pela metade, na receita comprada aos poucos e naquela conta refeita no celular antes de passar no caixa.
O principal respiro veio dos alimentos e bebidas, grupo com maior peso no orçamento das famílias da Região Metropolitana de Salvador. Os preços recuaram 0,58%, na primeira queda desde fevereiro.

O café moído ficou 4,80% mais barato e exerceu a maior influência individual para segurar a inflação local. Também houve recuos importantes no tomate, de 8,69%, na cebola, de 12,26%, na banana-prata, de 10,08%, e no conjunto de frutas, que caiu 5,47%.
É um alívio visível na feira e no supermercado, mas que não alcançou toda a cesta. Sete dos dez produtos e serviços com as maiores altas de junho eram alimentos consumidos dentro de casa.
O feijão-carioca subiu 6,70%, a cenoura aumentou 6,60% e a batata-inglesa avançou 4,79%. A alimentação fora de casa também ficou mais cara, com alta de 0,44%.
Isso ajuda a explicar por que os dados oficiais nem sempre combinam imediatamente com a sensação de quem faz compras. Uma família que consome mais feijão, batata, refeições prontas ou combustível pode ter enfrentado um mês bem mais pesado do que o índice médio sugere.
As despesas de habitação recuaram 0,13%, influenciadas pela queda de 0,69% na energia elétrica residencial. Mesmo assim, no conjunto do primeiro semestre, apenas o grupo vestuário apresentou deflação na região, com redução acumulada de 0,28%.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor, o INPC, que acompanha com maior atenção as famílias com renda de até cinco salários mínimos, também desacelerou. Ficou em 0,05% em junho na Região Metropolitana de Salvador, abaixo dos 0,14% registrados nacionalmente.
No semestre, porém, o INPC local acumulou 3,92%, ante 3,51% no país. Em 12 meses, chegou a 4,37%, ligeiramente acima dos 4,33% nacionais. Os dados brasileiros do INPC foram confirmados no levantamento divulgado pelo IBGE em
Junho trouxe a terceira desaceleração seguida da inflação na Região Metropolitana de Salvador e um alívio importante nos alimentos. Ainda assim, gasolina, medicamentos e alimentação fora de casa mantiveram a pressão sobre o orçamento.
O semestre terminou com o custo de vida local avançando acima da média nacional. A inflação perdeu velocidade, mas ainda não largou o bolso do soteropolitano. Entre o índice que desacelera e a renda que precisa durar até o fim do mês, continua existindo uma distância que nenhuma casa consegue ignorar.















