A inflação voltou a pressionar o orçamento das famílias na Região Metropolitana de Salvador. Em setembro de 2026, o IPCA subiu 0,74%, após dois meses de queda. Segundo o IBGE, foi o maior resultado para setembro desde 2021, com a energia elétrica como principal responsável pelo avanço dos preços.

A alta interrompeu as quedas de 0,32% em julho e de 0,59% em agosto. Apesar da mudança, o índice da Grande Salvador ficou abaixo da média nacional, de 0,82%, e ocupou a nona posição entre as 16 áreas pesquisadas.
No acumulado de janeiro a setembro, a inflação regional chegou a 3,55%, a terceira menor do levantamento. Já em 12 meses, passou de 3,64% em agosto para 4,23% em setembro. No Brasil, os acumulados foram de 3,95% no ano e de 4,58% em 12 meses.
Sete dos nove grupos pesquisados ficaram mais caros. Habitação liderou a pressão sobre o índice, com alta de 2,50%, influenciada pelo aumento de 9,06% na energia elétrica residencial.
Segundo o levantamento encaminhado pelo IBGE, esse movimento ocorreu com o fim do desconto do Bônus de Itaipu, aplicado às faturas de agosto. A retirada do benefício elevou a comparação com o mês anterior.
Nos transportes, a alta foi de 0,88%. As passagens aéreas subiram 18,29%, enquanto a gasolina recuou 0,37%, reduzindo parte da pressão.

A alimentação também voltou a pesar depois de três meses de queda. O grupo alimentos e bebidas avançou 0,48%, com destaque para o tomate, que subiu 44,98%, e a batata-inglesa, com aumento de 17,98%.
O que mais chama atenção é a presença de despesas básicas nessa retomada. A conta de luz e a compra de alimentos ocupam um espaço do orçamento que dificilmente pode ser adiado.
Os dados do IBGE também mostram alívios pontuais. O botijão de gás caiu 1,11%, e os perfumes ficaram 2,32% mais baratos. Saúde e cuidados pessoais recuou 0,06%, enquanto educação apresentou queda de 0,04%.
Entre as famílias de menor renda, o INPC registrou alta de 0,73% na Grande Salvador. O indicador acompanha os preços para famílias com rendimentos de até cinco salários mínimos cuja pessoa responsável pelo domicílio é assalariada.
O INPC regional acumulou 3,62% no ano e 4,09% em 12 meses, abaixo dos resultados nacionais de 4,01% e 4,29%, respectivamente.

Estar abaixo da média brasileira é um dado favorável, mas não significa que as famílias estejam livres do aperto. O índice reúne despesas diferentes, e cada orçamento sente os aumentos conforme seus hábitos e necessidades.
Também é preciso separar o efeito do fim de um desconto temporário de uma tendência duradoura. Setembro mostrou uma retomada dos preços, mas um único mês não permite afirmar que esse ritmo continuará.
Para quem faz as contas em casa, a questão mais concreta é quanto sobra depois de pagar a energia e abastecer a cozinha.
















