
Os dados apresentados no boletim Data em Dados mostram que a Bahia tinha o quinto maior contingente de professores do Brasil em 2022, atrás de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná. A categoria representava 3,2% das pessoas ocupadas no estado.
Quando a comparação considera o tamanho da população, a posição muda. Eram 12 professores para cada mil habitantes na Bahia, abaixo da média nacional de 14. Nesse indicador, o estado ocupava a 19ª colocação entre as 27 unidades da Federação.
A data comemorativa remete à Lei de 15 de outubro de 1827, sancionada por Dom Pedro I, que determinou a criação de escolas de primeiras letras em cidades, vilas e localidades mais populosas do Império. Em 1963, um decreto federal estabeleceu o Dia do Professor como feriado escolar.
O ensino fundamental concentrava quase metade dos professores baianos. Eram 82.325 profissionais, equivalentes a 47,9% da categoria. Na pré-escola, trabalhavam 28.345 docentes, ou 16,5% do total.
Outros 44.786 profissionais, correspondentes a 26%, estavam em categorias que não se enquadravam nas classificações específicas destacadas pelo levantamento.
A presença feminina na educação baiana era ainda mais expressiva na pré-escola, onde as mulheres representavam 86,1% dos docentes. Nas universidades e no ensino superior, a participação era de 50%.
O que mais chama atenção nesse retrato é o peso das mulheres justamente na etapa em que muitas crianças começam sua convivência com a escola.
A valorização docente também aparece nas orientações da Unesco. Ao tratar do Dia Mundial dos Professores, celebrado em 5 de outubro, a organização associa o reconhecimento da profissão ao apoio necessário para ensinar, à formação e às condições de trabalho.
Na Bahia, o recorte municipal revela diferenças na distribuição dos profissionais. Cruz das Almas tinha 27 professores para cada mil habitantes, seguida por Lafaiete Coutinho, com 25, e Caldeirão Grande, com 24. Itamari e Banzaê registravam 23 por mil.
Salvador reunia 33.190 docentes. Com 14 profissionais por mil habitantes, a capital ocupava a 106ª posição entre os 417 municípios baianos.
Os rendimentos médios também variavam conforme a área de atuação. No ensino superior, a média era de R$ 9.022,16. Entre professores do ensino médio, chegava a R$ 4.428,44, enquanto na pré-escola era de R$ 3.689,35.
Nas categorias destacadas com menores valores estavam os instrutores de tecnologia da informação, com R$ 1.735,96, e os professores de artes, com R$ 2.162,34.
Esses números se referem a 2022 e não devem ser apresentados como salários atuais. As médias, isoladamente, também não explicam diferenças de jornada, formação, vínculo ou tempo de carreira.
Da mesma maneira, a proporção de professores por habitante ajuda a conhecer o território, mas não basta para afirmar que faltam docentes. Essa avaliação exige informações sobre matrículas, turmas, etapas de ensino e distribuição das vagas.
Neste 15 de outubro, o retrato do IBGE dá dimensão a uma profissão presente na vida de tantas famílias. A homenagem ganha sentido quando o reconhecimento também chega às condições de ensinar.















