A Aldeia Mãe Barra Velha viveu mais uma edição da tradicional Festa de São Braz, uma das celebrações mais antigas e significativas para o povo Pataxó. Marcada pela espiritualidade, pela memória ancestral e pela força da coletividade, a festividade reafirmou a identidade cultural da comunidade e reuniu moradores e visitantes em dias de intensa devoção e alegria. Reconhecida como uma das maiores festas tradicionais da aldeia, o evento fortalece laços e mantém viva uma herança que atravessa gerações.

A programação teve início no dia 25 de janeiro, com rodas de samba realizadas diariamente, começando na igreja e seguindo até a casa dos festeiros. O ritmo ficou por conta dos Marujos Pataxó, grupo de samba indígena reconhecido como patrimônio histórico de Porto Seguro, que conduziu os encontros com cantos e sonoridades que traduzem a alma da comunidade. A música, presente em todos os momentos, ajudou a preparar o clima para o ponto alto da celebração.

No dia principal, 3 de fevereiro, um dos rituais mais simbólicos mobilizou a aldeia: a ida até a mata, no caminho da Aldeia Pará, para buscar o pau de São Braz, retirado tradicionalmente da região da casa do velho Antônio Braz, importante ancião e referência comunitária. Durante o cortejo, o tronco percorreu as casas, onde era raspado como gesto de bênção e proteção. As cascas foram lançadas para dentro das residências e também preservadas como parte das práticas de cura, enquanto os moradores consagravam o pau com bebida, mantendo viva a tradição.

A festa reuniu cerca de mil pessoas em um grande cortejo marcado por fé e emoção. O público acompanhou os cantos, o samba e a vibração da Marujada ao longo de todo o trajeto. A programação musical contou com show de Cleuzinha e artistas convidados, e foi encerrada com a subida do mastro, um dos momentos mais aguardados, simbolizando união, esperança e a resistência cultural do povo Pataxó.

















