Entenda a PEC da Segurança: proposta fortalece integração e padroniza combate ao crime

Entenda como a PEC da Segurança põe a integração entre União, estados e municípios no centro da política de segurança pública, e o que isso significa para o país.

Por Murillo Vazquez
31/10/2025

Publicado em -

Noticia oXarope 31102503pecseguranca

O governo federal enviou ao Congresso Nacional em abril de 2025 a PEC 18/2025 (popularmente chamada de “PEC da Segurança Pública”), que visa integrar esferas federativas, padronizar dados e assegurar financiamento estável à segurança. O objetivo é modernizar o combate ao crime organizado e reforçar as políticas de segurança em todo o Brasil.

A proposta da PEC muda cinco artigos da Constituição Federal de 1988 os artigos 21, 22, 23, 24 e 144, para ajustar competências da União, estados, Distrito Federal e municípios no campo da segurança pública.

Hoje, o país convive com fragmentação dos sistemas de segurança: há 27 certidões de antecedentes criminais diferentes, 27 formatos de boletins de ocorrência e 27 modelos de mandados de prisão o que dificulta a ação coordenada entre entes federados.

A PEC propõe elevar à constituição o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), criado por lei em 2018, de modo a dar estabilidade jurídica, garantia de financiamento e integração institucional.

Além disso, serão criados mecanismos para financiamento contínuo: o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) serão constitucionalizados e terão vedação ao contingenciamento de seus recursos.

Para a população, o que mais pesa é a promessa de que as forças de segurança deixarão de operar isoladamente e passarão a atuar de forma articulada: uniões entre polícia federal, estaduais, municipais, inteligência integrada, compartilhamento de dados. Para mim, o que mais chama atenção é como decisões técnicas — como unificar boletins de ocorrência afetam a vida real das pessoas: em casos de crime interestadual, por exemplo, sem esse padrão o investigado pode “somar” falhas de estado para se dar bem.

Os impactos diretos são:

  • Melhor coordenação entre União, estados e municípios para enfrentamento de organizações criminosas com alcance interestadual ou internacional.
  • Reconhecimento constitucional das guardas municipais como parte do sistema de segurança pública urbano, o que pode ampliar sua atuação comunitária e ostensiva.
  • Financiamento garantido e estável, que deve reduzir as “pontas soltas” na segurança pública local.
  • Manutenção da autonomia dos estados e municípios a PEC deixa claro que padronizar não é centralizar. A UE (União) será responsável por diretrizes gerais, mas não controlará cada detalhe operacional.

Por outro lado, há riscos e desafios: a implementação real dessas diretrizes exige investimento, tecnologia de dados, governança entre entes diferentes, e será preciso evitar que “diretrizes gerais” se tornem imposições que desconsiderem realidades locais.

O Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça e Segurança Pública, afirmou que: “Este é um embrião daquilo que nós queremos criar com a PEC da Segurança Pública … Queremos fazer um entrosamento das forças federais, estaduais e até municipais no enfrentamento deste flagelo, desta verdadeira patologia, que é a criminalidade em todos os sentidos.”

Segundo relatório de especialistas, a omissão legislativa em atribuir competência plena à União na segurança pública persiste há 36 anos a PEC vem para corrigir esse descompasso.

Na comissão especial da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara, o parecer foi aprovado por 43 votos a 23, com ajustes que retiraram da União a competência privativa para legislar sobre segurança pública e sistema penitenciário o que gerou críticas de que o alcance ficou menor que o desejado.

Enquanto Brasília debate fórmulas, aqui no chão da cidade quem sente o peso é o cidadão que convive com insegurança, demora em investigações e ritmo de resposta lenta das polícias. A PEC da Segurança propõe dar ferramentas para acelerar isso, mas não é mágica: se os estados, municípios e União não alinharem seus sistemas, o risco é que o papel constitucional se torne letra morta.

Para o cidadão comum, o valor da proposta está em sentir menos demora para resolver casos de crime, ver uma guarda municipal atuando de forma mais efetiva nas ruas, perceber que a investigação interestadual “funciona” porque há padronização, e que recursos não parem por falta de repasse. Contudo, se o governo federal “centralizar” demais ou os estados se sentirem sufocados na autonomia, pode haver resistência ou fragilidade na execução.

Também me preocupa: a padronização de dados e processos é boa, mas requer investimento pesado em tecnologia, integração de sistemas e capacitação. Se isso não for feito, existe o risco de manter velhos gargalos sob nova roupagem. Em resumo: a PEC abre um caminho promissor, mas depende da caminhada em conjunto não basta prometer.

A PEC da Segurança representa uma tentativa concreta de modernizar e unir a política de segurança pública no Brasil, conferindo estabilidade, financiamento e padronização. Ainda assim, seu sucesso dependerá da articulação entre União, estados e municípios, da capacidade técnica para integrar sistemas e da vontade política de transformar normas em resultados. A reflexão que fica: será que estamos prontos para esse salto ou vamos cobrar os efeitos de uma proposta que ficou apenas no papel?

1678540344banner-970x90-bello.png

Mais recentes

BR-101 será 100% liberada no sul da Bahia até 15 de dezembro, anuncia governo

O trecho da BR-101 sobre o rio Jequitinhonha, no extremo sul da Bahia, será totalmente liberado até…

Itabela se destaca na 14ª Conferência Nacional de Assistência Social em Brasília

Itabela reforçou seu protagonismo no cenário nacional ao representar o Extremo Sul da Bahia na 14ª Conferência…

Serviços de manutenção seguem na entrada da cidade pela BR-367

As equipes de limpeza e manutenção da Prefeitura de Porto Seguro seguem atuando na entrada da cidade,…

Feira de Ciências estimula conhecimento e prática

Estudantes de escolas públicas e particulares de Porto Seguro participaram,  na manhã de 9 de dezembro,  da…

Prêmio Escola Destaque 2025 valoriza estudantes de escolas municipais de Eunápolis

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Educação, realizou nesta terça-feira (9), na Câmara…

Entenda a PEC da Segurança: proposta fortalece integração e padroniza combate ao crime

Entenda como a PEC da Segurança põe a integração entre União, estados e municípios no centro da política de segurança pública, e o que isso significa para o país.

Por Murillo Vazquez
31/10/2025 - 08h13 - Atualizado 2 de novembro de 2025

Publicado em -

Noticia oXarope 31102503pecseguranca

O governo federal enviou ao Congresso Nacional em abril de 2025 a PEC 18/2025 (popularmente chamada de “PEC da Segurança Pública”), que visa integrar esferas federativas, padronizar dados e assegurar financiamento estável à segurança. O objetivo é modernizar o combate ao crime organizado e reforçar as políticas de segurança em todo o Brasil.

A proposta da PEC muda cinco artigos da Constituição Federal de 1988 os artigos 21, 22, 23, 24 e 144, para ajustar competências da União, estados, Distrito Federal e municípios no campo da segurança pública.

Hoje, o país convive com fragmentação dos sistemas de segurança: há 27 certidões de antecedentes criminais diferentes, 27 formatos de boletins de ocorrência e 27 modelos de mandados de prisão o que dificulta a ação coordenada entre entes federados.

A PEC propõe elevar à constituição o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), criado por lei em 2018, de modo a dar estabilidade jurídica, garantia de financiamento e integração institucional.

Além disso, serão criados mecanismos para financiamento contínuo: o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) serão constitucionalizados e terão vedação ao contingenciamento de seus recursos.

Para a população, o que mais pesa é a promessa de que as forças de segurança deixarão de operar isoladamente e passarão a atuar de forma articulada: uniões entre polícia federal, estaduais, municipais, inteligência integrada, compartilhamento de dados. Para mim, o que mais chama atenção é como decisões técnicas — como unificar boletins de ocorrência afetam a vida real das pessoas: em casos de crime interestadual, por exemplo, sem esse padrão o investigado pode “somar” falhas de estado para se dar bem.

Os impactos diretos são:

  • Melhor coordenação entre União, estados e municípios para enfrentamento de organizações criminosas com alcance interestadual ou internacional.
  • Reconhecimento constitucional das guardas municipais como parte do sistema de segurança pública urbano, o que pode ampliar sua atuação comunitária e ostensiva.
  • Financiamento garantido e estável, que deve reduzir as “pontas soltas” na segurança pública local.
  • Manutenção da autonomia dos estados e municípios a PEC deixa claro que padronizar não é centralizar. A UE (União) será responsável por diretrizes gerais, mas não controlará cada detalhe operacional.

Por outro lado, há riscos e desafios: a implementação real dessas diretrizes exige investimento, tecnologia de dados, governança entre entes diferentes, e será preciso evitar que “diretrizes gerais” se tornem imposições que desconsiderem realidades locais.

O Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça e Segurança Pública, afirmou que: “Este é um embrião daquilo que nós queremos criar com a PEC da Segurança Pública … Queremos fazer um entrosamento das forças federais, estaduais e até municipais no enfrentamento deste flagelo, desta verdadeira patologia, que é a criminalidade em todos os sentidos.”

Segundo relatório de especialistas, a omissão legislativa em atribuir competência plena à União na segurança pública persiste há 36 anos a PEC vem para corrigir esse descompasso.

Na comissão especial da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara, o parecer foi aprovado por 43 votos a 23, com ajustes que retiraram da União a competência privativa para legislar sobre segurança pública e sistema penitenciário o que gerou críticas de que o alcance ficou menor que o desejado.

Enquanto Brasília debate fórmulas, aqui no chão da cidade quem sente o peso é o cidadão que convive com insegurança, demora em investigações e ritmo de resposta lenta das polícias. A PEC da Segurança propõe dar ferramentas para acelerar isso, mas não é mágica: se os estados, municípios e União não alinharem seus sistemas, o risco é que o papel constitucional se torne letra morta.

Para o cidadão comum, o valor da proposta está em sentir menos demora para resolver casos de crime, ver uma guarda municipal atuando de forma mais efetiva nas ruas, perceber que a investigação interestadual “funciona” porque há padronização, e que recursos não parem por falta de repasse. Contudo, se o governo federal “centralizar” demais ou os estados se sentirem sufocados na autonomia, pode haver resistência ou fragilidade na execução.

Também me preocupa: a padronização de dados e processos é boa, mas requer investimento pesado em tecnologia, integração de sistemas e capacitação. Se isso não for feito, existe o risco de manter velhos gargalos sob nova roupagem. Em resumo: a PEC abre um caminho promissor, mas depende da caminhada em conjunto não basta prometer.

A PEC da Segurança representa uma tentativa concreta de modernizar e unir a política de segurança pública no Brasil, conferindo estabilidade, financiamento e padronização. Ainda assim, seu sucesso dependerá da articulação entre União, estados e municípios, da capacidade técnica para integrar sistemas e da vontade política de transformar normas em resultados. A reflexão que fica: será que estamos prontos para esse salto ou vamos cobrar os efeitos de uma proposta que ficou apenas no papel?

1

Mais recentes

BR-101 será 100% liberada no sul da Bahia até 15 de dezembro, anuncia governo

O trecho da BR-101 sobre o rio Jequitinhonha, no extremo sul da Bahia, será totalmente liberado até o dia 15 de dezembro. O anúncio foi…

Itabela se destaca na 14ª Conferência Nacional de Assistência Social em Brasília

Itabela reforçou seu protagonismo no cenário nacional ao representar o Extremo Sul da Bahia na 14ª Conferência Nacional de Assistência Social, realizada entre 6 e…

Serviços de manutenção seguem na entrada da cidade pela BR-367

As equipes de limpeza e manutenção da Prefeitura de Porto Seguro seguem atuando na entrada da cidade, ao longo da BR-367, durante os últimos dias….

Feira de Ciências estimula conhecimento e prática

Estudantes de escolas públicas e particulares de Porto Seguro participaram,  na manhã de 9 de dezembro,  da 1ª Feira de Ciências do Sul da Bahia,…

Prêmio Escola Destaque 2025 valoriza estudantes de escolas municipais de Eunápolis

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Educação, realizou nesta terça-feira (9), na Câmara de Vereadores, a cerimônia do Prêmio Escola Destaque…

lanSEC anuncia Projeto Férias na Escola durante abertura do Encontro Estudantil 2025

O mês de janeiro de 2026 chegará com mais uma edição do Projeto Férias na Escola, iniciativa da Secretaria da Educação da Bahia que abre…

Cláudia Oliveira celebra novos voos entre Salvador e Porto Seguro

A deputada estadual Cláudia Oliveira celebrou o anúncio da Gol Linhas Aéreas de que, a partir do dia 10 de dezembro, a companhia passará a…

Prefeitura realiza operação noturna para liberar acesso na Ladeira do Mucugê após deslizamento causado pelas chuvas

A Prefeitura de Porto Seguro mobilizou, na noite desta segunda-feira, 8, uma grande força-tarefa para limpar e desobstruir o talude da Ladeira do Mucugê, em…

Veracel abre seis novas oportunidades para trabalhar na companhia 

A Veracel Celulose está com seis oportunidades abertas para atuar na companhia. São quatro vagas disponíveis na área de Coordenação e Manutenção de Equipamentos Florestais: Mecânico(a);  Operador…

Educação Especial e Inclusiva avança em Porto Seguro

As práticas desenvolvidas pelo Setor de Educação Especial e Inclusiva da Prefeitura de Porto Seguro vêm alcançando avanços significativos, a partir da implementação de uma…

Programa de Erick Jacquin ‘Pesadelo na Cozinha’ escolhe Porto Seguro para primeiras gravações fora de SP

A rota gastronômica de Porto Seguro acaba de atingir um novo patamar de visibilidade ao entrar oficialmente nas gravações do consagrado programa “Pesadelo na Cozinha”,…

SAÚDE – Porto Seguro realiza mutirão de otorrinolaringologia com recursos próprios e reduz fila de espera por cirurgias

A Prefeitura de Porto Seguro realizou, neste final de semana, mais um mutirão de cirurgias eletivas na área de otorrinolaringologia, utilizando recursos próprios do município….

Educação e consciência ambiental: projeto transforma alunos da Escola José de Araújo Santana em guardiões da cidade

A Escola Municipal José de Araújo Santana encerrou o ano letivo com destaque ao promover a culminância do projeto “A Cara da Cidade, A Cidade…

Google aponta Porto Seguro como destino mais pesquisado do Brasil em 2025

Porto Seguro firmou-se em 2025 como um dos nomes mais fortes do turismo nacional ao ser apontada pelo Google como o destino brasileiro que mais…

Prefeito Robério Oliveira entrega Nova Ala Vermelha do Hospital Geral de Eunápolis

A Prefeitura de Eunápolis realizou, nesta segunda-feira (8), a solenidade de inauguração da Ala Vermelha do Hospital Geral, em um evento que reuniu vereadores, secretários…

Rolar para cima