Favelas de Salvador enfrentam apagão urbano com ruas sem árvores, calçadas ou bueiros

Censo 2022 revela realidade precária da infraestrutura nas favelas de Salvador. Veja os dados que mostram o contraste urbano na capital baiana.

Por Murillo Vazquez
05/12/2025

Publicado em -

oXarope noticia 051205001favela1

Salvador abriga uma desigualdade urbana alarmante. Oito em cada dez moradores de favelas vivem em ruas sem uma única árvore. Sete em cada dez, sem calçadas. Metade, sem bueiros. Os dados são do Censo Demográfico 2022.

A nova edição do Censo Demográfico, divulgada pelo IBGE, revelou um retrato preocupante da infraestrutura urbana nas favelas e comunidades de Salvador. A capital baiana concentra três quartos da população que vive em favelas na Bahia e registra uma das maiores desigualdades do país entre as áreas formais e informais da cidade.

Entre os dez itens avaliados pela Pesquisa das Características do Entorno dos Domicílios, praticamente todos apresentaram desvantagens significativas para quem mora em favelas. As diferenças mais gritantes aparecem na ausência de calçadas, árvores, bueiros e ruas com baixa capacidade de circulação.

A ausência desses elementos vai além da estética urbana. Sem calçadas, caminhar se torna perigoso. Sem árvores, o calor se intensifica. Sem bueiros, o risco de alagamentos cresce. E sem acessibilidade, pessoas com deficiência ficam à margem.

O que mais impressiona é que essa precariedade está concentrada justamente onde vive uma parcela enorme da população. Ignorar essa realidade significa aceitar que milhões de brasileiros cresçam sem o mínimo necessário para viver com dignidade.

Na capital baiana, 67,6 por cento dos moradores de favelas vivem em ruas sem calçadas. Isso representa mais de 695 mil pessoas. Fora das favelas, esse número cai para 25,6 por cento.

Oitenta por cento dos moradores de favelas vivem em ruas sem árvores. Já entre os que vivem fora desses territórios, o índice é de 54,7 por cento. No caso dos bueiros, 52,9 por cento da população nas favelas não conta com esse serviço básico. Fora das favelas, o índice é de 38,7 por cento.

Ruas com baixa capacidade de circulação, onde só passam motos, bicicletas ou pedestres, são realidade para 40,1 por cento dos moradores de favelas, enquanto fora delas esse percentual é de apenas 10,4 por cento.

A acessibilidade também é negligenciada. Apenas 0,7 por cento da população de favelas vive em ruas com rampas para cadeirantes. Fora das favelas, esse número chega a 11,7 por cento.

Mesmo serviços como pavimentação e iluminação pública, que deveriam ser universais, apresentam diferenças. E quando se trata de ciclovias ou pontos de ônibus, a exclusão é quase total em ambos os contextos, com prejuízo maior para as favelas.

Esses dados não revelam apenas carência de infraestrutura. Revelam um modelo de cidade que exclui e marginaliza. A favela, que deveria ser parte viva do tecido urbano, segue sendo tratada como um território invisível.

Essa negligência tem consequências profundas. Afeta a mobilidade, a saúde, a segurança e o direito básico de existir com dignidade. E não se trata de números frios. São mães, crianças, idosos, trabalhadores que todos os dias enfrentam a falta do básico.

Em pleno 2025, é inadmissível que quase um milhão de pessoas em Salvador vivam em ruas sem árvore, sem calçada e sem bueiro. Isso não é urbanismo. É descaso.

O que o Censo 2022 escancarou é que Salvador vive uma divisão urbana brutal. Enquanto parte da cidade avança, outra parte luta para ter o mínimo. Resolver isso exige mais que obras. Exige vontade política, planejamento e respeito por quem vive onde o Estado não chega.

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Por Murillo Vazquez
05/12/2025 - 11h00 - Atualizado 5 de dezembro de 2025

Publicado em -

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Entre os dez itens avaliados pela Pesquisa das Características do Entorno dos Domicílios, praticamente todos apresentaram desvantagens significativas para quem mora em favelas. As diferenças mais gritantes aparecem na ausência de calçadas, árvores, bueiros e ruas com baixa capacidade de circulação.

A ausência desses elementos vai além da estética urbana. Sem calçadas, caminhar se torna perigoso. Sem árvores, o calor se intensifica. Sem bueiros, o risco de alagamentos cresce. E sem acessibilidade, pessoas com deficiência ficam à margem.

O que mais impressiona é que essa precariedade está concentrada justamente onde vive uma parcela enorme da população. Ignorar essa realidade significa aceitar que milhões de brasileiros cresçam sem o mínimo necessário para viver com dignidade.

Na capital baiana, 67,6 por cento dos moradores de favelas vivem em ruas sem calçadas. Isso representa mais de 695 mil pessoas. Fora das favelas, esse número cai para 25,6 por cento.

Oitenta por cento dos moradores de favelas vivem em ruas sem árvores. Já entre os que vivem fora desses territórios, o índice é de 54,7 por cento. No caso dos bueiros, 52,9 por cento da população nas favelas não conta com esse serviço básico. Fora das favelas, o índice é de 38,7 por cento.

Ruas com baixa capacidade de circulação, onde só passam motos, bicicletas ou pedestres, são realidade para 40,1 por cento dos moradores de favelas, enquanto fora delas esse percentual é de apenas 10,4 por cento.

A acessibilidade também é negligenciada. Apenas 0,7 por cento da população de favelas vive em ruas com rampas para cadeirantes. Fora das favelas, esse número chega a 11,7 por cento.

Mesmo serviços como pavimentação e iluminação pública, que deveriam ser universais, apresentam diferenças. E quando se trata de ciclovias ou pontos de ônibus, a exclusão é quase total em ambos os contextos, com prejuízo maior para as favelas.

Esses dados não revelam apenas carência de infraestrutura. Revelam um modelo de cidade que exclui e marginaliza. A favela, que deveria ser parte viva do tecido urbano, segue sendo tratada como um território invisível.

Essa negligência tem consequências profundas. Afeta a mobilidade, a saúde, a segurança e o direito básico de existir com dignidade. E não se trata de números frios. São mães, crianças, idosos, trabalhadores que todos os dias enfrentam a falta do básico.

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