
Nos primeiros dias de fevereiro, a inflação voltou a acelerar na Região Metropolitana de Salvador. O IPCA-15 ficou em 0,69%, acima de janeiro, mas ainda abaixo da média nacional. O dado divulgado pelo IBGE revela pressão concentrada em educação e transportes, e ao mesmo tempo um cenário mais controlado que em anos anteriores.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15, o IPCA-15, é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e funciona como prévia da inflação oficial. Em fevereiro, na Região Metropolitana de Salvador, o índice foi de 0,69%, acima dos 0,47% registrados em janeiro.
Apesar da aceleração, o resultado ficou abaixo da média nacional, que atingiu 0,84%. Entre as 11 áreas pesquisadas, Salvador teve o quarto menor índice do país. Ficou acima apenas das regiões metropolitanas de Recife, Porto Alegre e do município de Goiânia. A maior variação foi observada na Região Metropolitana de São Paulo, com 1,09%.
Outro dado que chama atenção é o comparativo histórico. Este foi o menor IPCA-15 para um mês de fevereiro na região em cinco anos, desde 2021, quando havia marcado 0,67%.
No acumulado do ano, a RMS soma alta de 1,16%, acima do índice nacional de 1,04% e o quarto maior entre as áreas pesquisadas. Já no acumulado de 12 meses, o índice local está em 3,31%, abaixo da média brasileira de 4,10% e o terceiro menor do país.
A principal pressão inflacionária veio da educação, que subiu 5,48% em fevereiro. Como tradicionalmente ocorre neste período, o reajuste das mensalidades escolares pesou no bolso das famílias. Os cursos regulares aumentaram 7,14%, com destaque para o ensino fundamental, que subiu 9,56%. Ensino médio e pré-escola também registraram altas expressivas.
Transportes aparecem na sequência, com alta de 1,17%. O aumento foi puxado pelo reajuste do ônibus intermunicipal, que subiu 11,23%, e do ônibus urbano, com alta de 4,37%. Por outro lado, o transporte por aplicativo caiu 5,34%, ajudando a conter um avanço ainda maior.
Para mim, o que mais chama atenção é como a inflação se concentra em despesas essenciais. Educação e transporte não são supérfluos, são compromissos fixos das famílias. Quando esses itens sobem, o impacto é direto na organização do orçamento doméstico.
Segundo o IBGE, fevereiro é historicamente um mês de forte pressão no grupo educação, justamente pela atualização anual das mensalidades. Isso explica, em parte, o comportamento do índice.

Ao mesmo tempo, a deflação em vestuário, que caiu 1,70%, e em habitação, com recuo de 0,14%, ajudou a equilibrar o resultado. A energia elétrica residencial teve queda de 1,89%, sendo o item que mais contribuiu para segurar a inflação no mês.
Na prática, o consumidor sente um cenário misto. De um lado, serviços básicos mais caros. De outro, algum alívio pontual em itens como roupas e energia.
Os números mostram um retrato mais equilibrado do que em anos anteriores, mas não significam tranquilidade total. Enquanto o acumulado de 12 meses está abaixo da média nacional, o início de 2026 já apresenta ritmo mais forte que o do Brasil como um todo.
No dia a dia, o que pesa não é apenas o percentual, mas onde ele incide. Quando a alta atinge mensalidades escolares e passagens de ônibus, ela dialoga diretamente com trabalhadores, estudantes e famílias de renda média e baixa. A inflação pode até estar sob controle técnico, mas continua sensível na vida real.
O IPCA-15 de fevereiro na Região Metropolitana de Salvador mostra aceleração frente a janeiro, mas mantém a região entre as menores variações do país e registra o fevereiro mais brando em cinco anos.

O desafio agora é acompanhar os próximos meses para entender se a pressão em educação e transportes será pontual ou se indicará uma tendência mais persistente. Para o consumidor, o recado é claro, planejamento segue sendo essencial.














