De 2022 a 2024, a Bahia passou de 50,58 por cento para 65,34 por cento de sua população nas classes A, B e C. O dado é da Fundação Getulio Vargas e revela um avanço significativo no perfil socioeconômico do estado.
O levantamento realizado pela FGV mostra que o crescimento da renda familiar e o fortalecimento de políticas públicas de inclusão social impulsionaram a mobilidade de milhões de baianos. Classes mais altas, antes inacessíveis para uma parte considerável da população, agora abrigam cerca de dois terços dos moradores do estado.
Segundo a metodologia do estudo, são considerados:
- Classe A: famílias com renda acima de 20 salários mínimos
- Classe B: entre 10 e 20 salários mínimos
- Classe C: entre 4 e 10 salários mínimos
O salto de 14,76 pontos percentuais em dois anos representa um avanço estrutural que se destaca no cenário nacional.
A mudança no perfil de renda é mais do que uma estatística. Ela reflete acesso a melhores oportunidades, maior segurança econômica e transformação na qualidade de vida. Para quem estava em situação de vulnerabilidade, esse movimento representa a entrada em uma nova realidade, com mais acesso à educação, saúde, crédito e consumo.
O que me chama atenção é como o fortalecimento da renda pelo trabalho, somado a programas sociais bem articulados, conseguiu romper ciclos históricos de pobreza. Isso mostra que políticas públicas funcionam quando são bem integradas.
Em declaração oficial, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, reforçou o impacto positivo do Bolsa Família e de outros programas:
“A gente vê pessoas que estavam no Cadastro Único, no Bolsa Família, e que agora estão na classe média. Isso mostra que o programa não é só transferência de renda. Ele abre portas para a educação, para o trabalho e para o empreendedorismo.”
A pesquisa também atribui o avanço ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), aos programas de acesso ao crédito e às políticas de qualificação profissional. Esses fatores, combinados, criaram condições para uma ascensão sustentada, especialmente entre os que viviam com rendas muito baixas.
No Brasil, o crescimento também foi expressivo. De acordo com a FGV, 17,4 milhões de pessoas saíram da pobreza entre 2022 e 2024. Isso representa um aumento nacional de 8,44 pontos percentuais no grupo das classes de maior renda.
O Brasil vive um momento raro em que políticas sociais e crescimento da renda do trabalho caminham lado a lado. Mas é preciso cautela. A mobilidade social não é um fim, e sim uma etapa. Ela precisa ser sustentada com educação de qualidade, acesso a serviços públicos e estabilidade econômica.
Na Bahia, esse avanço mostra que ainda há espaço para crescer, especialmente se os investimentos em inclusão forem mantidos e ampliados. O maior desafio agora é evitar que essas conquistas sejam perdidas com instabilidades políticas ou cortes orçamentários.
O dado da FGV é mais do que positivo. Com 65,34 por cento da população nas classes A, B e C, a Bahia vive um momento de transformação. A combinação entre políticas sociais e geração de renda mostra que, quando há foco em dignidade e oportunidade, os resultados aparecem.

















