Nos últimos 12 meses de 2025, o Nordeste criou 347.940 novos postos de trabalho formais, segundo dados oficiais do Caged analisados pelo Banco do Nordeste. O resultado coloca a região como responsável por 27,2% de todo o saldo nacional, mesmo em um cenário de desaceleração no País.

De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Nordeste registrou 3.762.087 admissões e 3.414.147 desligamentos entre janeiro e dezembro de 2025, fechando o ano com saldo positivo de 347.940 vagas formais.
O número representa crescimento de 6,3% em relação ao saldo de 2024. O desempenho regional foi o segundo melhor do Brasil em termos absolutos, atrás apenas do Sudeste, que fechou o ano com 504.972 novos postos, mas com queda de 34,5% na comparação com o ano anterior.
No cenário nacional, o Brasil encerrou 2025 com saldo de 1,27 milhão de empregos formais, uma redução de 23,7% frente a 2024. Ainda assim, todos os estados brasileiros registraram mais admissões do que demissões.
Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, e analisados pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste, o Etene, do Banco do Nordeste.
Para a população, esses números não são apenas estatísticas. Eles significam renda circulando, comércio aquecido e mais estabilidade para milhares de famílias.
O destaque vai para o setor de serviços, que respondeu por 192.807 novas vagas, mais da metade do saldo regional. Entre as atividades que mais contrataram estão informação e comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, com 84.795 vagas; saúde humana, com 34.077; e alojamento e alimentação, com 23.084.
Para mim, o que mais chama atenção é como o setor de serviços, muitas vezes visto como complementar, tem sido o verdadeiro motor da economia regional. São empregos que impactam diretamente o dia a dia da população, do atendimento em restaurantes à expansão de clínicas e escritórios.
Segundo a pesquisadora do Etene, Hellen Cristina Rodrigues Saraiva Leão, o cenário traz um panorama positivo para o Nordeste em contraste com a desaceleração observada em outras regiões.
Ela destaca que, mesmo em um ano em que o Brasil “pisou no freio” na geração de empregos, o Nordeste apresentou ritmo diferenciado de aceleração. O resultado sugere resiliência econômica regional, possivelmente impulsionada por investimentos em infraestrutura, serviços e fortalecimento do mercado interno.
Em Pernambuco, por exemplo, o saldo foi de 72.565 postos de trabalho em 2025, com aumento de 21,4% na comparação com 2024. O estado acompanhou a tendência positiva regional.
Enquanto os números nacionais indicam desaceleração, o Nordeste caminha na contramão. Isso revela algo importante: a economia brasileira não é homogênea.
No chão da cidade, o que importa é a oportunidade concreta de emprego. Quando o setor de serviços cresce, ele movimenta pequenos negócios, estimula o empreendedorismo local e fortalece o consumo interno.
Mas o desafio permanece. Crescer em um cenário nacional de retração exige planejamento, continuidade de investimentos e políticas públicas que consolidem esse avanço. Caso contrário, o ritmo pode não se sustentar nos próximos anos.
O Nordeste encerrou 2025 como protagonista na geração de empregos formais no Brasil, respondendo por 27% do saldo nacional. Mesmo diante de uma desaceleração no País, a região demonstrou fôlego e resiliência.
A pergunta que fica é: esse crescimento é estrutural ou conjuntural? A resposta dependerá das decisões econômicas tomadas agora e da capacidade de transformar números positivos em desenvolvimento duradouro.
Fonte: Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, Ministério do Trabalho e Emprego. Análise do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste, Etene, do Banco do Nordeste.
















