Taxação dos 50 dólares: acordo intermediário deve trazer solução para o impasse

Por Redação Oxarope
27/05/2024

Publicado em -

oXarope2270524noticia2

Segundo especialistas, não taxar produtos importados com valores inferiores a US$ traz prejuízos à indústria nacional. Governo pondera por cobrança ser uma medida impopular

O anúncio do presidente Lula de que pode vetar a taxação federal dos produtos importados inferiores a US$ 50 alegrou clientes que costumam fazer compras em sites estrangeiros — sobretudo chineses. Como é o caso da estudante Renata Araújo, de 26 anos, moradora de Brasília, que todo mês faz uma comprinha online.

“O que eu costumo comprar nos sites chineses são coisas de beleza, como gloss, maquiagem, presilha, ou coisas para casa. A diferença de preço dos produtos chineses para os brasileiros é bem grande e a qualidade, às vezes, é igual a do Brasil, ou até mesmo inferior.” 

A cobrança do imposto de importação desses produtos foi incluída no projeto que institui o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover) que seria votado na última quarta-feira (22), mas foi adiada a pedido do governo. O debate não é novo, começou em 2023, quando o governo se mostrou favorável à taxação dos produtos abaixo de US$ 50 — “o que gerou uma repercussão negativa em relação à imagem do governo junto a segmentos que o apoiam”, explica o cientista político Eduardo Grinn.

Diante disso, o governo recuou, mesmo causando uma disputa interna com o Ministério da Fazenda, que defende a taxação e o consequente aumento da arrecadação.

Hoje o debate está no mesmo pé. 

“O Lira (presidente da Câmara) ouvindo o setor varejista brasileiro que alega que há enormes prejuízos de receita e desemprego, tem buscado atuar no sentido da taxação dessas compras. O Lula, num ano de eleição e tendo em vista a repercussão negativa do ano passado, está com receio. O Haddad, por sua vez, é favorável.” O cientista político avalia que, em meio a essa disputa, tudo indica que deverá se encaminhar para um acordo intermediário. 

Como funciona hoje 

O economista César Bergo explica que hoje, todo produto que chega no país no valor de até US$ 50, não paga impostos. Para ele, um prejuízo para o mercado interno que não consegue ocorrer com o que vem de fora. 

“Isso prejudica a indústria nacional e prejudica o comércio, porque o produto chega sem imposto no Brasil e causa uma concorrência desleal. O contribuinte, por sua vez, gosta, pois paga barato, mas o país acaba tendo um grande prejuízo.” 

O economista ainda avalia que US$ 50 são R$ 250 — e essa não é uma quantia desprezível. Os setores mais afetados — com a indústria têxtil, calçadista — acabam tendo prejuízo grande com a não tributação. 

“A taxação mudaria sim, traria justiça tributária, distribuição às riquezas de forma igualitária e possibilitaria o governo de fazer uma arrecadação.” 

Remessa conforme 

Atualmente, por meio do programa Remessa Conforme, as compras do exterior abaixo de US$ 50 são isentas de impostos federais — e taxadas somente pelo Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) com alíquota de 17%, arrecadado pelos estados. O imposto de importação federal, de 60%, incide somente para remessas provenientes do exterior acima de US$ 50.

Remessa Conforme: Mercado Livre e Shopee aderem ao programa

O economista e professor da FAAP de São Paulo, Sillas Sousa, avalia que o impacto econômico da não taxação desses produtos não é o maior problema para o setor produtivo hoje. “A indústria nacional está sucateada. Ela não recebe investimentos nem dos próprios industriais, nem de incentivos do governo há muito tempo.” Na opinião do especialista, esse setor precisa ser olhado com mais atenção. 

Segundo o professor, falta mobilização também dos industriais e dos empresários do setor que não se movem o suficiente para causar processos inovativos. A culpa vem um pouco dos dois lados”, avalia.

Reportagem: Lívia Braz

1678540344banner-970x90-bello.png

Mais recentes

“ESTA CASA É MINHA” Prefeitura de Porto Seguro entrega mais de 70 títulos no bairro Salvador, em Trancoso

A Prefeitura de Porto Seguro, por meio da Secretaria Municipal da Habitação, entregou 70 títulos de regularização…

Prefeito Robério anuncia chegada da Carreta Oftalmológica do programa Agora Tem Especialistas do Governo Federal em Eunápolis

O Prefeito de Eunápolis, Robério Oliveira, anunciou a chegada da Carreta Oftalmológica do programa federal Agora Tem…

Prevenção: Prefeitura de Eunápolis reforça cuidados no verão e alerta para prevenção da dengue

Com a intensificação do verão, marcado por altas temperaturas e períodos de chuva mais frequentes, a Prefeitura…

Festival de Verão: Amstel promove Momento Amstel com show inédito dos Gilsons em Salvador

O Festival de Verão, um dos principais encontros musicais do Brasil, recebeu na noite de ontem (24)…

Porto Seguro realiza 1ª Feira de Agricultura Familiar e Economia Solidária

Fortalecendo as cadeias produtivas locais e valorizando os pequenos produtores rurais, a Prefeitura de Porto Seguro realizou,…

Taxação dos 50 dólares: acordo intermediário deve trazer solução para o impasse

Por Redação Oxarope
27/05/2024 - 16h35 - Atualizado 27 de maio de 2024

Publicado em -

oXarope2270524noticia2

Segundo especialistas, não taxar produtos importados com valores inferiores a US$ traz prejuízos à indústria nacional. Governo pondera por cobrança ser uma medida impopular

O anúncio do presidente Lula de que pode vetar a taxação federal dos produtos importados inferiores a US$ 50 alegrou clientes que costumam fazer compras em sites estrangeiros — sobretudo chineses. Como é o caso da estudante Renata Araújo, de 26 anos, moradora de Brasília, que todo mês faz uma comprinha online.

“O que eu costumo comprar nos sites chineses são coisas de beleza, como gloss, maquiagem, presilha, ou coisas para casa. A diferença de preço dos produtos chineses para os brasileiros é bem grande e a qualidade, às vezes, é igual a do Brasil, ou até mesmo inferior.” 

A cobrança do imposto de importação desses produtos foi incluída no projeto que institui o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover) que seria votado na última quarta-feira (22), mas foi adiada a pedido do governo. O debate não é novo, começou em 2023, quando o governo se mostrou favorável à taxação dos produtos abaixo de US$ 50 — “o que gerou uma repercussão negativa em relação à imagem do governo junto a segmentos que o apoiam”, explica o cientista político Eduardo Grinn.

Diante disso, o governo recuou, mesmo causando uma disputa interna com o Ministério da Fazenda, que defende a taxação e o consequente aumento da arrecadação.

Hoje o debate está no mesmo pé. 

“O Lira (presidente da Câmara) ouvindo o setor varejista brasileiro que alega que há enormes prejuízos de receita e desemprego, tem buscado atuar no sentido da taxação dessas compras. O Lula, num ano de eleição e tendo em vista a repercussão negativa do ano passado, está com receio. O Haddad, por sua vez, é favorável.” O cientista político avalia que, em meio a essa disputa, tudo indica que deverá se encaminhar para um acordo intermediário. 

Como funciona hoje 

O economista César Bergo explica que hoje, todo produto que chega no país no valor de até US$ 50, não paga impostos. Para ele, um prejuízo para o mercado interno que não consegue ocorrer com o que vem de fora. 

“Isso prejudica a indústria nacional e prejudica o comércio, porque o produto chega sem imposto no Brasil e causa uma concorrência desleal. O contribuinte, por sua vez, gosta, pois paga barato, mas o país acaba tendo um grande prejuízo.” 

O economista ainda avalia que US$ 50 são R$ 250 — e essa não é uma quantia desprezível. Os setores mais afetados — com a indústria têxtil, calçadista — acabam tendo prejuízo grande com a não tributação. 

“A taxação mudaria sim, traria justiça tributária, distribuição às riquezas de forma igualitária e possibilitaria o governo de fazer uma arrecadação.” 

Remessa conforme 

Atualmente, por meio do programa Remessa Conforme, as compras do exterior abaixo de US$ 50 são isentas de impostos federais — e taxadas somente pelo Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) com alíquota de 17%, arrecadado pelos estados. O imposto de importação federal, de 60%, incide somente para remessas provenientes do exterior acima de US$ 50.

Remessa Conforme: Mercado Livre e Shopee aderem ao programa

O economista e professor da FAAP de São Paulo, Sillas Sousa, avalia que o impacto econômico da não taxação desses produtos não é o maior problema para o setor produtivo hoje. “A indústria nacional está sucateada. Ela não recebe investimentos nem dos próprios industriais, nem de incentivos do governo há muito tempo.” Na opinião do especialista, esse setor precisa ser olhado com mais atenção. 

Segundo o professor, falta mobilização também dos industriais e dos empresários do setor que não se movem o suficiente para causar processos inovativos. A culpa vem um pouco dos dois lados”, avalia.

Reportagem: Lívia Braz

1

Mais recentes

“ESTA CASA É MINHA” Prefeitura de Porto Seguro entrega mais de 70 títulos no bairro Salvador, em Trancoso

A Prefeitura de Porto Seguro, por meio da Secretaria Municipal da Habitação, entregou 70 títulos de regularização fundiária a moradores do bairro Salvador, no distrito…

Prefeito Robério anuncia chegada da Carreta Oftalmológica do programa Agora Tem Especialistas do Governo Federal em Eunápolis

O Prefeito de Eunápolis, Robério Oliveira, anunciou a chegada da Carreta Oftalmológica do programa federal Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde. A unidade móvel…

Prevenção: Prefeitura de Eunápolis reforça cuidados no verão e alerta para prevenção da dengue

Com a intensificação do verão, marcado por altas temperaturas e períodos de chuva mais frequentes, a Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de…

Festival de Verão: Amstel promove Momento Amstel com show inédito dos Gilsons em Salvador

O Festival de Verão, um dos principais encontros musicais do Brasil, recebeu na noite de ontem (24) o Momento Amstel com o show inédito da banda os Gilsons,…

Porto Seguro realiza 1ª Feira de Agricultura Familiar e Economia Solidária

Fortalecendo as cadeias produtivas locais e valorizando os pequenos produtores rurais, a Prefeitura de Porto Seguro realizou, por meio da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Abastecimento…

Prouni 2026 oferece 48,7 mil bolsas na Bahia e bate recorde histórico no país

O Programa Universidade para Todos (Prouni) abriu 48.762 bolsas de estudo para a Bahia no primeiro semestre de 2026. As inscrições ocorrem de 26 a…

Porto Seguro começou 2026 acelerando a internacionalização do turismo na FITUR

A missão de Porto Seguro em abrir o ano com investimento forte em promoção e negócios está em execução entre 21 e 25 de janeiro,…

Parada Geral 2026 da Veracel deve gerar cerca de 1.200 empregos temporários e movimentar R$ 8,5 milhões na economia regional

A Parada Geral 2026 da Veracel Celulose, que terá início no dia 26 de janeiro, deve gerar um impacto positivo significativo para a economia do…

Monitores garantem segurança dos pedestres na travessia das faixas

Com o aumento do fluxo de veículos e de pedestres em diversos pontos da cidade, especialmente na Orla Norte, a Prefeitura de Porto Seguro está…

Manutenção das estradas vicinais beneficia comunidade Bom Jesus, próximo a Trancoso

As equipes de manutenção das estradas da Prefeitura de Porto Seguro estão realizando serviços de patrolamento nas estradas vicinais da comunidade Bom Jesus, nas proximidades…

AEPETI Intensifica Ações de Combate ao Trabalho Infantil na Orla Norte de Porto Seguro

Nos dias 22 e 23 de janeiro, a Secretaria Municipal de Assistência Social, por meio da equipe do Programa de Ações Estratégicas de Erradicação do…

Prazo prorrogado para pequenos empreendedores renegociarem dívidas com a União até 30 de janeiro

Microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte têm até o dia 30 de janeiro para renegociar dívidas ativas com a União. A prorrogação…

Prefeitura de Eunápolis realiza reunião para atualização do PAA

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, realizou nesta data uma reunião com a participação de agricultores familiares que já fornecem…

Comissão analisa impactos da Ponte Salvador-Itaparica em reuniões técnicas

A Comissão de Consulta Prévia realizou, nesta quinta-feira (22), reuniões técnicas destinadas à análise dos Estudos de Componente e dos Planos Base Ambientais, no contexto…

Maioria da população da Bahia agora pertence às classes A B e C segundo estudo da FGV

De 2022 a 2024, a Bahia passou de 50,58 por cento para 65,34 por cento de sua população nas classes A, B e C. O…

Rolar para cima