Terras raras o interesse dos EUA no subsolo brasileiro e o preço da nossa soberania

Por Murillo Vazquez
26/07/2025

Publicado em

Noticia oXarope 26072501terrasraras1

A disputa global que passa pelo nosso chão

Quando se fala em terras raras, pouca gente entende de imediato o que está em jogo. Mas a verdade é simples: esses minerais são o novo ouro da era digital. Estão presentes em quase tudo e celulares e carros elétricos a mísseis e satélites. E o Brasil, com a segunda maior reserva do mundo, virou protagonista em uma disputa que tem menos a ver com comércio e mais com poder.

Em meio ao impasse tarifário entre Brasil e Estados Unidos, uma nova frente de interesse norte-americano se abriu: o acesso direto às nossas riquezas minerais. E não é coincidência.

O que os EUA querem?

Representantes do governo americano, como Gabriel Escobar, da embaixada dos EUA no Brasil, têm mantido conversas com o setor mineral brasileiro. O objetivo? Firmar acordos para aquisição de minerais críticos, incluindo terras raras, nióbio e lítio. O mesmo modelo já foi usado com a Ucrânia, onde Washington propôs apoio financeiro em troca de acesso aos minerais estratégicos.

O recado é claro: os Estados Unidos estão preocupados com a dependência da China, que hoje domina a produção e o refino desses minerais. Para mudar esse cenário, veem no Brasil uma oportunidade.

Mas… a que custo?

A reação de Lula e o grito por soberania

Na última quinta-feira (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não economizou palavras:

“Temos todo o nosso petróleo para proteger. Temos todo o nosso ouro para proteger. Temos todos os minerais ricos que vocês querem para proteger. E aqui ninguém põe a mão.”

Essa frase, que circulou amplamente, tem peso político e simbólico. Lula não está apenas rejeitando uma proposta está defendendo a ideia de que o Brasil precisa controlar o seu próprio destino mineral.

Terras raras: raras mesmo?

Apesar do nome, esses elementos não são tão raros quanto parecem. O verdadeiro desafio está em extrair e refinar com eficiência e segurança. Hoje, 70% da produção global vem da China. E mesmo países como os EUA e a União Europeia dependem quase integralmente do refino chinês.

O Brasil tem uma oportunidade única: além da quantidade, possui reservas economicamente viáveis, como as localizadas na Bacia do Parnaíba (MA, PI, CE) e em Minaçu (GO) esta última, inclusive, sendo a única fora da Ásia com produção comercial relevante.

O jogo é maior que minério

O interesse norte-americano nas nossas terras raras não é sobre simples exportação. Trata-se de garantir controle sobre cadeias de produção estratégicas. E nesse jogo, o Brasil pode escolher dois caminhos:

  1. Ser um simples fornecedor de matéria-prima barata.
  2. Ou investir em tecnologia e industrialização própria, garantindo valor agregado e soberania.

A primeira opção nos prende à lógica colonial. A segunda exige coragem, estratégia e investimentos sérios.

Não podemos repetir os erros do passado. O mundo mudou, e os recursos estratégicos do Brasil não podem mais sair a preço de banana enquanto compramos de volta, a preços altíssimos, a tecnologia feita com o que era nosso.

O debate sobre as terras raras é sobre futuro, soberania e autonomia. E se há algo que não podemos terceirizar, é o controle do que é essencial para nossa própria existência tecnológica.

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Por Murillo Vazquez
26/07/2025 - 13h20 - Atualizado 26 de julho de 2025

Publicado em

Noticia oXarope 26072501terrasraras1

A disputa global que passa pelo nosso chão

Quando se fala em terras raras, pouca gente entende de imediato o que está em jogo. Mas a verdade é simples: esses minerais são o novo ouro da era digital. Estão presentes em quase tudo e celulares e carros elétricos a mísseis e satélites. E o Brasil, com a segunda maior reserva do mundo, virou protagonista em uma disputa que tem menos a ver com comércio e mais com poder.

Em meio ao impasse tarifário entre Brasil e Estados Unidos, uma nova frente de interesse norte-americano se abriu: o acesso direto às nossas riquezas minerais. E não é coincidência.

O que os EUA querem?

Representantes do governo americano, como Gabriel Escobar, da embaixada dos EUA no Brasil, têm mantido conversas com o setor mineral brasileiro. O objetivo? Firmar acordos para aquisição de minerais críticos, incluindo terras raras, nióbio e lítio. O mesmo modelo já foi usado com a Ucrânia, onde Washington propôs apoio financeiro em troca de acesso aos minerais estratégicos.

O recado é claro: os Estados Unidos estão preocupados com a dependência da China, que hoje domina a produção e o refino desses minerais. Para mudar esse cenário, veem no Brasil uma oportunidade.

Mas… a que custo?

A reação de Lula e o grito por soberania

Na última quinta-feira (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não economizou palavras:

“Temos todo o nosso petróleo para proteger. Temos todo o nosso ouro para proteger. Temos todos os minerais ricos que vocês querem para proteger. E aqui ninguém põe a mão.”

Essa frase, que circulou amplamente, tem peso político e simbólico. Lula não está apenas rejeitando uma proposta está defendendo a ideia de que o Brasil precisa controlar o seu próprio destino mineral.

Terras raras: raras mesmo?

Apesar do nome, esses elementos não são tão raros quanto parecem. O verdadeiro desafio está em extrair e refinar com eficiência e segurança. Hoje, 70% da produção global vem da China. E mesmo países como os EUA e a União Europeia dependem quase integralmente do refino chinês.

O Brasil tem uma oportunidade única: além da quantidade, possui reservas economicamente viáveis, como as localizadas na Bacia do Parnaíba (MA, PI, CE) e em Minaçu (GO) esta última, inclusive, sendo a única fora da Ásia com produção comercial relevante.

O jogo é maior que minério

O interesse norte-americano nas nossas terras raras não é sobre simples exportação. Trata-se de garantir controle sobre cadeias de produção estratégicas. E nesse jogo, o Brasil pode escolher dois caminhos:

  1. Ser um simples fornecedor de matéria-prima barata.
  2. Ou investir em tecnologia e industrialização própria, garantindo valor agregado e soberania.

A primeira opção nos prende à lógica colonial. A segunda exige coragem, estratégia e investimentos sérios.

Não podemos repetir os erros do passado. O mundo mudou, e os recursos estratégicos do Brasil não podem mais sair a preço de banana enquanto compramos de volta, a preços altíssimos, a tecnologia feita com o que era nosso.

O debate sobre as terras raras é sobre futuro, soberania e autonomia. E se há algo que não podemos terceirizar, é o controle do que é essencial para nossa própria existência tecnológica.

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