Reforma tributária: senador confirma adiamento do relatório para 24 de outubro

Por Marcelo oXarope
14/10/2023

Publicado em

oxarope1noticia-49

Governadores pedem que Conselho Federativo se inspire em Comitê Gestor do Simples Nacional. Senadores ainda precisam definir exceções que receberão tratamento diferenciado, sob o risco de aumentar a alíquota geral do imposto

Relator da reforma tributária no Senado, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) confirmou em entrevista coletiva, nessa terça-feira (10), que vai entregar o relatório à proposta no dia 24 de outubro, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). É a segunda vez que a leitura do parecer é adiada. Inicialmente, estava marcada para a primeira semana de outubro, mas o parlamentar pediu mais tempo para se manifestar sobre o texto, entre outros motivos, devido ao elevado número de emendas sugeridas. O último prazo previsto era o dia 20 deste mês. Até a tarde dessa terça-feira (10), os senadores apresentaram 383 sugestões de emendas  — alterações — ao texto que os deputados aprovaram no início de julho. 

Com isso, o desejo do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), de aprovar a reforma tributária na Casa até o fim de outubro, não vai se concretizar. Segundo Eduardo Braga, o novo cronograma para deliberação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45/2019 ficou assim:

24/10 – Leitura do relatório na CCJ

07/11 – Votação do texto na CCJ

07/11 a 09/11 – Votação da reforma tributária no Plenário do Senado

“Houve uma reunião ontem [segunda-feira] com o presidente do Senado, senador Rodrigo [Pacheco], e com o presidente da CCJ, Davi Alcolumbre, e ficou acertado, então, que a leitura do relatório é dia 24, na CCJ. Isso fará com que, muito provavelmente, a deliberação seja no dia 7, na CCJ e, no Plenário, nos dias 7, 8 e 9”, afirmou o relator. 

Exceções

Braga foi questionado se pretende aumentar o número de bens e serviços que teriam alíquota reduzida ou algum tipo de tratamento especial no texto da reforma. O parlamentar afirmou que isso ainda não foi definido. “Ainda tem um grande exercício pela frente. A gente precisa ter clareza com relação ao custo-benefício de cada um desses regimes de exceção.”

O custo-benefício mencionado pelo congressista amazonense diz respeito a uma escolha que os parlamentares terão que fazer. Se decidirem ampliar o rol de segmentos que pagarão menos impostos, a exemplo de saúde e educação, aqueles que ficarem de fora vão pagar mais, conforme o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou em relatório recente sobre a reforma. Por outro lado, quanto menor o número de exceções, menor será a alíquota de referência que vai incidir sobre a maior parte dos produtos e serviços. 

TCU: reforma tributária será benéfica para todos os setores da economia

Conselho Federativo

Questionado sobre as mudanças que pretende fazer na proposta, Braga comentou sobre o Conselho Federativo, responsável por gerir o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que vai substituir ICMS e ISS, de estados e municípios. 

“Eu acho que deverá ser um órgão bem aos moldes do Simples Nacional. Um comitê gestor e administrador que cumpra uma regra que hoje é denominada de algorítmica. Funciona muito bem no Simples Nacional — e a gente não vê questionamentos. E isso simplifica muito”, disse. 

Para ele, o ideal é que o Conselho Federativo tenha a função técnica de distribuir os recursos arrecadados por meio do IBS e que não tenha poder para legislar no lugar de estados e municípios. O parlamentar acredita que isso seria suficiente para evitar disputas políticas em torno da composição do colegiado. 

Braga disse ainda que acha adequada a composição do conselho aprovada na Câmara. Os deputados decidiram que o colegiado será formado por 54 representantes. Estados e DF terão 27 representantes. Os 5.570 municípios também vão ter 27 representantes. Segundo o texto, as decisões do colegiado só serão aprovadas se houver maioria absoluta dos votos, isto é, ao menos 28, além de terem que representar mais de 60% da população do país.  

Fundo de Desenvolvimento Regional (FDR)

Quanto ao Fundo de Desenvolvimento Regional (FDR), cujo objetivo será diminuir as desigualdades entre os estados, municípios e Distrito Federal, Braga disse que é favorável ao aumento do valor que o governo federal terá que aportar. 

“O FDR passará a ser o grande mecanismo de desenvolvimento econômico das regiões e, ao mesmo tempo, a grande política de redução das desigualdades regionais e econômicas. É claro que ele precisa ser robusto”, disse. 

Segundo o parlamentar, os governadores acham insuficiente o teto de R$ 40 bilhões que a União começaria a pagar em 2032. “Os governadores do Sul falam em R$ 80 bi, os governadores do Norte e Nordeste falam em R$ 75 bi. Até agora não tive nenhuma sinalização do governo federal em torno disso”. 

Reportagem: Felipe Moura

1678540344banner-970x90-bello.png

Mais recentes

Senado aprova lei que protege crianças em ambientes digitais e põe fim à fiança para crimes sexuais contra menores

O Senado aprovou nesta quarta-feira, 27 de agosto de 2025, o PL 2.628/2022, que institui o Estatuto…

Governador Jerônimo recebe prefeito de Salvador para tratar de parcerias e ações conjuntas para a capital

O governador Jerônimo Rodrigues e o prefeito de Salvador, Bruno Reis, sentaram à mesa nesta quarta-feira (27)…

Prefeito de Itabela Ricardo Flauzino

Dívidas judiciais de ex-gestores têm comprometido o orçamento atual da Prefeitura de Itabela

A gestão do prefeito Ricardo Flauzino tem enfrentado um desafio que vai além da rotina administrativa: lidar…

Isenção do IR até R$ 5 mil: “Primeiro passo para um Brasil mais justo”, diz Rui Costa

Em entrevista nesta quarta (27), o ministro Rui Costa defendeu a proposta do Governo Federal que pode…

Governo anuncia compra emergencial de alimentos afetados por tarifas dos EUA

O Governo Federal iniciou a compra de açaí, uva, água de coco, mel, manga, pescados e castanhas…

Reforma tributária: senador confirma adiamento do relatório para 24 de outubro

Por Marcelo oXarope
14/10/2023 - 04h55 - Atualizado 17 de outubro de 2023

Publicado em

oxarope1noticia-49

Governadores pedem que Conselho Federativo se inspire em Comitê Gestor do Simples Nacional. Senadores ainda precisam definir exceções que receberão tratamento diferenciado, sob o risco de aumentar a alíquota geral do imposto

Relator da reforma tributária no Senado, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) confirmou em entrevista coletiva, nessa terça-feira (10), que vai entregar o relatório à proposta no dia 24 de outubro, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). É a segunda vez que a leitura do parecer é adiada. Inicialmente, estava marcada para a primeira semana de outubro, mas o parlamentar pediu mais tempo para se manifestar sobre o texto, entre outros motivos, devido ao elevado número de emendas sugeridas. O último prazo previsto era o dia 20 deste mês. Até a tarde dessa terça-feira (10), os senadores apresentaram 383 sugestões de emendas  — alterações — ao texto que os deputados aprovaram no início de julho. 

Com isso, o desejo do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), de aprovar a reforma tributária na Casa até o fim de outubro, não vai se concretizar. Segundo Eduardo Braga, o novo cronograma para deliberação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45/2019 ficou assim:

24/10 – Leitura do relatório na CCJ

07/11 – Votação do texto na CCJ

07/11 a 09/11 – Votação da reforma tributária no Plenário do Senado

“Houve uma reunião ontem [segunda-feira] com o presidente do Senado, senador Rodrigo [Pacheco], e com o presidente da CCJ, Davi Alcolumbre, e ficou acertado, então, que a leitura do relatório é dia 24, na CCJ. Isso fará com que, muito provavelmente, a deliberação seja no dia 7, na CCJ e, no Plenário, nos dias 7, 8 e 9”, afirmou o relator. 

Exceções

Braga foi questionado se pretende aumentar o número de bens e serviços que teriam alíquota reduzida ou algum tipo de tratamento especial no texto da reforma. O parlamentar afirmou que isso ainda não foi definido. “Ainda tem um grande exercício pela frente. A gente precisa ter clareza com relação ao custo-benefício de cada um desses regimes de exceção.”

O custo-benefício mencionado pelo congressista amazonense diz respeito a uma escolha que os parlamentares terão que fazer. Se decidirem ampliar o rol de segmentos que pagarão menos impostos, a exemplo de saúde e educação, aqueles que ficarem de fora vão pagar mais, conforme o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou em relatório recente sobre a reforma. Por outro lado, quanto menor o número de exceções, menor será a alíquota de referência que vai incidir sobre a maior parte dos produtos e serviços. 

TCU: reforma tributária será benéfica para todos os setores da economia

Conselho Federativo

Questionado sobre as mudanças que pretende fazer na proposta, Braga comentou sobre o Conselho Federativo, responsável por gerir o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que vai substituir ICMS e ISS, de estados e municípios. 

“Eu acho que deverá ser um órgão bem aos moldes do Simples Nacional. Um comitê gestor e administrador que cumpra uma regra que hoje é denominada de algorítmica. Funciona muito bem no Simples Nacional — e a gente não vê questionamentos. E isso simplifica muito”, disse. 

Para ele, o ideal é que o Conselho Federativo tenha a função técnica de distribuir os recursos arrecadados por meio do IBS e que não tenha poder para legislar no lugar de estados e municípios. O parlamentar acredita que isso seria suficiente para evitar disputas políticas em torno da composição do colegiado. 

Braga disse ainda que acha adequada a composição do conselho aprovada na Câmara. Os deputados decidiram que o colegiado será formado por 54 representantes. Estados e DF terão 27 representantes. Os 5.570 municípios também vão ter 27 representantes. Segundo o texto, as decisões do colegiado só serão aprovadas se houver maioria absoluta dos votos, isto é, ao menos 28, além de terem que representar mais de 60% da população do país.  

Fundo de Desenvolvimento Regional (FDR)

Quanto ao Fundo de Desenvolvimento Regional (FDR), cujo objetivo será diminuir as desigualdades entre os estados, municípios e Distrito Federal, Braga disse que é favorável ao aumento do valor que o governo federal terá que aportar. 

“O FDR passará a ser o grande mecanismo de desenvolvimento econômico das regiões e, ao mesmo tempo, a grande política de redução das desigualdades regionais e econômicas. É claro que ele precisa ser robusto”, disse. 

Segundo o parlamentar, os governadores acham insuficiente o teto de R$ 40 bilhões que a União começaria a pagar em 2032. “Os governadores do Sul falam em R$ 80 bi, os governadores do Norte e Nordeste falam em R$ 75 bi. Até agora não tive nenhuma sinalização do governo federal em torno disso”. 

Reportagem: Felipe Moura

1

Mais recentes

Senado aprova lei que protege crianças em ambientes digitais e põe fim à fiança para crimes sexuais contra menores

O Senado aprovou nesta quarta-feira, 27 de agosto de 2025, o PL 2.628/2022, que institui o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, definindo novas…

Governador Jerônimo recebe prefeito de Salvador para tratar de parcerias e ações conjuntas para a capital

O governador Jerônimo Rodrigues e o prefeito de Salvador, Bruno Reis, sentaram à mesa nesta quarta-feira (27) para discutir a gestão na capital. O encontro,…

Prefeito de Itabela Ricardo Flauzino

Dívidas judiciais de ex-gestores têm comprometido o orçamento atual da Prefeitura de Itabela

A gestão do prefeito Ricardo Flauzino tem enfrentado um desafio que vai além da rotina administrativa: lidar com dívidas milionárias herdadas de administrações passadas. Trata-se…

Isenção do IR até R$ 5 mil: “Primeiro passo para um Brasil mais justo”, diz Rui Costa

Em entrevista nesta quarta (27), o ministro Rui Costa defendeu a proposta do Governo Federal que pode isentar até 10 milhões de brasileiros do IR….

Governo anuncia compra emergencial de alimentos afetados por tarifas dos EUA

O Governo Federal iniciou a compra de açaí, uva, água de coco, mel, manga, pescados e castanhas de produtores afetados pelas tarifas impostas pelos Estados…

Governo anuncia pacote de projetos para reforçar segurança no interior e na capital

O governador encaminhou à Assembleia Legislativa um conjunto de quatro projetos de lei voltados para o fortalecimento da segurança pública no estado. Entre as propostas,…

Minha Casa, Minha Vida prevê 21,2 mil novas moradias em 2025: Bahia lidera no Nordeste com quase 2 mil unidades

Mais de 21,2 mil novas moradias populares poderão ser contratadas em 2025 por entidades sem fins lucrativos em todo o Brasil, por meio do Minha…

PF prepara cela especial para eventual prisão de Jair Bolsonaro em Brasília

A Polícia Federal (PF) preparou uma cela especial na Superintendência do Distrito Federal para eventual prisão em regime fechado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente…

Éden assume Comunicação do PT e defende “ousadia para inovar”

O Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) oficializou, em reunião realizada neste sábado (23), em Brasília, a nova composição de sua Executiva Nacional. O…

Alta aprovação: Governo Jerônimo Rodrigues é aprovado por 59% dos eleitores baianos, aponta pesquisa

Divulgada nesta sexta-feira (22), a pesquisa Quaest apontou alta aprovação de 59% dos eleitores baianos ao Governo Jerônimo Rodrigues. O Governo Jerônimo Rodrigues é aprovado…

Eunápolis realiza cerimônia de posse de conselheiro tutelar e suplentes

O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), junto à Prefeitura de Eunápolis, realizou na manhã desta sexta-feira (22), na Casa dos…

Com apoio estratégico de Neto Carletto, Neto Guerrieri articula retorno à política em Eunápolis

O ex-prefeito de Eunápolis, Neto Guerrieri, volta ao jogo político com força renovada e respaldo estratégico do deputado federal Neto Carletto. A pré-candidatura a deputado…

Câmara aprova urgência para isenção de IR até R$ 5 mil e acende alerta fiscal no país

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta (21) a urgência para o projeto que isenta do Imposto de Renda salários de até R$ 5 mil….

Em Salvador, IV Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial debate justiça e reparação histórica

A IV Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial (IV Conepir) foi oficialmente aberta nesta quinta-feira (21), no Hotel Fiesta, em Salvador, reunindo cerca de…

Bahia recebe 54 unidades odontológicas móveis e reforça atendimento em áreas remotas

A Bahia recebeu, nesta quinta-feira (21), 54 Unidades Odontológicas Móveis (UOMs) do Governo Federal, parte do Novo PAC Saúde. O investimento de R$ 20,51 milhões…

Rolar para cima