Abin foi usada para monitorar promotora do caso Marielle, diz PF

Por Marcelo oXarope
26/01/2024

Publicado em -

oXarope1260124
Presidente da Câmara e governador do Ceará também teriam sido alvos

As investigações da Polícia Federal (PF) envolvendo o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) revelam que a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi usada para monitorar a promotora responsável pela investigação do assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, além de outras autoridades. Os crimes teriam ocorrido no durante o governo de Jair Bolsonaro, quando Ramagem foi diretor da Abin. Marielle foi morta em março de 2018.

Mais cedo, a PF realizou buscas e apreensões contra Ramagem e outros investigados. Agentes estiveram no gabinete do parlamentar na Câmara dos Deputados e nas residências dele em Brasília e no Rio de Janeiro. A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das investigações na Corte.

De acordo com a decisão de Moraes que embasou as buscas, Ramagem, policiais e delegados da PF que estavam cedidos para a Abin, além de servidores do órgão, teriam participado de uma organização criminosa para monitorar ilegalmente autoridades públicas. O caso é conhecido como “Abin paralela”.

O monitoramento ilegal ocorria, segundo as investigações, por meio do uso do programa espião First Mile. Produzido por uma empresa israelense de defesa cibernética, o equipamento permite monitorar os passos dos alvos escolhidos por meio da localização do celular. O software foi comprado no governo Michel Temer.

Segundo os investigadores,  foram monitorados a promotora do Ministério Público do Rio de Janeiro Simone Sibilio, que atuou na investigação inicial do caso Marielle, o então presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e Camilo Santana, que era governador do Ceará e é o atual ministro da Educação.

“Em outra oportunidade, novamente, ficou patente a instrumentalização da Abin, para monitoramento da promotora de Justiça do Rio de Janeiro e coordenadora da força-tarefa sobre os homicídios qualificados perpetrados em desfavor da vereadora Marielle Franco e do motorista que a acompanhava, Anderson Gomes”, diz o relatório de investigação.

Ministros do STF

O grupo também teria atuado para difundir informações falsas e vincular os ministros do STF Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes a uma facção criminosa. As suspeitas estão em um arquivo eletrônico apreendido na primeira fase da operação, realizada no ano passado.

“O arquivo ‘prévia Nmni.docx’ mostra a distorção, para fins políticos, da providência, indicando a pretensão última de relacionar a advogada Nicole Fabre e os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital – PCC, alimentando a difusão de fake news contra os magistrados da Suprema Corte”, complementa o relatório.

Interferência

As investigações também indicam que a Abin teria sido usada para interferir em investigações envolvendo os filhos de Bolsonaro, Jair Renan e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).  Ramagem e os outros acusados também teriam atuado para abafar as investigações internas sobre o uso ilegal do órgão.

“A alta gestão interferiu nas apurações disciplinares para que não fosse divulgada a instrumentalização da Abin”, completou o relatório.

Defesa

Pelas redes sociais, Bolsonaro não fez comentários relacionados à operação, mas publicou um vídeo antigo no qual Ramagem informa que o programa espião foi comprado na gestão do presidente Michel Temer.

Valdemar Costa Neto, presidente do PL, classificou a operação de “perseguição” a Bolsonaro.

Em nota, o senador Flávio Bolsonaro negou ter sido favorecido de alguma forma pela Abin.  “Isso é um completo absurdo e mais uma tentativa de criar falsas narrativas para atacar o sobrenome Bolsonaro”, afirmou.

Alexandre Ramagem ainda não se manifestou sobre a operação.

Por André Richter

1678540344banner-970x90-bello.png

Mais recentes

Bahia cria 270 mil empregos formais entre 2023 e 2025 e reforça avanço nacional

A Bahia teve um crescimento expressivo na geração de empregos formais entre janeiro de 2023 e novembro…

Prêmio Banco do Nordeste de Jornalismo 2026 destaca reportagens sobre microcrédito rural e desenvolvimento regional

O Prêmio Banco do Nordeste de Jornalismo chega à edição 2026 valorizando profissionais e estudantes que produzem…

Maior navio da temporada de cruzeiros, MSC Seaview é o primeiro a aportar na Bahia em 2026

Com quase 5 mil passageiros a bordo, o navio de cruzeiro MSC Seaview foi o primeiro a…

Prefeitura de Porto Seguro e APAE definem ações para fortalecer políticas de proteção à infância

A Prefeitura de Porto Seguro, por meio da Secretaria de Assistência Social e da Superintendência de Articulação…

Prefeitura de Eunápolis informa que estão abertas as matrículas da rede municipal ensino para 2026

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Educação (SEDUC), publicou o cronograma oficial de…

Abin foi usada para monitorar promotora do caso Marielle, diz PF

Por Marcelo oXarope
26/01/2024 - 00h05 - Atualizado 30 de janeiro de 2024

Publicado em -

oXarope1260124
Presidente da Câmara e governador do Ceará também teriam sido alvos

As investigações da Polícia Federal (PF) envolvendo o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) revelam que a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi usada para monitorar a promotora responsável pela investigação do assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, além de outras autoridades. Os crimes teriam ocorrido no durante o governo de Jair Bolsonaro, quando Ramagem foi diretor da Abin. Marielle foi morta em março de 2018.

Mais cedo, a PF realizou buscas e apreensões contra Ramagem e outros investigados. Agentes estiveram no gabinete do parlamentar na Câmara dos Deputados e nas residências dele em Brasília e no Rio de Janeiro. A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das investigações na Corte.

De acordo com a decisão de Moraes que embasou as buscas, Ramagem, policiais e delegados da PF que estavam cedidos para a Abin, além de servidores do órgão, teriam participado de uma organização criminosa para monitorar ilegalmente autoridades públicas. O caso é conhecido como “Abin paralela”.

O monitoramento ilegal ocorria, segundo as investigações, por meio do uso do programa espião First Mile. Produzido por uma empresa israelense de defesa cibernética, o equipamento permite monitorar os passos dos alvos escolhidos por meio da localização do celular. O software foi comprado no governo Michel Temer.

Segundo os investigadores,  foram monitorados a promotora do Ministério Público do Rio de Janeiro Simone Sibilio, que atuou na investigação inicial do caso Marielle, o então presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e Camilo Santana, que era governador do Ceará e é o atual ministro da Educação.

“Em outra oportunidade, novamente, ficou patente a instrumentalização da Abin, para monitoramento da promotora de Justiça do Rio de Janeiro e coordenadora da força-tarefa sobre os homicídios qualificados perpetrados em desfavor da vereadora Marielle Franco e do motorista que a acompanhava, Anderson Gomes”, diz o relatório de investigação.

Ministros do STF

O grupo também teria atuado para difundir informações falsas e vincular os ministros do STF Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes a uma facção criminosa. As suspeitas estão em um arquivo eletrônico apreendido na primeira fase da operação, realizada no ano passado.

“O arquivo ‘prévia Nmni.docx’ mostra a distorção, para fins políticos, da providência, indicando a pretensão última de relacionar a advogada Nicole Fabre e os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital – PCC, alimentando a difusão de fake news contra os magistrados da Suprema Corte”, complementa o relatório.

Interferência

As investigações também indicam que a Abin teria sido usada para interferir em investigações envolvendo os filhos de Bolsonaro, Jair Renan e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).  Ramagem e os outros acusados também teriam atuado para abafar as investigações internas sobre o uso ilegal do órgão.

“A alta gestão interferiu nas apurações disciplinares para que não fosse divulgada a instrumentalização da Abin”, completou o relatório.

Defesa

Pelas redes sociais, Bolsonaro não fez comentários relacionados à operação, mas publicou um vídeo antigo no qual Ramagem informa que o programa espião foi comprado na gestão do presidente Michel Temer.

Valdemar Costa Neto, presidente do PL, classificou a operação de “perseguição” a Bolsonaro.

Em nota, o senador Flávio Bolsonaro negou ter sido favorecido de alguma forma pela Abin.  “Isso é um completo absurdo e mais uma tentativa de criar falsas narrativas para atacar o sobrenome Bolsonaro”, afirmou.

Alexandre Ramagem ainda não se manifestou sobre a operação.

Por André Richter

1

Mais recentes

Bahia cria 270 mil empregos formais entre 2023 e 2025 e reforça avanço nacional

A Bahia teve um crescimento expressivo na geração de empregos formais entre janeiro de 2023 e novembro de 2025. Segundo dados do Novo Caged, divulgados…

Prêmio Banco do Nordeste de Jornalismo 2026 destaca reportagens sobre microcrédito rural e desenvolvimento regional

O Prêmio Banco do Nordeste de Jornalismo chega à edição 2026 valorizando profissionais e estudantes que produzem reportagens capazes de mostrar, com profundidade, como o…

Maior navio da temporada de cruzeiros, MSC Seaview é o primeiro a aportar na Bahia em 2026

Com quase 5 mil passageiros a bordo, o navio de cruzeiro MSC Seaview foi o primeiro a aportar em Salvador em 2026, nesta terça-feira (6),…

Prefeitura de Porto Seguro e APAE definem ações para fortalecer políticas de proteção à infância

A Prefeitura de Porto Seguro, por meio da Secretaria de Assistência Social e da Superintendência de Articulação Comunitária, deu um passo importante no planejamento das…

Prefeitura de Eunápolis informa que estão abertas as matrículas da rede municipal ensino para 2026

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Educação (SEDUC), publicou o cronograma oficial de matrículas para o ano letivo de 2026 na…

Já estão abertas as inscrições para o Programa de Estágio 2026 da Veracel

A Veracel, indústria de celulose com operação na região Sul da Bahia, está com inscrições abertas para o seu Programa de Estágio de 2026. Serão 31 vagas…

Assistência Social de Porto Seguro inicia 2026 com reunião de alinhamento e renovação de propósitos

A Secretaria de Assistência Social iniciou as atividades de 2026 com uma reunião geral que reuniu servidores e colaboradores da pasta. O encontro, realizado nesta…

Aniversário de Ronaldo Carletto reuniu principais lideranças políticas da Bahia

Neste domingo, 4, o aniversário de Ronaldo Carletto, uma das maiores lideranças políticas da Bahia, foi celebrado com uma grande confraternização que reuniu prefeitos de diversas…

Por que a maior reserva de petróleo do planeta virou um problema para a Venezuela

A Venezuela possui uma das maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, estimadas em mais de 300 bilhões de barris. Durante décadas, essa riqueza financiou…

Porto Seguro atua com responsabilidade e humanidade no enfrentamento da vulnerabilidade social

A Prefeitura de Porto Seguro, por meio da Secretaria de Assistência Social, tem intensificado as ações de acolhimento e proteção às pessoas em situação de…

Prefeitura intensifica manutenção das estradas do Litoral Sul para garantir mobilidade e segurança na alta temporada

Com o aumento expressivo do fluxo de veículos durante a alta temporada, a Prefeitura de Porto Seguro tem intensificado os trabalhos de manutenção e recuperação…

Governo Federal renova parceria com a Rede Sarah e amplia acesso a serviços especializados pelo SUS

Mais de 2 milhões de pessoas devem ser beneficiadas com atendimentos em reabilitação e alta complexidade em 2026. Acordo garante continuidade dos atendimentos gratuitos e…

Garis da Secretaria de Serviços Públicos garantem limpeza de Porto Seguro após as comemorações do Réveillon

Após a intensa programação de Réveillon, que reuniu milhares de moradores e turistas, o primeiro dia de 2026 começou com muito trabalho para as equipes…

Turistas curtem primeiro anoitecer de 2026 em show gratuito de Daniela Mercury, no Farol da Barra

“Começar o ano na Bahia é a realização de um sonho. Quando fiquei sabendo que ia ter o Pôr do Som, reprogramei todo o meu…

Chiclete com Banana comanda a virada e leva multidão à Passarela da Cultura em Porto Seguro

Porto Seguro recebeu 2026 em clima de grande evento urbano. Uma multidão ocupou o circuito e o largo de eventos da Passarela da Cultura para…

Rolar para cima