Dados do TCE e expansão da rede estadual contrariam discurso de ACM Neto sobre regulação na Bahia

Por Redação Oxarope
06/12/2025

Publicado em

oXarope noticia 051225001 GOVBA2

Dados oficiais da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) e trechos de decisões do Tribunal de Contas do Estado (TCE) contrariam o discurso do ex-prefeito de Salvador ACM Neto sobre um suposto colapso da regulação no estado.

Fotos ilustrativas – Crédito: Léo Rattes

Somente em 2025, a Central Estadual de Regulação (CER) solucionou mais de 300 mil casos oriundos de unidades de saúde dos 417 municípios baianos. A central funciona 24 horas por dia, com cerca de 220 médicos e equipes multiprofissionais. Segundo a Sesab, em 50% das solicitações a resposta ocorre em até 24 horas e em 80% dos casos em até 72 horas.

No mesmo período, a rede própria do estado passou por uma expansão que não aparece nas críticas da oposição. A Bahia tem hoje 56 hospitais estaduais em funcionamento. Doze foram abertos nos últimos anos. A estadualização do hospital de Caetité está concluída e a inauguração está prevista para 20 de dezembro. É a maior rede hospitalar estadual do país, atrás apenas de São Paulo.

Desde 2023 foram incorporados mais de 3,5 mil leitos e implantadas 26 Policlínicas Regionais de Saúde, que somam mais de 8 milhões de atendimentos em consultas especializadas e exames de alta complexidade.

Entre 2023 e 2025 os investimentos em saúde somam R$ 34,1 bilhões, incluindo obras, equipamentos, veículos, novos serviços e recursos humanos.

O relatório do TCE usado por ACM Neto não descreve um cenário de colapso. O conselheiro Inaldo da Paixão Santos Araújo registrou que o sistema baiano “tem mostrado capacidade para organizar e coordenar os serviços, garantindo o acesso da população a tratamentos essenciais”.

O monitoramento de 2024, apreciado em outubro de 2025, já considera a rede ampliada e menciona a consolidação da central de regulação e a expansão da oferta hospitalar sob gestão do estado. O TCE não propõe mudança de modelo. A posição é de manter a regulação como eixo do acesso à média e alta complexidade.

Em voto complementar, o conselheiro Gildásio Penedo Filho afirmou que “esse Sistema de Regulação da Saúde é absolutamente importante” e que ele atende a uma inovação implantada nos últimos anos pelo governo baiano, com foco em impessoalidade, igualdade e equidade. O conselheiro ressaltou que há uma central instalada na Secretaria da Saúde que funciona em tempo integral com médicos e servidores, operando lista única de pacientes, sem favorecimentos e com remanejamento pautado na gravidade dos casos e na disponibilidade de leitos.

Uma das dificuldades na regulação são associadas ao desempenho desigual da atenção básica, em especial na Região Metropolitana e em Salvador, que concentra a maior demanda por hospitalização da Bahia. Consultas, exames e cirurgias ambulatoriais são atribuição da rede municipal. Quando essa porta de entrada não funciona, o paciente tende a agravar e a procurar UPAs e hospitais, aumentando a pressão sobre o sistema regulado.

Em Salvador, os indicadores expõem essa fragilidade. A cobertura de equipes de Saúde da Família não atinge o mínimo de 70% recomendado pelo Ministério da Saúde. A cobertura de Agentes Comunitários de Saúde é de 29,57% e a de Saúde Bucal é de 41,50%. Cerca de 70% das gestantes não completam seis consultas de pré-natal. As coberturas vacinais infantis ficam abaixo da média da Bahia em diversas vacinas de rotina.

Na rede hospitalar municipal, o contraste é ainda maior. Em treze anos de gestão do grupo político de ACM Neto, Salvador não inaugurou maternidade municipal. A capital é hoje a única do país sem maternidade administrada pela prefeitura. Todas as maternidades que atendem moradoras da cidade pertencem à rede estadual ou federal.

A prefeitura administra duas unidades de porta fechada, o Hospital do Homem e o Hospital Municipal, enquanto a população depende de UPAs superlotadas e de leitos em hospitais estaduais para internação.

A estrutura que sustenta a assistência na capital é majoritariamente estadual. São 39 unidades do Governo do Estado em Salvador, entre hospitais, maternidades, UPAs e centros de referência.

Entre 2023 e 2025, os investimentos em obras e modernização na capital somam mais de R$ 585 milhões. Outras intervenções, que totalizam R$ 211 milhões, estão em andamento, incluindo ampliação do HGE, reforma do Cican e novos leitos de UTI nas Obras Sociais Irmã Dulce.

O quadro financeiro também é usado pelo governo como argumento. Salvador recebe cerca de R$ 722 milhões por ano do Ministério da Saúde para manter a rede municipal. O Governo da Bahia recebe R$ 941 milhões para sustentar a rede estadual. Com esse valor, o estado mantém hospitais, maternidades, centros de referência e policlínicas em todo o território, enquanto a prefeitura administra apenas duas unidades hospitalares. Segundo dados oficiais, mais de 80% das transferências das UPAs municipais de Salvador terminam em hospitais estaduais.

Mais recentes

Brasil anuncia criação de consulado honorário em Belmonte – Portugal

O governo brasileiro anunciou a criação de um consulado honorário do país em Belmonte, Centro de Portugal….

Lei Orçamentária/2027 é discutida em audiência pública na Câmara de Eunápolis

A Câmara de Vereadores de Eunápolis cedeu seu espaço e estrutura para recepcionar uma audiência pública convocada…

Mendonça tem 72 horas para responder a Fachin sobre afastamento de Andrei

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, deu 72 horas para que o ministro André Mendonça…

Aprovação de Jerônimo chega a 61% em Feira e supera 50% em cidades governadas pela oposição

A aprovação do governador Jerônimo Rodrigues chegou a 61% entre os entrevistados no recorte de Feira de…

Jerônimo afirma que fim da escala 6×1 é avanço para o país: “Brasil não pode andar para trás”

Governador apoiou a redução da jornada semanal sem diminuição salarial durante encontro com movimentos sociais e sindicais…

Dados do TCE e expansão da rede estadual contrariam discurso de ACM Neto sobre regulação na Bahia

Por Redação Oxarope
06/12/2025 - 08h00 - Atualizado 7 de dezembro de 2025

Publicado em

oXarope noticia 051225001 GOVBA2

Dados oficiais da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) e trechos de decisões do Tribunal de Contas do Estado (TCE) contrariam o discurso do ex-prefeito de Salvador ACM Neto sobre um suposto colapso da regulação no estado.

Fotos ilustrativas – Crédito: Léo Rattes

Somente em 2025, a Central Estadual de Regulação (CER) solucionou mais de 300 mil casos oriundos de unidades de saúde dos 417 municípios baianos. A central funciona 24 horas por dia, com cerca de 220 médicos e equipes multiprofissionais. Segundo a Sesab, em 50% das solicitações a resposta ocorre em até 24 horas e em 80% dos casos em até 72 horas.

No mesmo período, a rede própria do estado passou por uma expansão que não aparece nas críticas da oposição. A Bahia tem hoje 56 hospitais estaduais em funcionamento. Doze foram abertos nos últimos anos. A estadualização do hospital de Caetité está concluída e a inauguração está prevista para 20 de dezembro. É a maior rede hospitalar estadual do país, atrás apenas de São Paulo.

Desde 2023 foram incorporados mais de 3,5 mil leitos e implantadas 26 Policlínicas Regionais de Saúde, que somam mais de 8 milhões de atendimentos em consultas especializadas e exames de alta complexidade.

Entre 2023 e 2025 os investimentos em saúde somam R$ 34,1 bilhões, incluindo obras, equipamentos, veículos, novos serviços e recursos humanos.

O relatório do TCE usado por ACM Neto não descreve um cenário de colapso. O conselheiro Inaldo da Paixão Santos Araújo registrou que o sistema baiano “tem mostrado capacidade para organizar e coordenar os serviços, garantindo o acesso da população a tratamentos essenciais”.

O monitoramento de 2024, apreciado em outubro de 2025, já considera a rede ampliada e menciona a consolidação da central de regulação e a expansão da oferta hospitalar sob gestão do estado. O TCE não propõe mudança de modelo. A posição é de manter a regulação como eixo do acesso à média e alta complexidade.

Em voto complementar, o conselheiro Gildásio Penedo Filho afirmou que “esse Sistema de Regulação da Saúde é absolutamente importante” e que ele atende a uma inovação implantada nos últimos anos pelo governo baiano, com foco em impessoalidade, igualdade e equidade. O conselheiro ressaltou que há uma central instalada na Secretaria da Saúde que funciona em tempo integral com médicos e servidores, operando lista única de pacientes, sem favorecimentos e com remanejamento pautado na gravidade dos casos e na disponibilidade de leitos.

Uma das dificuldades na regulação são associadas ao desempenho desigual da atenção básica, em especial na Região Metropolitana e em Salvador, que concentra a maior demanda por hospitalização da Bahia. Consultas, exames e cirurgias ambulatoriais são atribuição da rede municipal. Quando essa porta de entrada não funciona, o paciente tende a agravar e a procurar UPAs e hospitais, aumentando a pressão sobre o sistema regulado.

Em Salvador, os indicadores expõem essa fragilidade. A cobertura de equipes de Saúde da Família não atinge o mínimo de 70% recomendado pelo Ministério da Saúde. A cobertura de Agentes Comunitários de Saúde é de 29,57% e a de Saúde Bucal é de 41,50%. Cerca de 70% das gestantes não completam seis consultas de pré-natal. As coberturas vacinais infantis ficam abaixo da média da Bahia em diversas vacinas de rotina.

Na rede hospitalar municipal, o contraste é ainda maior. Em treze anos de gestão do grupo político de ACM Neto, Salvador não inaugurou maternidade municipal. A capital é hoje a única do país sem maternidade administrada pela prefeitura. Todas as maternidades que atendem moradoras da cidade pertencem à rede estadual ou federal.

A prefeitura administra duas unidades de porta fechada, o Hospital do Homem e o Hospital Municipal, enquanto a população depende de UPAs superlotadas e de leitos em hospitais estaduais para internação.

A estrutura que sustenta a assistência na capital é majoritariamente estadual. São 39 unidades do Governo do Estado em Salvador, entre hospitais, maternidades, UPAs e centros de referência.

Entre 2023 e 2025, os investimentos em obras e modernização na capital somam mais de R$ 585 milhões. Outras intervenções, que totalizam R$ 211 milhões, estão em andamento, incluindo ampliação do HGE, reforma do Cican e novos leitos de UTI nas Obras Sociais Irmã Dulce.

O quadro financeiro também é usado pelo governo como argumento. Salvador recebe cerca de R$ 722 milhões por ano do Ministério da Saúde para manter a rede municipal. O Governo da Bahia recebe R$ 941 milhões para sustentar a rede estadual. Com esse valor, o estado mantém hospitais, maternidades, centros de referência e policlínicas em todo o território, enquanto a prefeitura administra apenas duas unidades hospitalares. Segundo dados oficiais, mais de 80% das transferências das UPAs municipais de Salvador terminam em hospitais estaduais.

Mais recentes

Brasil anuncia criação de consulado honorário em Belmonte – Portugal

O governo brasileiro anunciou a criação de um consulado honorário do país em Belmonte, Centro de Portugal. A representação consular, que está subordinada ao Consulado-Geral…

Lei Orçamentária/2027 é discutida em audiência pública na Câmara de Eunápolis

A Câmara de Vereadores de Eunápolis cedeu seu espaço e estrutura para recepcionar uma audiência pública convocada pela Prefeitura local, por meio da Secretaria da…

Mendonça tem 72 horas para responder a Fachin sobre afastamento de Andrei

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, deu 72 horas para que o ministro André Mendonça se manifeste sobre o pedido da Advocacia-Geral da…

Aprovação de Jerônimo chega a 61% em Feira e supera 50% em cidades governadas pela oposição

A aprovação do governador Jerônimo Rodrigues chegou a 61% entre os entrevistados no recorte de Feira de Santana da pesquisa AtlasIntel/A TARDE, divulgada na quinta-feira,…

Jerônimo afirma que fim da escala 6×1 é avanço para o país: “Brasil não pode andar para trás”

Governador apoiou a redução da jornada semanal sem diminuição salarial durante encontro com movimentos sociais e sindicais em Salvador O governador da Bahia e candidato…

Câmara de Eunápolis suspende sessão após falecimento do vereador Aderbal Costa Dias

A Câmara Municipal de Eunápolis informou que não realizará a sessão ordinária prevista para esta quinta-feira, 3 de setembro. A suspensão ocorre em respeito ao…

Câmara de Vereadores de Cabrália entrega título de cidadão ao prefeito de Porto Seguro, Jânio Natal

A Câmara de Vereadores de Santa Cruz Cabrália entregou, na noite desta terça-feira, 1º de setembro, o título de Cidadão Cabraliense ao prefeito de Porto…

Justiça Eleitoral proíbe material que associa ACM Neto a Lula

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) proibiu nesta terça-feira (1º) que gráficas produzam qualquer material impresso que coloque o candidato ao governo ACM Neto…

TRE-BA lança portal com serviços para as Eleições Gerais 2026

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) lançou nesta terça-feira, 1º de setembro, o portal oficial das Eleições Gerais 2026. O espaço concentra serviços e…

Jerônimo investiu em Salvador mais que ACM e Bruno juntos

[14:42, 01/09/2026] +55 71 9977-8353: Salvador recebeu mais de R$ 11,3 bilhões em investimentos destinados pelo Governo do Estado durante a gestão de Jerônimo Rodrigues,…

Crédito para bicicletas elétricas, fim da taxa das blusinhas e da escala 6×1 e PEC da Segurança Pública estão na pauta do Congresso

Uma linha de crédito para entregadores comprarem motos e bicicletas elétricas está entre as principais propostas que podem ser votadas pelo Congresso Nacional nesta semana….

Eleições 2026 terão regras específicas no dia da votação

Os brasileiros irão às urnas no dia 4 de outubro para escolher presidente da República, governadores, senadores e deputados federais, estaduais ou distritais. Caso seja…

Ivoneide Caetano repudia uso de modelos seminuas em caminhada de ACM Neto: “Mulher não é estratégia eleitoral”

A deputada federal Ivoneide Caetano (PT-BA) criticou duramente a utilização de modelos seminuas em cima de um carro de som durante uma caminhada política da…

Prefeitura de Eunápolis promove, nesta quinta-feira(3) Audiência Pública para definir prioridades do Orçamento Participativo 2027

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal da Fazenda, realiza na quinta-feira, dia 3 de setembro, a partir das 8h30, no Auditório Térreo…

Rolar para cima