Nos últimos dias, o Brasil deu um passo histórico no combate ao HIV. A Anvisa aprovou o Sunlenca, um medicamento que promete facilitar a prevenção com uma única aplicação a cada seis meses e a expectativa é que ele chegue ao SUS em breve.

O Sunlenca (lenacapavir) foi aprovado pela Anvisa no dia 12 de janeiro de 2026 como nova opção de profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV-1. Desenvolvido para impedir a replicação do vírus, o medicamento poderá ser administrado em comprimido oral no início do tratamento e, posteriormente, por injeção subcutânea semestral.
Indicado para adultos e adolescentes a partir dos 12 anos e com no mínimo 35 kg, o medicamento exige testagem negativa para HIV antes do início do uso. Em 2025, o Brasil já havia alcançado outro marco: a eliminação da transmissão vertical do HIV, de mãe para bebê.
A principal inovação do Sunlenca está na forma de uso: uma única injeção a cada seis meses, o que aumenta consideravelmente a adesão ao tratamento e reduz falhas associadas à PrEP oral diária. Os dados são impressionantes: 100% de eficácia em mulheres cisgênero e 89% superior à PrEP tradicional.
Para mim, o que mais chama atenção é como a ciência está criando alternativas mais acessíveis para pessoas que vivem sob risco constante de infecção. Uma aplicação a cada seis meses pode ser a diferença entre proteção real e abandono do tratamento.
A OMS já recomendou o lenacapavir como a melhor opção de PrEP depois da vacina e o Brasil pode se tornar referência com essa nova ferramenta.
No entanto, a distribuição ainda não é imediata. O preço do medicamento precisa ser definido pela CMED, e a incorporação ao SUS depende de avaliação da Conitec e do Ministério da Saúde.
“Essa inovação pode facilitar muito a adesão, especialmente entre populações vulneráveis”, afirmou uma fonte técnica do Ministério da Saúde.
Enquanto celebramos os avanços científicos, não podemos esquecer da ponta: quem precisa do medicamento pode ainda ter que esperar. A burocracia e a definição de preços não podem atrasar o acesso a uma solução tão promissora.
O Brasil provou, ao eliminar a transmissão vertical, que é possível enfrentar o HIV com políticas públicas sérias. Agora, cabe ao governo acelerar os trâmites para que o Sunlenca chegue a quem mais precisa antes que seja tarde.
Com eficácia comprovada e aplicação facilitada, o Sunlenca representa uma nova era na prevenção do HIV. O desafio agora é garantir que a inovação não fique restrita a quem pode pagar.

















