STF autoriza dupla responsabilização por “caixa dois” e improbidade administrativa

Por Murillo Vazquez
12/02/2026

Publicado em

Noticia Oxarope 120226001urna

STF autoriza dupla responsabilização por “caixa dois” e improbidade administrativa; decisão unânime reafirma a independência entre as instâncias e impacta casos semelhantes no país.

Nos últimos dias, o Supremo Tribunal Federal decidiu que agentes públicos podem responder ao mesmo tempo por crime eleitoral de “caixa dois” e por improbidade administrativa. A decisão, unânime, foi tomada em sessão virtual encerrada em 6 de fevereiro e passa a valer para casos semelhantes em todo o país. O entendimento reforça a independência entre as esferas penal, civil e administrativa.

A decisão foi proferida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário com Agravo ARE 1428742, com repercussão geral reconhecida no Tema 1.260. O relator foi o ministro Alexandre de Moraes, cujo voto foi acompanhado por unanimidade pelos demais ministros.

O caso concreto envolve um vereador da cidade de São Paulo investigado por supostamente receber R$ 20 mil em doações não declaradas, o chamado “caixa dois”, durante a campanha eleitoral de 2012. No curso da apuração, houve quebra de sigilo bancário e fiscal determinada pela Justiça estadual a pedido do Ministério Público.
O Tribunal de Justiça de São Paulo rejeitou pedido da defesa para que o processo fosse remetido à Justiça Eleitoral. O entendimento foi de que a investigação tratava de possível ato de improbidade administrativa, cuja competência é da Justiça comum estadual.

Ao recorrer ao STF, a defesa alegou que, por se tratar de doação eleitoral não contabilizada, o caso deveria tramitar exclusivamente na Justiça Eleitoral.

O ponto central da controvérsia era saber se a responsabilização simultânea configuraria “bis in idem”, ou seja, dupla punição pelo mesmo fato. Para o Supremo, não.

Segundo o voto do relator, a Constituição Federal assegura a independência entre as instâncias civil, penal e administrativa. Assim, um mesmo fato pode gerar consequências distintas em cada esfera, desde que respeitadas suas naturezas próprias.

No caso do “caixa dois”, o crime eleitoral pode ser julgado pela Justiça Eleitoral, enquanto a improbidade administrativa, de natureza civil, deve ser analisada pela Justiça comum. Para mim, o que mais chama atenção é como uma discussão técnica sobre competência judicial impacta diretamente a responsabilização de agentes públicos e a confiança da população nas instituições.

Ao fixar tese de repercussão geral, o STF estabeleceu três pontos principais:

1. É possível a dupla responsabilização por crime eleitoral de “caixa dois”, previsto no artigo 350 do Código Eleitoral, e por ato de improbidade administrativa, conforme a Lei 8.429/1992.

2. Caso a Justiça Eleitoral reconheça a inexistência do fato ou a negativa de autoria, essa decisão repercute na esfera administrativa, impedindo a responsabilização por improbidade com base nos mesmos fatos.

3. Compete à Justiça comum processar e julgar a ação de improbidade, mesmo quando o ato também configure crime eleitoral.

A única exceção à autonomia das instâncias ocorre justamente quando houver absolvição penal por inexistência do fato ou negativa de autoria. Nesses casos, a decisão vincula as demais esferas.

A decisão do STF sinaliza um endurecimento institucional no combate a irregularidades eleitorais praticadas por agentes públicos. Ao permitir a responsabilização em mais de uma esfera, o Supremo reforça a ideia de que a função pública exige padrões mais elevados de transparência e legalidade.

Enquanto os tribunais discutem conceitos como independência de instâncias e repercussão geral, no cotidiano o que está em jogo é a credibilidade do processo eleitoral e a integridade do uso de recursos públicos. A população não separa “instância penal” de “instância civil”. Ela quer saber se haverá consequência para quem burla as regras.
O entendimento unânime também evita brechas jurídicas que poderiam ser usadas para esvaziar a Lei de Improbidade Administrativa, especialmente em casos que envolvem financiamento irregular de campanhas.
Ao autorizar a dupla responsabilização por “caixa dois” e improbidade administrativa, o STF reafirma a autonomia entre as esferas de julgamento e fortalece o arcabouço de controle sobre agentes públicos. A tese fixada servirá de parâmetro para tribunais de todo o país.

Mais do que uma discussão processual, trata-se de um recado institucional: irregularidades eleitorais podem ter desdobramentos amplos e atingir diferentes campos da responsabilização jurídica. Resta agora acompanhar como os tribunais aplicarão esse entendimento nos próximos casos.

1678540344banner-970x90-bello.png

Mais recentes

STF autoriza dupla responsabilização por “caixa dois” e improbidade administrativa

STF autoriza dupla responsabilização por “caixa dois” e improbidade administrativa; decisão unânime reafirma a independência entre as…

Escala 6×1 entra no centro do debate após estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada sobre jornada de 40 horas

Nos últimos dias, a escala 6×1 voltou ao centro das discussões nacionais após uma nota técnica do…

Deputada Cláudia Oliveira indica implantação do SAC no distrito de Trancoso

A deputada estadual Cláudia Oliveira apresentou, na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), uma indicação ao governador Jerônimo…

Prefeitura de Eunápolis convoca moradores do Nacional, Vila Olímpica, Alecrim I e II para retirada de documentação da REURB-S

A Prefeitura de Eunápolis informa aos moradores dos bairros Nacional, Thiago de Mello I, Thiago de Mello…

Deputada Cláudia Oliveira recebe ambulância e equipamentos para reforçar a saúde de Eunápolis

Nesta sexta-feira (06), o município de Eunápolis foi contemplado com importantes investimentos na área da saúde durante…

STF autoriza dupla responsabilização por “caixa dois” e improbidade administrativa

Por Murillo Vazquez
12/02/2026 - 08h12 - Atualizado 12 de fevereiro de 2026

Publicado em

Noticia Oxarope 120226001urna

STF autoriza dupla responsabilização por “caixa dois” e improbidade administrativa; decisão unânime reafirma a independência entre as instâncias e impacta casos semelhantes no país.

Nos últimos dias, o Supremo Tribunal Federal decidiu que agentes públicos podem responder ao mesmo tempo por crime eleitoral de “caixa dois” e por improbidade administrativa. A decisão, unânime, foi tomada em sessão virtual encerrada em 6 de fevereiro e passa a valer para casos semelhantes em todo o país. O entendimento reforça a independência entre as esferas penal, civil e administrativa.

A decisão foi proferida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário com Agravo ARE 1428742, com repercussão geral reconhecida no Tema 1.260. O relator foi o ministro Alexandre de Moraes, cujo voto foi acompanhado por unanimidade pelos demais ministros.

O caso concreto envolve um vereador da cidade de São Paulo investigado por supostamente receber R$ 20 mil em doações não declaradas, o chamado “caixa dois”, durante a campanha eleitoral de 2012. No curso da apuração, houve quebra de sigilo bancário e fiscal determinada pela Justiça estadual a pedido do Ministério Público.
O Tribunal de Justiça de São Paulo rejeitou pedido da defesa para que o processo fosse remetido à Justiça Eleitoral. O entendimento foi de que a investigação tratava de possível ato de improbidade administrativa, cuja competência é da Justiça comum estadual.

Ao recorrer ao STF, a defesa alegou que, por se tratar de doação eleitoral não contabilizada, o caso deveria tramitar exclusivamente na Justiça Eleitoral.

O ponto central da controvérsia era saber se a responsabilização simultânea configuraria “bis in idem”, ou seja, dupla punição pelo mesmo fato. Para o Supremo, não.

Segundo o voto do relator, a Constituição Federal assegura a independência entre as instâncias civil, penal e administrativa. Assim, um mesmo fato pode gerar consequências distintas em cada esfera, desde que respeitadas suas naturezas próprias.

No caso do “caixa dois”, o crime eleitoral pode ser julgado pela Justiça Eleitoral, enquanto a improbidade administrativa, de natureza civil, deve ser analisada pela Justiça comum. Para mim, o que mais chama atenção é como uma discussão técnica sobre competência judicial impacta diretamente a responsabilização de agentes públicos e a confiança da população nas instituições.

Ao fixar tese de repercussão geral, o STF estabeleceu três pontos principais:

1. É possível a dupla responsabilização por crime eleitoral de “caixa dois”, previsto no artigo 350 do Código Eleitoral, e por ato de improbidade administrativa, conforme a Lei 8.429/1992.

2. Caso a Justiça Eleitoral reconheça a inexistência do fato ou a negativa de autoria, essa decisão repercute na esfera administrativa, impedindo a responsabilização por improbidade com base nos mesmos fatos.

3. Compete à Justiça comum processar e julgar a ação de improbidade, mesmo quando o ato também configure crime eleitoral.

A única exceção à autonomia das instâncias ocorre justamente quando houver absolvição penal por inexistência do fato ou negativa de autoria. Nesses casos, a decisão vincula as demais esferas.

A decisão do STF sinaliza um endurecimento institucional no combate a irregularidades eleitorais praticadas por agentes públicos. Ao permitir a responsabilização em mais de uma esfera, o Supremo reforça a ideia de que a função pública exige padrões mais elevados de transparência e legalidade.

Enquanto os tribunais discutem conceitos como independência de instâncias e repercussão geral, no cotidiano o que está em jogo é a credibilidade do processo eleitoral e a integridade do uso de recursos públicos. A população não separa “instância penal” de “instância civil”. Ela quer saber se haverá consequência para quem burla as regras.
O entendimento unânime também evita brechas jurídicas que poderiam ser usadas para esvaziar a Lei de Improbidade Administrativa, especialmente em casos que envolvem financiamento irregular de campanhas.
Ao autorizar a dupla responsabilização por “caixa dois” e improbidade administrativa, o STF reafirma a autonomia entre as esferas de julgamento e fortalece o arcabouço de controle sobre agentes públicos. A tese fixada servirá de parâmetro para tribunais de todo o país.

Mais do que uma discussão processual, trata-se de um recado institucional: irregularidades eleitorais podem ter desdobramentos amplos e atingir diferentes campos da responsabilização jurídica. Resta agora acompanhar como os tribunais aplicarão esse entendimento nos próximos casos.

1

Mais recentes

STF autoriza dupla responsabilização por “caixa dois” e improbidade administrativa

STF autoriza dupla responsabilização por “caixa dois” e improbidade administrativa; decisão unânime reafirma a independência entre as instâncias e impacta casos semelhantes no país. Nos…

Escala 6×1 entra no centro do debate após estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada sobre jornada de 40 horas

Nos últimos dias, a escala 6×1 voltou ao centro das discussões nacionais após uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada indicar que a…

Deputada Cláudia Oliveira indica implantação do SAC no distrito de Trancoso

A deputada estadual Cláudia Oliveira apresentou, na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), uma indicação ao governador Jerônimo Rodrigues solicitando a implantação de uma unidade do…

Prefeitura de Eunápolis convoca moradores do Nacional, Vila Olímpica, Alecrim I e II para retirada de documentação da REURB-S

A Prefeitura de Eunápolis informa aos moradores dos bairros Nacional, Thiago de Mello I, Thiago de Mello II e Vila Olímpica que já realizaram o…

Deputada Cláudia Oliveira recebe ambulância e equipamentos para reforçar a saúde de Eunápolis

Nesta sexta-feira (06), o município de Eunápolis foi contemplado com importantes investimentos na área da saúde durante a entrega de equipamentos realizada pelo Governo Federal…

“Estamos pensando naqueles que nunca tiveram oportunidade”, diz Lula sobre Novo PAC Saúde na Bahia

Nesta sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, em Salvador, da cerimônia que marcou o anúncio de novos…

Lula destaca avanço da saúde na Bahia, recorde histórico de cirurgias no SUS e defende reestruturação da segurança pública

Em entrevista concedida nesta sexta-feira, 6 de fevereiro, em Salvador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou dados inéditos da saúde pública, defendeu mudanças…

Cadastro eleitoral entra na reta final e prazo para regularização termina em três meses

Faltam três meses para o fechamento do cadastro eleitoral e eleitoras e eleitores têm até o dia 6 de maio para regularizar a situação junto…

Neto Carletto vota sim ao Gás do Povo e reforça compromisso com as famílias de baixa renda

A Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória que cria o programa Gás do Povo, iniciativa que deve beneficiar cerca de 15 milhões de brasileiros…

Deputada Cláudia Oliveira cobra ação do poder público e propõe política nacional de proteção animal

A deputada estadual Cláudia Oliveira (PSD), reconhecida por sua atuação permanente em defesa da causa animal, voltou a cobrar uma postura mais firme do poder…

Lula entrega ambulâncias do SAMU e reforça saúde pública com Novo PAC na Bahia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta sexta-feira, 6 de fevereiro, em Salvador, da cerimônia de entrega de ambulâncias do SAMU e equipamentos…

MPE pede cassação do vereador Josemar da Saúde e da chapa do DC por fraude à cota de gênero em Eunápolis

O Ministério Público Eleitoral da Bahia pediu a cassação do mandato do vereador Josemar da Saúde e de toda a chapa proporcional do Democracia Cristã eleita em Eunápolis nas eleições de…

PMBA promove 130 oficiais e vive momento histórico com avanços na representatividade e no comando regional

Nesta terça-feira, a Polícia Militar da Bahia deu um passo importante em sua história. O governador Jerônimo Rodrigues assinou a promoção de 130 oficiais da…

Câmara de Eunápolis inicia novo ano legislativo nesta quinta, 5

A Câmara Municipal de Eunápolis retorna oficialmente os trabalhos legislativos nesta quinta-feira (5) com a sessão ordinária que marca o início do 2º ano Legislativo…

Coronel França assume protagonismo da direita no Sul da Bahia

O cenário político do Sul e do Extremo Sul da Bahia começa a desenhar novos nomes para as próximas eleições estaduais, e entre eles ganha…

Rolar para cima