
Os dez ministros do Supremo Tribunal Federal declararam nesta quarta-feira que não há cabimento para arguição de suspeição contra Dias Toffoli. A Corte reconheceu a validade dos atos praticados pelo ministro e decidiu redistribuir os processos sob sua relatoria por interesse institucional.
Reunidos na tarde de hoje, 12/02, os ministros do Supremo Tribunal Federal analisaram o processo de número 244 AS, que discutia eventual suspeição do ministro Dias Toffoli.
No documento oficial, a Corte afirma que não há cabimento para a arguição de suspeição, com base no artigo 107 do Código de Processo Penal e no artigo 280 do Regimento Interno do STF.
Com isso, os ministros reconheceram a plena validade dos atos praticados por Toffoli na relatoria da Reclamação nº 88.121 e de todos os processos vinculados por dependência.
A decisão tem impacto direto sobre investigações sensíveis em curso e sobre o debate público envolvendo a atuação do ministro.
Ao declarar inexistente a suspeição ou impedimento, o STF reafirma que, do ponto de vista jurídico, não houve irregularidade na condução dos processos.
Para mim, o que mais chama atenção é a dimensão institucional da resposta. Em momentos de forte pressão externa, a Corte optou por uma manifestação coletiva, assinada por todos os ministros, reforçando a ideia de unidade interna.
Ainda assim, o próprio Toffoli solicitou o envio dos feitos à Presidência para livre redistribuição, medida que foi acolhida pelo presidente do STF.
Segundo a nota, Toffoli utilizou a prerrogativa prevista no artigo 21, inciso III, do Regimento Interno do STF, que permite ao relator submeter à Presidência questões relacionadas ao bom andamento dos processos.
Considerando os “altos interesses institucionais”, a Presidência decidiu promover a redistribuição livre dos feitos sob relatoria do ministro.
A decisão foi conduzida pelo presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, com anuência dos demais integrantes do tribunal.
A Presidência adotará as providências necessárias para extinguir a arguição de suspeição e encaminhar os autos ao novo relator.
O gesto simultâneo de rejeitar a suspeição e redistribuir os processos tem peso simbólico.
De um lado, o STF afirma que não há fundamento legal para afastamento do ministro. De outro, opta por redistribuir os casos, buscando preservar a estabilidade institucional e reduzir questionamentos externos.
A nota também registra apoio pessoal a Toffoli e ressalta que ele atendeu a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.
Em termos institucionais, trata-se de um movimento que tenta equilibrar legalidade formal e preservação da imagem da Corte.
A decisão revela como o STF atua em duas frentes simultâneas: a jurídica e a institucional.
No campo jurídico, a Corte foi categórica ao afirmar que não há suspeição. No campo político e simbólico, a redistribuição funciona como mecanismo de contenção de desgaste.
Em tribunais constitucionais, percepção pública e estabilidade institucional caminham lado a lado. A redistribuição não anula atos anteriores, mas sinaliza prudência.
Em tempos de polarização e escrutínio constante, o Supremo busca demonstrar coesão interna e compromisso com a regularidade processual.
Ao rejeitar a suspeição de Dias Toffoli e validar seus atos, o STF reafirma a legalidade da atuação do ministro. Ao redistribuir os processos, tenta preservar a confiança institucional.
A decisão coletiva mostra que, para a Corte, não havia impedimento formal. Ainda assim, optou-se por uma solução que reduz tensões e protege a imagem do tribunal.
Resta acompanhar como a nova relatoria conduzirá os processos e qual será o impacto político da decisão nos próximos dias.
















