
A taxa de desocupação na Bahia caiu para 8,7% em 2025, o menor patamar desde o início da série histórica da PNADC, em 2012. Apesar do avanço, o estado ainda registrou a 2ª maior taxa do país, segundo dados divulgados nesta sexta-feira 20 de fevereiro de 2026 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Os números são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua e revelam um cenário ambíguo. De um lado, recordes positivos no número de trabalhadores e queda consistente no desemprego. De outro, avanço da informalidade e rendimento médio entre os mais baixos do Brasil.

Em 2025, a taxa de desocupação baiana caiu pela quarta vez consecutiva e ficou em 8,7%. Ainda assim, foi a segunda mais alta do país, empatada com Pernambuco e atrás apenas do Piauí, 9,3%. O índice nacional foi de 5,6%.
No quarto trimestre de 2025, a taxa estadual recuou para 8,0%, também o menor resultado da série histórica.
A queda do desemprego foi sustentada por dois movimentos principais:
- Crescimento de 3,4% na população ocupada, que chegou ao recorde de 6,511 milhões de trabalhadores
- Redução de 18,8% no número de desempregados, que caiu para 621 mil pessoas, o menor contingente já registrado
No entanto, 8 em cada 10 novos trabalhadores entre 2024 e 2025 estavam na informalidade. Dos 216 mil novos ocupados, 172 mil são informais. O total de trabalhadores sem carteira ou CNPJ chegou a 3,439 milhões, o maior da série iniciada em 2016.
A taxa de informalidade subiu para 52,8%, a terceira maior do país.
Para mim, o dado mais sensível é esse. O desemprego cai, mas o tipo de ocupação que cresce revela fragilidade. Trabalho informal significa menos proteção, menos estabilidade e renda mais vulnerável.
Salvador e Região Metropolitana
Em Salvador, a taxa de desocupação fechou 2025 em 8,9%, a menor da série histórica. A capital deixou de liderar o ranking nacional e passou para a quinta maior taxa entre as capitais.

No quarto trimestre, o índice foi ainda menor, 8,2%.
Já a Região Metropolitana de Salvador registrou 10,1% no ano, também o menor patamar histórico, mas ainda a maior taxa entre as 21 regiões metropolitanas pesquisadas.
O rendimento médio real do trabalhador baiano foi de R$ 2.284 em 2025, alta de apenas 1,8% frente ao ano anterior. Foi o segundo menor do país, acima apenas do Maranhão.
Em Salvador, o rendimento médio chegou a R$ 3.133, crescimento de 10,7%, mas ainda o segundo menor entre as capitais. Na Região Metropolitana, ficou em R$ 2.945, também o segundo menor entre as regiões metropolitanas.
Enquanto isso, a média nacional foi de R$ 3.560.
A massa de rendimento total na Bahia alcançou R$ 14,587 bilhões, recorde da série histórica, impulsionada pelo maior número de pessoas trabalhando.
10 atividades econômicas analisadas.
Os destaques positivos foram:
- Informação, comunicação e atividades financeiras, com mais 89 mil trabalhadores
- Administração pública, com mais 85 mil
Por outro lado, houve queda na indústria geral, menos 56 mil postos, e em alojamento e alimentação, menos 43 mil.

O número de desalentados caiu para 500 mil pessoas, mas a Bahia segue liderando o ranking nacional nesse indicador.
A Bahia encerra 2025 com o menor desemprego da sua história recente. O dado é relevante e sinaliza recuperação. No entanto, a alta informalidade e o baixo rendimento médio mostram que ainda há um longo caminho para consolidar um mercado de trabalho mais equilibrado e sustentável.
Os números melhoraram. A qualidade do trabalho, ainda não na mesma proporção.



















