Nos bastidores da política internacional, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) transformou uma visita à Casa Branca em um gesto estratégico para fortalecer sua pré-candidatura presidencial em 2026. Em Washington, ele se reuniu com Donald Trump e levou uma pauta explosiva: pedir que os Estados Unidos classifiquem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

O encontro aconteceu em meio ao desgaste político provocado pela divulgação de mensagens envolvendo o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. A movimentação internacional surge como tentativa clara de reposicionar a imagem de Flávio Bolsonaro diante da opinião pública e reforçar sua conexão com o trumpismo americano.
Durante coletiva após a reunião, Flávio afirmou que nunca antes um presidente dos Estados Unidos recebeu um pré-candidato brasileiro no Salão Oval em pleno ano eleitoral. Segundo ele, isso seria um reconhecimento internacional de sua candidatura.
O senador também negou qualquer crise em sua campanha:
“Campanha tem altos e baixos. Não tem nenhuma crise na minha campanha.”
A declaração busca minimizar os impactos políticos recentes, principalmente após o caso Vorcaro ganhar repercussão nacional.
O principal ponto político do encontro foi o pedido para que o governo americano considere PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.
Segundo Flávio Bolsonaro:
“Essas organizações corrompem agentes públicos, infiltram instituições, intimidam testemunhas e coordenam atentados.”
Caso os Estados Unidos avancem nesse reconhecimento, o impacto pode ser enorme nas relações diplomáticas, financeiras e de segurança entre Brasil e EUA. Organizações classificadas como terroristas passam a enfrentar sanções internacionais mais rígidas, bloqueios financeiros e cooperação ampliada entre agências de inteligência.
Para mim, o que mais chama atenção é como o debate sobre segurança pública brasileira começa a ultrapassar as fronteiras nacionais. Isso mostra que o crime organizado deixou de ser apenas um problema interno e passou a influenciar diretamente a imagem internacional do Brasil.
Além da pauta de segurança, Flávio afirmou que discutiu com Trump tarifas comerciais, investimentos estratégicos e exploração de terras raras. O senador prometeu reconstruir relações comerciais entre os dois países caso seja eleito em 2026.
Outro ponto simbólico foi a participação do estrategista republicano Jason Miller, figura conhecida no núcleo político do trumpismo e aliado frequente do bolsonarismo brasileiro.
Nos bastidores, a reunião teria sido articulada por aliados próximos ao secretário de Estado americano Marco Rubio, com participação direta de Eduardo Bolsonaro e do influenciador Paulo Figueiredo.

A presença desse grupo reforça uma estratégia já conhecida: aproximar o bolsonarismo brasileiro da direita conservadora americana para fortalecer narrativas eleitorais e ampliar influência internacional. Enquanto Brasília vive disputas políticas quase permanentes, o cidadão comum continua preocupado com problemas muito mais imediatos: violência, custo de vida e insegurança econômica.
A discussão sobre classificar facções criminosas como terroristas pode parecer distante para muita gente, mas ela toca num ponto real: o crescimento do poder paralelo do crime organizado no Brasil. Ao mesmo tempo, o uso político desse tema também é evidente. Segurança pública virou um dos maiores ativos eleitorais da direita brasileira, especialmente em momentos de desgaste político.
O desafio é separar discurso eleitoral de ações concretas. Porque no fim das contas, quem sofre diariamente com o avanço das facções não está em Washington nem em Brasília. Está nas periferias, nas pequenas cidades e nas famílias que convivem com medo constante. O encontro entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump marca mais um capítulo da internacionalização do bolsonarismo e mostra como a eleição de 2026 já começou nos bastidores.
Ao levar aos EUA a proposta de classificar PCC e CV como organizações terroristas, Flávio tenta assumir protagonismo no debate sobre segurança pública e reconstruir sua imagem política após semanas turbulentas.
Resta saber se a estratégia conseguirá transformar apoio internacional em força eleitoral dentro do Brasil.



















