O IFBA Campus Eunápolis voltou de Salvador com três importantes resultados na etapa estadual da Olimpíada Brasileira de Robótica, OBR 2026. Além do reconhecimento como Melhor Escola Pública, duas equipes do projeto EU N@ ROBÓTICA conquistaram o segundo e o terceiro lugares na modalidade Robótica Artística.

A etapa estadual baiana da OBR foi realizada no sábado, 29 de agosto de 2026, na Escola SESI Djalma Pessoa, no bairro de Piatã, em Salvador. A programação reuniu estudantes e equipes em diferentes desafios da competição, que mistura programação, construção de robôs, criatividade, trabalho coletivo e solução de problemas.
Eunápolis esteve representada por quatro equipes do EU N@ ROBÓTICA, projeto desenvolvido pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia no campus do município.
Na modalidade Resgate participaram Techbots e Winx. Já na Robótica Artística, a instituição entrou na disputa com Psicorobô e Ifbotics.
Foi justamente na modalidade artística que vieram duas das principais conquistas. A Psicorobô ficou com o segundo lugar, enquanto a Ifbotics conquistou a terceira colocação. O IFBA Eunápolis também recebeu a premiação de Melhor Escola Pública da etapa estadual.

Os resultados não aparecem do nada. Criado em 2017, o EU N@ ROBÓTICA vem construindo uma trajetória ligada à formação tecnológica e à popularização da robótica no Sul e Extremo Sul da Bahia. O projeto também já acumulou participações e premiações em outras edições da OBR.
O mais interessante do trabalho apresentado pelos estudantes de Eunápolis talvez esteja justamente onde muita gente não espera encontrar a robótica.
Não era só fazer motor girar, sensor responder ou LED acender.
As equipes levaram pra competição temas que fazem parte de discussões duras da sociedade, como violência contra a mulher, feminicídio, conflitos armados, propaganda de guerra e manipulação da opinião pública.

Na prática, a tecnologia virou linguagem.
A equipe Psicorobô, medalha de prata, criou um universo fictício inspirado no dieselpunk para construir uma crítica a conflitos armados, políticos e sociais. A apresentação também abordou como a propaganda pode ser usada em tempos de guerra para influenciar a percepção das pessoas.

Para colocar a ideia no palco, o grupo desenvolveu cinco estruturas robóticas, entre elas duas maquetes inteligentes capazes de reagir durante a apresentação e outros três robôs integrados à performance.
Pra mim, o que mais chama atenção é isso: jovens do Extremo Sul da Bahia estão aprendendo programação e eletrônica enquanto discutem problemas que aparecem todos os dias na televisão, nas redes sociais e, muitas vezes, bem mais perto da nossa porta.
A equipe Ifbotics, terceira colocada na Robótica Artística, escolheu outro assunto pesado e urgente.
Com o tema “Nenhuma a Menos!”, o grupo abordou a violência contra a mulher e o feminicídio.
A inspiração estética veio de “Noiva Cadáver”. A personagem foi recriada como uma robô e usada para representar simbolicamente mulheres que tiveram suas vidas interrompidas pela violência.
Tecnologia e reaproveitamento de materiais caminharam juntos na montagem. Segundo a equipe:
“Utilizamos tecnologias como Arduíno, ESP32-CAM, sensores ultrassônicos e de som, LEDs RGB, motores e servos, além de materiais reutilizados em grande parte da estrutura. A tecnologia, então, não é apenas um recurso, mas uma forma de transformar essa história em uma mensagem: nenhuma mulher deve ser apenas mais um número.”



É uma escolha que muda o sentido da competição. O robô deixa de ser apenas demonstração técnica e passa a carregar narrativa, memória e posicionamento social.
A própria modalidade Artística da OBR prevê apresentações que combinam recursos como teatro, dança ou outras performances com robôs autônomos interagindo com os participantes.
Existe uma tentação antiga de enxergar robótica como coisa distante. Laboratório impecável, equipamento caro, uma turma cercada de fios e códigos que ninguém entende.
A experiência de Eunápolis conta uma história mais interessante.
O próprio projeto nasceu com estrutura modesta e cresceu ao longo dos anos. Em registro publicado pelo IFBA sobre a trajetória do EU N@ ROBÓTICA, os responsáveis lembram que, no começo, não havia laboratório próprio nem uma grande quantidade de equipamentos. Parte do treinamento acontecia com soluções improvisadas e materiais disponíveis na instituição.
As equipes premiadas do IFBA Eunápolis seguem trabalhando nos projetos enquanto aguardam a definição dos classificados para a etapa nacional da Olimpíada Brasileira de Robótica.
A final nacional da OBR 2026 está programada oficialmente para ocorrer entre 23 e 27 de novembro, em João Pessoa, na Paraíba.
Independentemente da próxima classificação, o resultado conquistado em Salvador já coloca mais uma vez Eunápolis no mapa da robótica educacional brasileira.
E talvez a cena mais simbólica nem seja a medalha no peito. É ver estudante do Extremo Sul da Bahia usando fios, sensores e programação para dizer alguma coisa sobre o mundo em que vive.

















