
Se houver um processo contra Moraes, o Senado julgará pelas provas ou pelos acordos de bastidores?
A perspectiva de Alexandre de Moraes assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal em setembro de 2027 acrescenta peso político ao debate sobre o impeachment de ministros. Pela tradição de rodízio da Corte, o atual vice-presidente é o próximo na sequência, mas a sucessão depende de eleição interna.
Para condenar um ministro do STF, são necessários 54 votos entre os 81 senadores. Essa exigência já existia antes da decisão de Gilmar Mendes, de dezembro de 2025. A controvérsia provocada pela liminar envolve a aplicação desse mesmo patamar à abertura do processo, além de outras mudanças nas condições para sua tramitação.
Um dos principais fatores políticos será quem comandará o Senado em 2027. A Presidência da Casa ocupa uma posição decisiva no encaminhamento das denúncias. Conforme a orientação institucional do Senado, o pedido passa por avaliação técnica da Advocacia da Casa e pela Comissão Diretora antes de eventual deliberação dos senadores. Reunir apoiadores e conquistar o comando do Senado são, portanto, objetivos relacionados, mas nenhum deles garante sozinho a destituição.
Politicamente, a possibilidade de impeachment ganharia força com a combinação de três condições. Uma Presidência do Senado disposta a encaminhar o pedido, uma denúncia fundamentada em elementos que possam caracterizar crime de responsabilidade e uma articulação capaz de sustentar pelo menos 54 votos até o julgamento.
Os números apresentados como sinal de maioria, porém, precisam ser esclarecidos. Se o levantamento atribuído ao Ranking contabiliza 54 favoráveis, dos quais 37 foram eleitos em 2026, os outros 17 necessariamente estariam entre os senadores que continuam no mandato. Isso não combina com a classificação desses 27 parlamentares como seis contrários e 21 sem posição definida, caso todos os dados pertençam ao mesmo levantamento e adotem os mesmos critérios.
Enquanto essa divergência não for resolvida, o levantamento não demonstra uma maioria formada. Além disso, apoiar genericamente o impeachment de ministros não equivale a assumir compromisso com a condenação de Moraes em uma acusação específica.
Não há fundamento suficiente para descartar o impeachment como simples discurso eleitoral. Também não há, nos dados apresentados, base para anunciar que sua aprovação esteja encaminhada. A possibilidade existe, mas sua chance de sucesso dependerá do comando do Senado, da consistência jurídica da denúncia e da transformação de declarações públicas em votos efetivos.
















