Bahia: violência e criminalidade explodem no estado, com expansão do tráfico de drogas

Por Redação Oxarope
31/08/2023

Publicado em -

A Bahia tem os quatro municípios mais violentos do país
A Bahia tem os quatro municípios mais violentos do país

Só no primeiro semestre de 2023, foram 9.019 criminosos presos. São 50 pessoas envolvidas com atividades ilícitas capturadas diariamente, conforme dados da Secretaria da Segurança Pública do estado

No primeiro semestre de 2023, as forças de segurança da Bahia prenderam 9.019 criminosos. São 50 pessoas envolvidas com atividades ilícitas capturadas diariamente, conforme dados da Secretaria da Segurança Pública do estado. Em números absolutos foram contabilizados 2.523 casos de mortes violentas — homicídio, latrocínio e lesão dolosa seguida de morte. E mais casos se somam a esse ciclo de violência extrema como a chacina que matou 9 pessoas em Mata de São João, na Região Metropolitana de Salvador, e o assassinato da líder quilombola mãe Bernadete, morta dentro do quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, no dia 17 de agosto.

Na opinião do especialista em segurança pública, Elias Miller, os criminosos precisam estabelecer território. Ele explica que a predominância de facções de drogas e armas tem levado a violência e a criminalidade para além dos grandes centros. “Quanto mais existir desigualdade social e ineficiência no aparelho de justiça, maior será a violência, pois o crime organizado virou uma empresa, um negócio transnacional”, aponta.

Aliado a isso, o analista ressalta que ainda existe a ausência do poder público. “Um governo que não adota políticas públicas preventivas e repressivas favorece e alimenta o mercado do crime.

O professor e escritor Leonardo Castro vai além. Ele diz que até o instante em que a droga era tratada como um problema de saúde pública, não se tinha o que se tem hoje. “Não havia essas organizações criminosas dedicadas única e exclusivamente à traficância, que é a grande moeda do mundo crime, a droga. A partir do momento em que virou um problema de segurança pública, os criminosos passaram a se organizar melhor, passaram a tratar a traficância como um verdadeiro negócio”, revela.

A Bahia tem os quatro municípios mais violentos do país — Jequié, Santo Antônio de Jesus, Simões Filho e Camaçari —, segundo dados da 17ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. As estatísticas apontam também que as polícias mataram 1.464 pessoas em intervenções oficiais; com isso, o conjunto de forças de segurança do estado pela primeira vez se consolida como a mais letal do Brasil.

Expansão no interior do país

Para Elias Miller, existe ainda um outro cenário para o tráfico e a criminalidade ir além das áreas metropolitanas. “Os traficantes têm tendência a utilizar a violência como forma de impor suas regras no território em que se encontram. A crescente violência urbana tem relação com a expansão das organizações criminosas e a disputa de traficantes por territórios —  e essa luta levou o tráfico para o interior do país”, avalia.

A socióloga Camila Galetti acrescenta que a expansão da criminalidade para o interior se deu por conta da ausência do poder público em determinados locais. “A gente percebe que num contexto pós-pandemia houve uma maior circulação de indivíduos o que, concomitantemente, aumentam as violências, os homicídios, os assaltos, tanto que durante o contexto da Covid-19, as violências se davam mais no âmbito doméstico, no espaço privado”, enfatiza.

Dados da Secretaria da Segurança Pública da Bahia mostram que, de janeiro a junho de 2023, foram apreendidos 36 fuzis — número maior que o encontrado em todo o ano de 2022, quando foram localizados 22. Em uma das ocorrências, no bairro de Narandiba, de Salvador, por exemplo, a polícia localizou 13 fuzis, número recorde em apenas um dia. No mesmo período, cerca de 2.570 armas de fogo foram localizadas no estado. 

Histórico do crescimento da violência l

O especialista em segurança pública, Elias Miller, acredita que os índices de violência urbana no Brasil cresceram consideravelmente a partir da segunda metade do século XX. E a sua ocorrência é registrada em cidades de todas as regiões do país. “A violência urbana é um fenômeno social que ocorre nas cidades e tem como causas problemas de ordem estrutural, como as desigualdades socioeconômicas, a segregação urbana e a falta de oportunidades para a garantia de uma vida digna no espaço urbano — aliado a fatores de ordem moral”, salienta.

O advogado criminalista e professor de direito penal, Carlos Fernando Maggiolo, diz que, hoje, se vive um momento em que a escalada da criminalidade se dá em razão da benevolência de todos. “Vieram argumentos de antigamente que fizeram efeito na legislação, de que não se pode fazer justiça social com o direito penal e tudo mais — e o Direito Penal foi se tornando cada vez mais benevolente”, acredita.

Para o analista, a casa legislativa também foi se tornando mais benevolente com os autores dos crimes, sobretudo os crimes violentos.

“Hoje a recomendação é que seja recolhido à prisão apenas os autores de crimes com violência cuja pena seja acima de 4 anos. Então o crime de furto, que é um crime que a pena é de 1 a 4 anos, ele nunca vai ter o agente criminoso detido porque a própria lei já diz que ele não pode ser recolhido”. O advogado acrescenta que esses autores acabam saindo impunes pela porta da frente da delegacia. “A gente está vivendo um momento realmente de descalabro no Brasil”, adverte.

Na opinião da socióloga Camila Galetti, a violência urbana no Brasil está relacionada ásas crises econômicas. “Quando os aluguéis ficam caros, as pessoas vão para as ruas, e quando as pessoas vão para as ruas, há um aumento de criminalidade, de furtos, enfim. É toda uma cadeia estrutural que vai inflando essas violências nas cidades”, destaca.

Superpopulação carcerária

O professor Carlos Maggiolo acredita que os problemas não são visíveis para a população e muitos estão relacionados à superpopulação carcerária. “Existe uma falência do sistema penitenciário brasileiro. Hoje, não se tem vagas para os presos. Daí a política pública de soltar presos —  com os presos até quatro anos —, é por conta de falta de vaga no sistema”, salienta. 

Segundo Maggiolo, é preciso construir mais presídios. “No lugar de soltar, você tem que construir presídios. E não se investe, porque preso não traz voto diretamente. Então acho que o sistema carcerário é meio que órfão, não tem um político para adotar o sistema carcerário”, lamenta. 

E ainda ressalta: “Existem mil alternativas para isso. Você pode privatizar e aí o caráter educativo da pena se sobressai porque o preso, o acautelado, ele acaba recebendo uma formação técnica enquanto encarcerado; sai dali com diploma, com perspectiva de trabalho. Enfim, você reverteria esse quadro”.

Já para a socióloga Camila Galetti, faltam incentivos e investimentos na ressocialização dos indivíduos que cometem crimes. “Essas pessoas cometem crimes, são presas, aí aumenta o senso de punitivismo entre os indivíduos na sociedade, mas essas pessoas não têm condições cabíveis para serem ressocializadas e reinseridas na sociedade em condições melhores”, observa.

Reportagem: Lívia Azevedo

1678540344banner-970x90-bello.png

Mais recentes

Prefeitura de Eunápolis investe na requalificação de praças e modernização das quadras esportivas

A Prefeitura de Eunápolis segue investindo na requalificação de praças, com foco na melhoria da infraestrutura e…

Brasil bate novo recorde na produção de grãos em 2025 e dobra safra em 13 anos

A safra de grãos no Brasil em 2025 atingiu 346,1 milhões de toneladas. Este é o maior…

Aula inaugural marca o início do programa de Jovem Aprendiz 2026 da Veracel

A Veracel Celulose deu início nessa semana a uma nova edição do seu Programa Jovem Aprendiz com…

Partido NOVO traça estratégia para 2026 e amplia atuação política em Porto Seguro

O Núcleo do Partido NOVO em Porto Seguro realizou, nesta semana, uma reunião com filiados e apoiadores…

Lula eleva combate ao crime organizado a política de Estado com integração entre Judiciário, MP e Executivo

O governo federal decidiu transformar o enfrentamento ao crime organizado em política de Estado. O anúncio foi…

Bahia: violência e criminalidade explodem no estado, com expansão do tráfico de drogas

Por Redação Oxarope
31/08/2023 - 12h35 - Atualizado 31 de agosto de 2023

Publicado em -

A Bahia tem os quatro municípios mais violentos do país
A Bahia tem os quatro municípios mais violentos do país

Só no primeiro semestre de 2023, foram 9.019 criminosos presos. São 50 pessoas envolvidas com atividades ilícitas capturadas diariamente, conforme dados da Secretaria da Segurança Pública do estado

No primeiro semestre de 2023, as forças de segurança da Bahia prenderam 9.019 criminosos. São 50 pessoas envolvidas com atividades ilícitas capturadas diariamente, conforme dados da Secretaria da Segurança Pública do estado. Em números absolutos foram contabilizados 2.523 casos de mortes violentas — homicídio, latrocínio e lesão dolosa seguida de morte. E mais casos se somam a esse ciclo de violência extrema como a chacina que matou 9 pessoas em Mata de São João, na Região Metropolitana de Salvador, e o assassinato da líder quilombola mãe Bernadete, morta dentro do quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, no dia 17 de agosto.

Na opinião do especialista em segurança pública, Elias Miller, os criminosos precisam estabelecer território. Ele explica que a predominância de facções de drogas e armas tem levado a violência e a criminalidade para além dos grandes centros. “Quanto mais existir desigualdade social e ineficiência no aparelho de justiça, maior será a violência, pois o crime organizado virou uma empresa, um negócio transnacional”, aponta.

Aliado a isso, o analista ressalta que ainda existe a ausência do poder público. “Um governo que não adota políticas públicas preventivas e repressivas favorece e alimenta o mercado do crime.

O professor e escritor Leonardo Castro vai além. Ele diz que até o instante em que a droga era tratada como um problema de saúde pública, não se tinha o que se tem hoje. “Não havia essas organizações criminosas dedicadas única e exclusivamente à traficância, que é a grande moeda do mundo crime, a droga. A partir do momento em que virou um problema de segurança pública, os criminosos passaram a se organizar melhor, passaram a tratar a traficância como um verdadeiro negócio”, revela.

A Bahia tem os quatro municípios mais violentos do país — Jequié, Santo Antônio de Jesus, Simões Filho e Camaçari —, segundo dados da 17ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. As estatísticas apontam também que as polícias mataram 1.464 pessoas em intervenções oficiais; com isso, o conjunto de forças de segurança do estado pela primeira vez se consolida como a mais letal do Brasil.

Expansão no interior do país

Para Elias Miller, existe ainda um outro cenário para o tráfico e a criminalidade ir além das áreas metropolitanas. “Os traficantes têm tendência a utilizar a violência como forma de impor suas regras no território em que se encontram. A crescente violência urbana tem relação com a expansão das organizações criminosas e a disputa de traficantes por territórios —  e essa luta levou o tráfico para o interior do país”, avalia.

A socióloga Camila Galetti acrescenta que a expansão da criminalidade para o interior se deu por conta da ausência do poder público em determinados locais. “A gente percebe que num contexto pós-pandemia houve uma maior circulação de indivíduos o que, concomitantemente, aumentam as violências, os homicídios, os assaltos, tanto que durante o contexto da Covid-19, as violências se davam mais no âmbito doméstico, no espaço privado”, enfatiza.

Dados da Secretaria da Segurança Pública da Bahia mostram que, de janeiro a junho de 2023, foram apreendidos 36 fuzis — número maior que o encontrado em todo o ano de 2022, quando foram localizados 22. Em uma das ocorrências, no bairro de Narandiba, de Salvador, por exemplo, a polícia localizou 13 fuzis, número recorde em apenas um dia. No mesmo período, cerca de 2.570 armas de fogo foram localizadas no estado. 

Histórico do crescimento da violência l

O especialista em segurança pública, Elias Miller, acredita que os índices de violência urbana no Brasil cresceram consideravelmente a partir da segunda metade do século XX. E a sua ocorrência é registrada em cidades de todas as regiões do país. “A violência urbana é um fenômeno social que ocorre nas cidades e tem como causas problemas de ordem estrutural, como as desigualdades socioeconômicas, a segregação urbana e a falta de oportunidades para a garantia de uma vida digna no espaço urbano — aliado a fatores de ordem moral”, salienta.

O advogado criminalista e professor de direito penal, Carlos Fernando Maggiolo, diz que, hoje, se vive um momento em que a escalada da criminalidade se dá em razão da benevolência de todos. “Vieram argumentos de antigamente que fizeram efeito na legislação, de que não se pode fazer justiça social com o direito penal e tudo mais — e o Direito Penal foi se tornando cada vez mais benevolente”, acredita.

Para o analista, a casa legislativa também foi se tornando mais benevolente com os autores dos crimes, sobretudo os crimes violentos.

“Hoje a recomendação é que seja recolhido à prisão apenas os autores de crimes com violência cuja pena seja acima de 4 anos. Então o crime de furto, que é um crime que a pena é de 1 a 4 anos, ele nunca vai ter o agente criminoso detido porque a própria lei já diz que ele não pode ser recolhido”. O advogado acrescenta que esses autores acabam saindo impunes pela porta da frente da delegacia. “A gente está vivendo um momento realmente de descalabro no Brasil”, adverte.

Na opinião da socióloga Camila Galetti, a violência urbana no Brasil está relacionada ásas crises econômicas. “Quando os aluguéis ficam caros, as pessoas vão para as ruas, e quando as pessoas vão para as ruas, há um aumento de criminalidade, de furtos, enfim. É toda uma cadeia estrutural que vai inflando essas violências nas cidades”, destaca.

Superpopulação carcerária

O professor Carlos Maggiolo acredita que os problemas não são visíveis para a população e muitos estão relacionados à superpopulação carcerária. “Existe uma falência do sistema penitenciário brasileiro. Hoje, não se tem vagas para os presos. Daí a política pública de soltar presos —  com os presos até quatro anos —, é por conta de falta de vaga no sistema”, salienta. 

Segundo Maggiolo, é preciso construir mais presídios. “No lugar de soltar, você tem que construir presídios. E não se investe, porque preso não traz voto diretamente. Então acho que o sistema carcerário é meio que órfão, não tem um político para adotar o sistema carcerário”, lamenta. 

E ainda ressalta: “Existem mil alternativas para isso. Você pode privatizar e aí o caráter educativo da pena se sobressai porque o preso, o acautelado, ele acaba recebendo uma formação técnica enquanto encarcerado; sai dali com diploma, com perspectiva de trabalho. Enfim, você reverteria esse quadro”.

Já para a socióloga Camila Galetti, faltam incentivos e investimentos na ressocialização dos indivíduos que cometem crimes. “Essas pessoas cometem crimes, são presas, aí aumenta o senso de punitivismo entre os indivíduos na sociedade, mas essas pessoas não têm condições cabíveis para serem ressocializadas e reinseridas na sociedade em condições melhores”, observa.

Reportagem: Lívia Azevedo

1

Mais recentes

Prefeitura de Eunápolis investe na requalificação de praças e modernização das quadras esportivas

A Prefeitura de Eunápolis segue investindo na requalificação de praças, com foco na melhoria da infraestrutura e na adequação técnica dos equipamentos públicos. A ação…

Brasil bate novo recorde na produção de grãos em 2025 e dobra safra em 13 anos

A safra de grãos no Brasil em 2025 atingiu 346,1 milhões de toneladas. Este é o maior volume já registrado desde 1975. O crescimento reflete…

Aula inaugural marca o início do programa de Jovem Aprendiz 2026 da Veracel

A Veracel Celulose deu início nessa semana a uma nova edição do seu Programa Jovem Aprendiz com a realização da aula inaugural, no Senai Eunápolis,…

Partido NOVO traça estratégia para 2026 e amplia atuação política em Porto Seguro

O Núcleo do Partido NOVO em Porto Seguro realizou, nesta semana, uma reunião com filiados e apoiadores para analisar o cenário político local, estadual e…

Lula eleva combate ao crime organizado a política de Estado com integração entre Judiciário, MP e Executivo

O governo federal decidiu transformar o enfrentamento ao crime organizado em política de Estado. O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 15 de janeiro, pelo ministro…

Nota – 1º Edital de Responsabilidade Socioambiental da Veracel

A Veracel Celulose informa que, após a divulgação do resultado do 1º Edital de Responsabilidade Socioambiental, voltado ao fomento da literatura infantil no Extremo Sul…

Governador celebra a fé e tradição baiana na chegada à Basílica do Senhor do Bonfim

Depois de percorrer cerca de oito quilômetros, na manhã desta quinta-feira (15), o governador Jerônimo Rodrigues concluiu o cortejo da tradicional Lavagem do Senhor do…

Balanças móveis retomam operações na Bahia com foco em educação e preservação viária

A partir desta quinta-feira (15), o Governo da Bahia reinicia as operações com balanças de pesagem móveis em rodovias estaduais. A ação, coordenada pela Secretaria…

Prefeitura de Eunápolis informa retorno do funcionamento das UBS

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, informa que, após o recesso de fim de ano, as Unidades Básicas de Saúde…

Vereador comemora viabilidade para novo formato de zona azul em Eunápolis

O vereador Valdiran Marques (PSD) está animado com o anúncio feito pelo Executivo que prevê a realização de estudos de viabilidade técnica com vistas à…

Salário-mínimo sobe para R$ 1.621 em 2026 e exige atenção de empresas e trabalhadores

Desde 1º de janeiro de 2026, o salário-mínimo nacional passou a ser de R$ 1.621. O aumento de R$ 103 representa reajuste de 6,79 por…

Prefeitura de Eunápolis fortalece segurança alimentar com o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA)

A Prefeitura de Eunápolis, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, executa o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) com o objetivo de promover o…

Acordo entre União Europeia e Mercosul é estratégico para a Bahia, diz FIEB

A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) avalia como positiva a aprovação do acordo entre a União Europeia e o Mercosul. A instituição…

IFBA Campus Ilhéus abre inscrições para seu primeiro curso superior presencial

O IFBA Campus Ilhéus está com inscrições abertas para o seu primeiro curso superior presencial: o Bacharelado em Engenharia Sanitária e Ambiental, com ingresso previsto…

Estado entrega mais de 200 certificados, kits de proteção e bags para mototaxistas e motofretistas da Bahia

Mais de 200 mototaxistas e motofretistas, que atuam no transporte de pessoas e mercadorias em 16 municípios baianos, foram certificados nesta terça-feira (13), em Salvador,…

Rolar para cima