O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou nesta sexta-feira, 13 de fevereiro, a expansão da fábrica do Aché Laboratórios Farmacêuticos, em Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco. A agenda reforça a estratégia do governo de fortalecer o complexo industrial da saúde e reduzir a dependência externa na produção de medicamentos.

A nova unidade, instalada no Complexo Industrial Portuário de Suape, começa a operar em 2026 com capacidade para produzir até 40 milhões de medicamentos por ano. Entre os produtos estão fármacos injetáveis hospitalares e colírios. Com a ampliação, o grupo poderá atingir até 700 milhões de unidades produzidas anualmente.
Durante a visita, Lula defendeu a soberania nacional na área da saúde. Segundo ele, o Brasil já produz cerca de 60% dos medicamentos consumidos internamente e tem condições de alcançar a autossuficiência.
A declaração dialoga com uma agenda maior do governo, que inclui o fortalecimento do Complexo Econômico Industrial da Saúde e o programa Nova Indústria Brasil, voltado à reindustrialização do país.
A expansão da unidade conta com R$ 267 milhões em incentivos do BNDES e do Banco do Nordeste. Desde 2019, o empreendimento já soma R$ 1,6 bilhão em apoio federal.

Além da ampliação produtiva, a fábrica deve gerar cerca de 3 mil empregos diretos e indiretos. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a produção nacional é estratégica para garantir abastecimento do SUS e reduzir vulnerabilidades em momentos de crise global.
O laboratório também integra a Bionovis, que atua em parcerias para desenvolvimento produtivo voltadas à fabricação nacional de medicamentos biológicos de alta complexidade, utilizados no tratamento de doenças como artrite reumatoide, esclerose múltipla, psoríase e câncer.
O discurso da soberania farmacêutica faz sentido dentro de um cenário internacional instável, onde cadeias de suprimentos podem ser interrompidas por conflitos, pandemias ou disputas comerciais.
Por outro lado, a aposta em incentivos bilionários exige acompanhamento rigoroso. O desafio não é apenas produzir mais, mas garantir competitividade, inovação tecnológica e preços sustentáveis para o sistema público de saúde.

Industrializar é estratégico. Mas precisa vir acompanhado de governança, eficiência e metas claras.
Se a capacidade projetada realmente se consolidar, o Brasil pode avançar em autonomia e geração de empregos qualificados. Se não houver gestão eficiente, o risco é repetir ciclos anteriores de dependência tecnológica.
O movimento está posto. Agora a execução é que vai determinar o resultado.
















