BRICS desafia a hegemonia do dólar e propõe nova ordem financeira global

Por Murillo Vazquez
02/08/2025

Publicado em

Noticia oXarope 02082501dolar

A ascensão do BRICS como força geoeconômica representa uma ameaça concreta à supremacia do dólar nos fluxos financeiros internacionais. O que parecia impensável há uma década começa a ganhar contornos de projeto real: a construção de um sistema financeiro paralelo, autônomo e livre da tutela ocidental.

O fim da “tirania do dólar”?

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o dólar reina absoluto como moeda de referência global. Ele está presente em mais de 80% das transações cambiais internacionais e domina as reservas dos bancos centrais. Mas essa hegemonia vem sendo questionada e não apenas por rivais ideológicos.

Com a ampliação do BRICS, que agora conta também com Irã, Egito, Etiópia e Arábia Saudita, o bloco propõe uma alternativa ao sistema financeiro ocidental, historicamente sustentado pelo dólar e pelo sistema SWIFT.

SWIFT: a “espinha dorsal” do sistema financeiro global

O SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication) é um sistema internacional de mensagens financeiras criado em 1973, sediado na Bélgica. Ele conecta cerca de 11 mil instituições financeiras em mais de 200 países, permitindo a troca segura de informações sobre pagamentos e transferências internacionais.

Embora não movimente dinheiro diretamente, o SWIFT funciona como uma “autoestrada digital” essencial para transações em moedas como dólar, euro e libra. Por isso, seu controle também se tornou ferramenta de pressão política e econômica países como Irã e Rússia já foram excluídos do sistema como forma de sanção.

Um novo sistema em construção

A aliança estratégica entre China e Rússia vem pavimentando caminhos para um sistema alternativo:

  • China: amplia o uso do yuan em acordos comerciais e fortalece seu sistema próprio de pagamentos, o CIPS.
  • Rússia: desenvolveu o SPFS para contornar sanções ocidentais.
  • BRICS: discute um sistema integrado de pagamentos, independente do dólar, atualmente em fase de testes.

Além disso, o bloco estuda a criação de uma moeda digital multilateral, baseada em uma cesta de moedas nacionais (real, rublo, yuan, rupia), com o objetivo de reduzir a centralidade do dólar no comércio global.

A ameaça ao dólar é real?

Sim, mas será gradual.
O dólar mantém sua liderança devido à confiança, liquidez e profundidade do mercado americano. No entanto, o crescimento do uso de moedas locais nas trocas entre membros do BRICS como Brasil-China e Índia-Rússia — já começa a enfraquecer a dependência da moeda americana.

As sanções impostas pelos EUA a países como Irã, Venezuela e Rússia aceleram esse movimento, pois evidenciam os riscos de depender de uma moeda controlada por uma única potência geopolítica.

O que está em jogo

O projeto do BRICS vai além da economia. É uma tentativa de reformular as regras do jogo financeiro internacional, com três objetivos centrais:

  • Dar voz ao Sul Global, ampliando sua influência nas decisões monetárias globais.
  • Reduzir o poder dos EUA, limitando o uso do dólar como arma geopolítica.
  • Oferecer soberania financeira a países que buscam alternativas ao sistema atual.

A posição do Brasil

O Brasil adota uma postura pragmática: fortalece sua participação no BRICS, amplia acordos bilaterais em moedas locais, mas evita romper com o sistema financeiro ocidental. A diplomacia brasileira pode ser peça-chave para atrair outros países latino-americanos ao bloco.

Trump x BRICS: uma escalada de tensões

Durante seu segundo mandato, Donald Trump adotou uma postura agressiva contra o BRICS:

  • Novembro de 2024: ameaçou tarifas de 100% se o bloco tentasse criar uma nova moeda para substituir o dólar como reserva global.
  • Janeiro de 2025: em sua rede “Truth Social”, publicou: “Go find another sucker Nation” (“Vão procurar outra nação otária”), em referência ao BRICS.
  • Fevereiro de 2025: declarou em coletiva que “o BRICS está morto”, alegando que sua ameaça de tarifas de 150% silenciou o grupo.

Em julho de 2025, Trump anunciou tarifas adicionais:

  • 10% sobre importações de países alinhados a políticas “anti-Americanas” do BRICS.
  • 50% sobre produtos brasileiros, após críticas do bloco às políticas dos EUA e menções a manifestações estrangeiras ligadas ao Brasil.

China e demais integrantes classificaram essas medidas como coercitivas e punitivas.

A visão de Trump é clara: o BRICS representa uma ameaça direta à dominância do dólar e à ordem financeira ocidental. A disputa por liderança global e influência monetária está aberta, e o BRICS surge como o primeiro grande rival a desafiar, de fato, a supremacia americana.

Com mais de 40% da população mundial e quase um terço do PIB global, o bloco já não pode ser ignorado. A guerra pela nova ordem financeira começou.

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BRICS desafia a hegemonia do dólar e propõe nova ordem financeira global

Por Murillo Vazquez
02/08/2025 - 16h00 - Atualizado 2 de agosto de 2025

Publicado em

Noticia oXarope 02082501dolar

A ascensão do BRICS como força geoeconômica representa uma ameaça concreta à supremacia do dólar nos fluxos financeiros internacionais. O que parecia impensável há uma década começa a ganhar contornos de projeto real: a construção de um sistema financeiro paralelo, autônomo e livre da tutela ocidental.

O fim da “tirania do dólar”?

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o dólar reina absoluto como moeda de referência global. Ele está presente em mais de 80% das transações cambiais internacionais e domina as reservas dos bancos centrais. Mas essa hegemonia vem sendo questionada e não apenas por rivais ideológicos.

Com a ampliação do BRICS, que agora conta também com Irã, Egito, Etiópia e Arábia Saudita, o bloco propõe uma alternativa ao sistema financeiro ocidental, historicamente sustentado pelo dólar e pelo sistema SWIFT.

SWIFT: a “espinha dorsal” do sistema financeiro global

O SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication) é um sistema internacional de mensagens financeiras criado em 1973, sediado na Bélgica. Ele conecta cerca de 11 mil instituições financeiras em mais de 200 países, permitindo a troca segura de informações sobre pagamentos e transferências internacionais.

Embora não movimente dinheiro diretamente, o SWIFT funciona como uma “autoestrada digital” essencial para transações em moedas como dólar, euro e libra. Por isso, seu controle também se tornou ferramenta de pressão política e econômica países como Irã e Rússia já foram excluídos do sistema como forma de sanção.

Um novo sistema em construção

A aliança estratégica entre China e Rússia vem pavimentando caminhos para um sistema alternativo:

  • China: amplia o uso do yuan em acordos comerciais e fortalece seu sistema próprio de pagamentos, o CIPS.
  • Rússia: desenvolveu o SPFS para contornar sanções ocidentais.
  • BRICS: discute um sistema integrado de pagamentos, independente do dólar, atualmente em fase de testes.

Além disso, o bloco estuda a criação de uma moeda digital multilateral, baseada em uma cesta de moedas nacionais (real, rublo, yuan, rupia), com o objetivo de reduzir a centralidade do dólar no comércio global.

A ameaça ao dólar é real?

Sim, mas será gradual.
O dólar mantém sua liderança devido à confiança, liquidez e profundidade do mercado americano. No entanto, o crescimento do uso de moedas locais nas trocas entre membros do BRICS como Brasil-China e Índia-Rússia — já começa a enfraquecer a dependência da moeda americana.

As sanções impostas pelos EUA a países como Irã, Venezuela e Rússia aceleram esse movimento, pois evidenciam os riscos de depender de uma moeda controlada por uma única potência geopolítica.

O que está em jogo

O projeto do BRICS vai além da economia. É uma tentativa de reformular as regras do jogo financeiro internacional, com três objetivos centrais:

  • Dar voz ao Sul Global, ampliando sua influência nas decisões monetárias globais.
  • Reduzir o poder dos EUA, limitando o uso do dólar como arma geopolítica.
  • Oferecer soberania financeira a países que buscam alternativas ao sistema atual.

A posição do Brasil

O Brasil adota uma postura pragmática: fortalece sua participação no BRICS, amplia acordos bilaterais em moedas locais, mas evita romper com o sistema financeiro ocidental. A diplomacia brasileira pode ser peça-chave para atrair outros países latino-americanos ao bloco.

Trump x BRICS: uma escalada de tensões

Durante seu segundo mandato, Donald Trump adotou uma postura agressiva contra o BRICS:

  • Novembro de 2024: ameaçou tarifas de 100% se o bloco tentasse criar uma nova moeda para substituir o dólar como reserva global.
  • Janeiro de 2025: em sua rede “Truth Social”, publicou: “Go find another sucker Nation” (“Vão procurar outra nação otária”), em referência ao BRICS.
  • Fevereiro de 2025: declarou em coletiva que “o BRICS está morto”, alegando que sua ameaça de tarifas de 150% silenciou o grupo.

Em julho de 2025, Trump anunciou tarifas adicionais:

  • 10% sobre importações de países alinhados a políticas “anti-Americanas” do BRICS.
  • 50% sobre produtos brasileiros, após críticas do bloco às políticas dos EUA e menções a manifestações estrangeiras ligadas ao Brasil.

China e demais integrantes classificaram essas medidas como coercitivas e punitivas.

A visão de Trump é clara: o BRICS representa uma ameaça direta à dominância do dólar e à ordem financeira ocidental. A disputa por liderança global e influência monetária está aberta, e o BRICS surge como o primeiro grande rival a desafiar, de fato, a supremacia americana.

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