Zanin relatará ação que tenta barrar efeitos de sanção dos EUA a Moraes

Por Murillo Vazquez
03/08/2025

Publicado em

Noticia oXarope 03082502stf

Cristiano Zanin, ministro do Supremo Tribunal Federal, foi sorteado relator da ação que questiona a validade de sanções impostas pelos Estados Unidos ao também ministro Alexandre de Moraes. A medida busca impedir que bancos e instituições financeiras que atuam no Brasil cumpram a ordem do governo norte-americano, sem aval da Justiça brasileira.

A ofensiva judicial tem como pano de fundo a Lei Magnitsky, um instrumento legal dos EUA que permite punir estrangeiros acusados de violar direitos humanos ou se envolver em corrupção. Moraes foi incluído em uma lista de sanções por sua atuação em decisões envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje réu por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

A ação foi protocolada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que alega que decisões estrangeiras não podem gerar efeitos no Brasil sem homologação prévia do Judiciário nacional. Ele afirma que cabe ao STF proteger a soberania jurídica do país:

“Nenhuma autoridade brasileira pode sofrer efeitos jurídicos dentro do território nacional por decisão estrangeira não homologada e sem amparo no ordenamento interno”, afirmou Lindbergh na ação.

Zanin encaminhou o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR), que deverá emitir parecer antes de qualquer decisão do Supremo. No entanto, o ministro poderá tomar uma decisão provisória se entender que há urgência.

Apesar do embate jurídico, Alexandre de Moraes optou por não recorrer à Justiça norte-americana contra as sanções. Conforme apuração do colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, Moraes solicitou à Advocacia-Geral da União (AGU) que se mantenha inerte em relação ao caso por ora.

Fontes próximas a Moraes indicam desconfiança em relação às instituições americanas, especialmente em um cenário de polarização política e ataques à integridade do Judiciário brasileiro, intensificados após declarações do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que classificou a reação do STF como “caça às bruxas”.

Nos bastidores da AGU, prevalece a leitura de que não há urgência imediata para acionar os tribunais brasileiros. Ainda assim, a conjuntura pode mudar rapidamente — especialmente diante da repercussão internacional da sanção e da pressão sobre o governo brasileiro para se posicionar.

Essa ação toca em um ponto delicado e estratégico: o alcance da soberania nacional frente à pressão de potências internacionais. Quando uma decisão estrangeira tenta impor efeitos sem seguir o devido processo jurídico brasileiro, a democracia entra em alerta. O que está em jogo não é apenas um ministro, mas o princípio de que nenhum país pode ultrapassar os limites da sua jurisdição sem respeito aos marcos legais do outro.

Mais recentes

35 anos da Veracel: como a empresa ajudou a transformar o Sul da Bahia

Quando a Veracel iniciou sua trajetória, em 1991, começava também uma relação de longo prazo com o…

Porto Seguro deve receber quase 340 mil turistas em julho, com crescimento de 11%

Porto Seguro inicia julho com expectativa de receber 339.869 turistas ao longo do mês, um crescimento de…

Rock toma conta da Praça ACM e transforma noite em celebração da música e da cultura

O som das guitarras, a energia do público e o clima de celebração marcaram a noite deste…

Jarley,Natanzinho Lima, Xand Avião e Limão com Mel comandaram noite histórica no Pedrão 2026

A segunda noite do Pedrão 2026 confirmou a força do Maior São Pedro do país. Mesmo sob…

Seleção Brasileira vence Haiti e toma a ponta do Grupo C

Depois da estreia com empate por 1 a 1 contra o Marrocos, o Brasil entrou em campo…

Zanin relatará ação que tenta barrar efeitos de sanção dos EUA a Moraes

Por Murillo Vazquez
03/08/2025 - 10h34 - Atualizado 3 de agosto de 2025

Publicado em

Noticia oXarope 03082502stf

Cristiano Zanin, ministro do Supremo Tribunal Federal, foi sorteado relator da ação que questiona a validade de sanções impostas pelos Estados Unidos ao também ministro Alexandre de Moraes. A medida busca impedir que bancos e instituições financeiras que atuam no Brasil cumpram a ordem do governo norte-americano, sem aval da Justiça brasileira.

A ofensiva judicial tem como pano de fundo a Lei Magnitsky, um instrumento legal dos EUA que permite punir estrangeiros acusados de violar direitos humanos ou se envolver em corrupção. Moraes foi incluído em uma lista de sanções por sua atuação em decisões envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje réu por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

A ação foi protocolada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que alega que decisões estrangeiras não podem gerar efeitos no Brasil sem homologação prévia do Judiciário nacional. Ele afirma que cabe ao STF proteger a soberania jurídica do país:

“Nenhuma autoridade brasileira pode sofrer efeitos jurídicos dentro do território nacional por decisão estrangeira não homologada e sem amparo no ordenamento interno”, afirmou Lindbergh na ação.

Zanin encaminhou o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR), que deverá emitir parecer antes de qualquer decisão do Supremo. No entanto, o ministro poderá tomar uma decisão provisória se entender que há urgência.

Apesar do embate jurídico, Alexandre de Moraes optou por não recorrer à Justiça norte-americana contra as sanções. Conforme apuração do colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, Moraes solicitou à Advocacia-Geral da União (AGU) que se mantenha inerte em relação ao caso por ora.

Fontes próximas a Moraes indicam desconfiança em relação às instituições americanas, especialmente em um cenário de polarização política e ataques à integridade do Judiciário brasileiro, intensificados após declarações do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que classificou a reação do STF como “caça às bruxas”.

Nos bastidores da AGU, prevalece a leitura de que não há urgência imediata para acionar os tribunais brasileiros. Ainda assim, a conjuntura pode mudar rapidamente — especialmente diante da repercussão internacional da sanção e da pressão sobre o governo brasileiro para se posicionar.

Essa ação toca em um ponto delicado e estratégico: o alcance da soberania nacional frente à pressão de potências internacionais. Quando uma decisão estrangeira tenta impor efeitos sem seguir o devido processo jurídico brasileiro, a democracia entra em alerta. O que está em jogo não é apenas um ministro, mas o princípio de que nenhum país pode ultrapassar os limites da sua jurisdição sem respeito aos marcos legais do outro.

Mais recentes

35 anos da Veracel: como a empresa ajudou a transformar o Sul da Bahia

Quando a Veracel iniciou sua trajetória, em 1991, começava também uma relação de longo prazo com o Sul da Bahia. Ao longo de 35 anos,…

Porto Seguro deve receber quase 340 mil turistas em julho, com crescimento de 11%

Porto Seguro inicia julho com expectativa de receber 339.869 turistas ao longo do mês, um crescimento de 11,08% em relação ao mesmo período de 2025….

Rock toma conta da Praça ACM e transforma noite em celebração da música e da cultura

O som das guitarras, a energia do público e o clima de celebração marcaram a noite deste sábado (11), quando a Praça ACM, no Centro…

Jarley,Natanzinho Lima, Xand Avião e Limão com Mel comandaram noite histórica no Pedrão 2026

A segunda noite do Pedrão 2026 confirmou a força do Maior São Pedro do país. Mesmo sob chuva e com o clima típico do inverno,…

Seleção Brasileira vence Haiti e toma a ponta do Grupo C

Depois da estreia com empate por 1 a 1 contra o Marrocos, o Brasil entrou em campo pressionado por resultado e desempenho. Contra o Haiti,…

Pedrão 2026: Gusttavo Lima, Ivete Sangalo e Priscila Senna confirmados no Maior São Pedro do Brasil em Eunápolis

A expectativa cresce em torno do Pedrão 2026, considerado o Maior São Pedro do Brasil. A tradicional festa de Eunápolis, realizada pela Prefeitura Municipal com…

Copa 2026: 12 jogos, 38 gols e três anfitriões em cena

A Copa começou em 11 de junho e, até 14 de junho, teve estes resultados: A primeira rodada já mostrou uma Copa aberta, mas com…

Vini Jr. salva Brasil de derrota contra Marrocos na estreia da Copa 2026

A Seleção Brasileira começou sua caminhada na Copa do Mundo de 2026 com um empate por 1 a 1 contra Marrocos, neste sábado, em Nova…

Polvo de aquário catarinense entra no clima da Copa e vira atração em Balneário Camboriú

A Copa do Mundo de 2026 começou nesta quinta-feira, 11 de junho, com México x África do Sul, no Estádio Azteca, na Cidade do México….

Bahia entra no clima da Copa com nomes inspirados em craques do futebol

A Copa do Mundo de 2026 começa nesta quinta-feira, 11 de junho, e o Brasil estreia no sábado, 13, em busca do tão sonhado hexacampeonato….

São João da Bahia 2026 do Governo do Estado garante festejos juninos em mais de 280 municípios

Mais uma vez, o Governo da Bahia garante a realização dos festejos juninos no interior do estado com o lançamento do São João da Bahia…

Insegurança alimentar cresce nos Estados Unidos e acende alerta sobre custo de vida

A insegurança alimentar voltou a preocupar os Estados Unidos. Uma pesquisa recente do Federal Reserve Bank de Nova York apontou avanço nos relatos de famílias…

Pedrão de Eunápolis se torna Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia

A tradicional Festa do Pedrão, realizada no município de Eunápolis, agora é oficialmente Patrimônio Cultural Imaterial do Estado da Bahia. A conquista foi sancionada por…

TURISMO SUSTENTÁVEL | Porto Seguro regulamenta taxa ambiental e orienta motoristas sobre isenções

A Prefeitura de Porto Seguro regulamentou, por meio da Lei nº 017/2025, a cobrança de uma taxa ambiental diária para veículos automotores que circulam no…

Novas leis ampliam proteção às mulheres e endurecem combate à violência no Brasil

O governo federal anunciou um pacote de novas medidas para ampliar a proteção das mulheres no Brasil. As mudanças incluem criação de cadastro nacional de…

Rolar para cima