
Nos últimos anos, o ambiente escolar passou a enfrentar desafios cada vez mais complexos ligados à desinformação, discursos de ódio e convivência digital. Pensando nisso, a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) abriu inscrições para um curso gratuito voltado à formação de educadores em Direitos Humanos, Diversidades e Educação Midiática.
A formação, intitulada “Curso de Aperfeiçoamento em Educação em Direitos Humanos, Diversidades e Educação Midiática: Práticas com a Escola”, é promovida pela UFU em parceria com o Ministério da Educação (MEC), a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), a Universidade de Brasília (UnB) e o Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM).
O curso será totalmente online, gratuito e contará com certificação de 225 horas. As aulas acontecerão pela plataforma Moodle do Centro de Educação a Distância da UFU (CEaD/UFU), com inscrições abertas até o dia 21 de junho de 2026.
Entre os temas abordados estão:
- Educação midiática;
- Direitos das crianças e adolescentes no ambiente digital;
- Comunicação não violenta;
- Diversidade sexual e de gênero;
- Migrações internacionais;
- Combate à desinformação nas escolas.
A proposta vai além da teoria. Segundo os organizadores, o objetivo é preparar profissionais da educação para lidar com problemas reais vividos diariamente nas escolas brasileiras.
Para mim, o ponto mais importante dessa iniciativa é justamente o olhar prático sobre os conflitos contemporâneos dentro das salas de aula. Em um cenário onde fake news, polarização e violência simbólica chegam cada vez mais cedo aos estudantes, investir na formação crítica de educadores deixa de ser um diferencial e passa a ser uma necessidade urgente.
A terceira edição do curso pretende fortalecer estratégias pedagógicas mais humanas, acolhedoras e conectadas à realidade social dos alunos.
A coordenadora geral do curso e professora da UFU, Gláucia Carvalho Gomes, destacou que esta edição terá foco ainda maior na prática pedagógica.
“O foco agora está ainda mais voltado para a prática pedagógica e para as experiências concretas vividas nas escolas.”
Já o diretor do Departamento de Direitos na Rede e Educação Midiática da Secom, David Almansa, afirmou que a educação midiática se tornou essencial para a formação cidadã na atualidade.
Os números das edições anteriores mostram a dimensão do projeto. Em 2025, mais de 14 mil pessoas demonstraram interesse no curso e mais de 6,5 mil participantes concluíram a formação com aprovação superior a 83%.
Enquanto o debate nacional sobre educação muitas vezes fica preso a disputas ideológicas, iniciativas como essa mostram um caminho mais concreto e necessário: preparar professores para lidar com os impactos reais do mundo digital na vida dos estudantes.
Hoje, boa parte dos conflitos escolares nasce fora da escola, nas redes sociais, nos grupos de mensagens e no excesso de informação sem filtro. O educador moderno já não enfrenta apenas dificuldades pedagógicas tradicionais; ele também precisa mediar conflitos digitais, combater desinformação e ajudar jovens a desenvolver pensamento crítico.
E essa talvez seja a grande força desse curso: entender que educação em direitos humanos não é apenas discurso acadêmico, mas uma ferramenta prática para melhorar convivência, diálogo e cidadania dentro das escolas brasileiras.
A abertura das inscrições para o curso da UFU acontece em um momento em que o Brasil debate intensamente os efeitos da desinformação e das tensões sociais no ambiente educacional. A formação surge como uma tentativa concreta de fortalecer professores e profissionais da educação diante desses desafios contemporâneos.
Mais do que uma capacitação técnica, o projeto busca ampliar o olhar humano dentro das escolas, promovendo respeito, diversidade e consciência crítica em uma sociedade cada vez mais conectada.















