
A empresa Maridt Participações S.A., da qual o ministro do STF Dias Toffoli é sócio, tem capital social declarado de R$ 150 e sede em um imóvel residencial em Marília, interior de São Paulo. A informação foi revelada pela CNN Brasil. Investigadores da Polícia Federal afirmam ter encontrado no celular de Daniel Vorcaro menções a pagamentos de ao menos R$ 20 milhões à empresa.
Segundo reportagem da CNN Brasil, a Maridt Participações S.A. aparece no centro das apurações relacionadas ao Banco Master.
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, é apontado como sócio da companhia. De acordo com a matéria, investigadores da Polícia Federal identificaram, no celular de Daniel Vorcaro, conversas com menções a pagamentos que somariam ao menos R$ 20 milhões à empresa.
A defesa do ministro sustenta que ele não mantém relação pessoal ou financeira com Vorcaro e que sua participação societária é permitida pela Lei Orgânica da Magistratura.
Conforme a CNN Brasil, a Maridt foi criada em 2020 e declara como atividade principal a participação societária em empresas e holdings não financeiras, além da compra e venda de imóveis próprios.
O capital social registrado é de R$ 150. A sede funciona em uma casa localizada na Rua Doutor Zoroastro Gouveia, em Marília, interior paulista. O imóvel pertence a José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro, segundo o contrato social citado pela reportagem.
No registro da Junta Comercial do Estado de São Paulo, o nome de Dias Toffoli não aparece no quadro societário público. Por se tratar de sociedade anônima de capital fechado, apenas administradores precisam constar no documento. São listados como sócios José Eugênio Dias Toffoli e Igor Pires Toffoli, sobrinho do ministro.
Inicialmente, a empresa também incluía outro irmão do magistrado, José Carlos Dias Toffoli, que deixou a sociedade em 2023.
O caso ganha relevância porque a Maridt vendeu participação no resort Tayayá ao Fundo Arleen, estrutura ligada ao Banco Master.
Embora empresas de participação possam operar com capital social reduzido, o contraste entre o valor declarado e as cifras mencionadas na investigação chama atenção.
Para mim, o ponto central não é apenas a estrutura formal da empresa, mas o impacto institucional que a informação produz. Quando o nome de um ministro do Supremo aparece vinculado a investigações financeiras de grande porte, o debate ultrapassa a esfera técnica.
A divulgação da reportagem aumentou a pressão sobre o ministro, que é relator de processos ligados ao Banco Master no STF.
A Polícia Federal já entregou relatório ao presidente da Corte, Edson Fachin, com dados extraídos do celular de Vorcaro. A defesa de Toffoli classificou como ilações as menções feitas ao seu nome.
Nos bastidores políticos, partidos discutem medidas e avaliam eventual questionamento sobre a permanência do ministro na relatoria.
Sede residencial e capital simbólico não são incomuns no Brasil. O problema surge quando essas estruturas passam a integrar investigações de grande impacto financeiro e institucional.
O Supremo Tribunal Federal representa a instância máxima do Judiciário. Nesse ambiente, a exigência de transparência é ainda maior.
A sociedade não observa apenas a legalidade. Observa também a coerência entre função pública e relações privadas.
A informação revelada pela CNN Brasil adiciona novos elementos ao caso envolvendo a Maridt, o Banco Master e o ministro Dias Toffoli.
As investigações seguem em andamento, e o ministro nega qualquer irregularidade. O debate, agora, é sobre a compatibilidade entre atuação societária e responsabilidade institucional.
Em momentos de tensão política, transparência e clareza são fundamentais para preservar a confiança pública.
Fonte: CNN Brasil
















