Entre crise e articulação internacional, Flávio Bolsonaro busca novo fôlego político

Flávio Bolsonaro intensifica aproximação com Donald Trump, pede classificação do PCC e CV como terroristas e tenta virar a página da crise política envolvendo sua pré-campanha.

Por Murillo Vazquez
26/05/2026

Publicado em

Noticia oXarope_poitica__1260526_1

Nos bastidores da política internacional, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) transformou uma visita à Casa Branca em um gesto estratégico para fortalecer sua pré-candidatura presidencial em 2026. Em Washington, ele se reuniu com Donald Trump e levou uma pauta explosiva: pedir que os Estados Unidos classifiquem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

O encontro aconteceu em meio ao desgaste político provocado pela divulgação de mensagens envolvendo o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. A movimentação internacional surge como tentativa clara de reposicionar a imagem de Flávio Bolsonaro diante da opinião pública e reforçar sua conexão com o trumpismo americano.

Durante coletiva após a reunião, Flávio afirmou que nunca antes um presidente dos Estados Unidos recebeu um pré-candidato brasileiro no Salão Oval em pleno ano eleitoral. Segundo ele, isso seria um reconhecimento internacional de sua candidatura.

O senador também negou qualquer crise em sua campanha:

“Campanha tem altos e baixos. Não tem nenhuma crise na minha campanha.”

A declaração busca minimizar os impactos políticos recentes, principalmente após o caso Vorcaro ganhar repercussão nacional.

O principal ponto político do encontro foi o pedido para que o governo americano considere PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.

Segundo Flávio Bolsonaro:

“Essas organizações corrompem agentes públicos, infiltram instituições, intimidam testemunhas e coordenam atentados.”

Caso os Estados Unidos avancem nesse reconhecimento, o impacto pode ser enorme nas relações diplomáticas, financeiras e de segurança entre Brasil e EUA. Organizações classificadas como terroristas passam a enfrentar sanções internacionais mais rígidas, bloqueios financeiros e cooperação ampliada entre agências de inteligência.

Para mim, o que mais chama atenção é como o debate sobre segurança pública brasileira começa a ultrapassar as fronteiras nacionais. Isso mostra que o crime organizado deixou de ser apenas um problema interno e passou a influenciar diretamente a imagem internacional do Brasil.

Além da pauta de segurança, Flávio afirmou que discutiu com Trump tarifas comerciais, investimentos estratégicos e exploração de terras raras. O senador prometeu reconstruir relações comerciais entre os dois países caso seja eleito em 2026.

Outro ponto simbólico foi a participação do estrategista republicano Jason Miller, figura conhecida no núcleo político do trumpismo e aliado frequente do bolsonarismo brasileiro.

Nos bastidores, a reunião teria sido articulada por aliados próximos ao secretário de Estado americano Marco Rubio, com participação direta de Eduardo Bolsonaro e do influenciador Paulo Figueiredo.

A presença desse grupo reforça uma estratégia já conhecida: aproximar o bolsonarismo brasileiro da direita conservadora americana para fortalecer narrativas eleitorais e ampliar influência internacional. Enquanto Brasília vive disputas políticas quase permanentes, o cidadão comum continua preocupado com problemas muito mais imediatos: violência, custo de vida e insegurança econômica.

A discussão sobre classificar facções criminosas como terroristas pode parecer distante para muita gente, mas ela toca num ponto real: o crescimento do poder paralelo do crime organizado no Brasil. Ao mesmo tempo, o uso político desse tema também é evidente. Segurança pública virou um dos maiores ativos eleitorais da direita brasileira, especialmente em momentos de desgaste político.

O desafio é separar discurso eleitoral de ações concretas. Porque no fim das contas, quem sofre diariamente com o avanço das facções não está em Washington nem em Brasília. Está nas periferias, nas pequenas cidades e nas famílias que convivem com medo constante. O encontro entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump marca mais um capítulo da internacionalização do bolsonarismo e mostra como a eleição de 2026 já começou nos bastidores.

Ao levar aos EUA a proposta de classificar PCC e CV como organizações terroristas, Flávio tenta assumir protagonismo no debate sobre segurança pública e reconstruir sua imagem política após semanas turbulentas.

Resta saber se a estratégia conseguirá transformar apoio internacional em força eleitoral dentro do Brasil.

Mais recentes

“NÃO FICAREI DE BRAÇOS CRUZADOS”: prefeito JÂNIO NATAL se manifesta sobre decisão que atinge território da Aldeia Velha

O prefeito de Porto Seguro, Jânio Natal, se manifestou publicamente nesta terça-feira, 2, sobre a decisão judicial…

Lula desafia tarifaço dos EUA e chama Trump para testar o Pix

O presidente Lula reagiu, nesta terça-feira, em Catalão, Goiás, à proposta dos Estados Unidos de aplicar uma…

Marcelo Emerenciano lembra que Salvador chegou ao último lugar em alfabetização sob o grupo de ACM Neto

“ACM Neto fala em humilhar o governador, mas quem deveria se explicar é ele. Foi na gestão…

Corpus Christis: TRE-BA terá atendimento suspenso nos dias 4 e 5 de junho

Nos dias 4 e 5 de junho, quinta e sexta-feira, respectivamente, o expediente estará suspenso nas secretarias…

“Nada supera o trabalho e a verdade”, diz Éden após pesquisa Big Data apontar liderança de Lula

O secretário Nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, comentou a pesquisa Real Time Big Data, divulgada…

Entre crise e articulação internacional, Flávio Bolsonaro busca novo fôlego político

Flávio Bolsonaro intensifica aproximação com Donald Trump, pede classificação do PCC e CV como terroristas e tenta virar a página da crise política envolvendo sua pré-campanha.

Por Murillo Vazquez
26/05/2026 - 23h00 - Atualizado 27 de maio de 2026

Publicado em

Noticia oXarope_poitica__1260526_1

Nos bastidores da política internacional, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) transformou uma visita à Casa Branca em um gesto estratégico para fortalecer sua pré-candidatura presidencial em 2026. Em Washington, ele se reuniu com Donald Trump e levou uma pauta explosiva: pedir que os Estados Unidos classifiquem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

O encontro aconteceu em meio ao desgaste político provocado pela divulgação de mensagens envolvendo o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. A movimentação internacional surge como tentativa clara de reposicionar a imagem de Flávio Bolsonaro diante da opinião pública e reforçar sua conexão com o trumpismo americano.

Durante coletiva após a reunião, Flávio afirmou que nunca antes um presidente dos Estados Unidos recebeu um pré-candidato brasileiro no Salão Oval em pleno ano eleitoral. Segundo ele, isso seria um reconhecimento internacional de sua candidatura.

O senador também negou qualquer crise em sua campanha:

“Campanha tem altos e baixos. Não tem nenhuma crise na minha campanha.”

A declaração busca minimizar os impactos políticos recentes, principalmente após o caso Vorcaro ganhar repercussão nacional.

O principal ponto político do encontro foi o pedido para que o governo americano considere PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.

Segundo Flávio Bolsonaro:

“Essas organizações corrompem agentes públicos, infiltram instituições, intimidam testemunhas e coordenam atentados.”

Caso os Estados Unidos avancem nesse reconhecimento, o impacto pode ser enorme nas relações diplomáticas, financeiras e de segurança entre Brasil e EUA. Organizações classificadas como terroristas passam a enfrentar sanções internacionais mais rígidas, bloqueios financeiros e cooperação ampliada entre agências de inteligência.

Para mim, o que mais chama atenção é como o debate sobre segurança pública brasileira começa a ultrapassar as fronteiras nacionais. Isso mostra que o crime organizado deixou de ser apenas um problema interno e passou a influenciar diretamente a imagem internacional do Brasil.

Além da pauta de segurança, Flávio afirmou que discutiu com Trump tarifas comerciais, investimentos estratégicos e exploração de terras raras. O senador prometeu reconstruir relações comerciais entre os dois países caso seja eleito em 2026.

Outro ponto simbólico foi a participação do estrategista republicano Jason Miller, figura conhecida no núcleo político do trumpismo e aliado frequente do bolsonarismo brasileiro.

Nos bastidores, a reunião teria sido articulada por aliados próximos ao secretário de Estado americano Marco Rubio, com participação direta de Eduardo Bolsonaro e do influenciador Paulo Figueiredo.

A presença desse grupo reforça uma estratégia já conhecida: aproximar o bolsonarismo brasileiro da direita conservadora americana para fortalecer narrativas eleitorais e ampliar influência internacional. Enquanto Brasília vive disputas políticas quase permanentes, o cidadão comum continua preocupado com problemas muito mais imediatos: violência, custo de vida e insegurança econômica.

A discussão sobre classificar facções criminosas como terroristas pode parecer distante para muita gente, mas ela toca num ponto real: o crescimento do poder paralelo do crime organizado no Brasil. Ao mesmo tempo, o uso político desse tema também é evidente. Segurança pública virou um dos maiores ativos eleitorais da direita brasileira, especialmente em momentos de desgaste político.

O desafio é separar discurso eleitoral de ações concretas. Porque no fim das contas, quem sofre diariamente com o avanço das facções não está em Washington nem em Brasília. Está nas periferias, nas pequenas cidades e nas famílias que convivem com medo constante. O encontro entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump marca mais um capítulo da internacionalização do bolsonarismo e mostra como a eleição de 2026 já começou nos bastidores.

Ao levar aos EUA a proposta de classificar PCC e CV como organizações terroristas, Flávio tenta assumir protagonismo no debate sobre segurança pública e reconstruir sua imagem política após semanas turbulentas.

Resta saber se a estratégia conseguirá transformar apoio internacional em força eleitoral dentro do Brasil.

Mais recentes

“NÃO FICAREI DE BRAÇOS CRUZADOS”: prefeito JÂNIO NATAL se manifesta sobre decisão que atinge território da Aldeia Velha

O prefeito de Porto Seguro, Jânio Natal, se manifestou publicamente nesta terça-feira, 2, sobre a decisão judicial que envolve a desapropriação de parte do território…

Lula desafia tarifaço dos EUA e chama Trump para testar o Pix

O presidente Lula reagiu, nesta terça-feira, em Catalão, Goiás, à proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Em tom…

Marcelo Emerenciano lembra que Salvador chegou ao último lugar em alfabetização sob o grupo de ACM Neto

“ACM Neto fala em humilhar o governador, mas quem deveria se explicar é ele. Foi na gestão dele que Salvador implantou o Pé na Escola,…

Corpus Christis: TRE-BA terá atendimento suspenso nos dias 4 e 5 de junho

Nos dias 4 e 5 de junho, quinta e sexta-feira, respectivamente, o expediente estará suspenso nas secretarias do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), bem…

“Nada supera o trabalho e a verdade”, diz Éden após pesquisa Big Data apontar liderança de Lula

O secretário Nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, comentou a pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta segunda-feira (1º), que aponta uma vantagem de…

Jerônimo anuncia hospital estadualizado, adutora e centro de abastecimento para o Piemonte Norte do Itapicuru

Nos momentos que antecederam a plenária do Programa de Governo Participativo (PGP 2026), realizada neste domingo (31), em Senhor do Bonfim, o governador Jerônimo Rodrigues…

Regras da pré-campanha entram em nova fase e liberam propaganda intrapartidária a partir de julho

A corrida eleitoral de 2026 entrará em uma nova etapa a partir de 5 de julho. Nessa data, pré-candidatos aos cargos em disputa poderão iniciar…

Deputada Cláudia Oliveira entrega ambulância e barracas da economia solidária em Canavieiras

A deputada estadual Cláudia Oliveira realizou, nesta semana, a entrega de uma ambulância para o município de Canavieiras, fruto de emenda parlamentar do seu mandato….

Jerônimo diz que prefeitos “desalojados” por ACM Neto serão bem recebidos na base governista

O governador Jerônimo Rodrigues fez, neste sábado (30), em Paulo Afonso, um convite direto aos gestores municipais da oposição que se sentiram desvalorizados pelas declarações…

Plenária lotada destaca a força do PGP e da escuta popular na Bahia

Com plenárias lotadas, o Programa de Governo Participativo (PGP 2026) realizou mais uma etapa da série de Encontros para o Futuro em Paulo Afonso, neste…

Câmara presta contas dos primeiros 4 meses de 2026 e recebe prestação de contas do Executivo

A Câmara Municipal de Eunápolis realizou nesta sexta-feira, 29 de maio, a Audiência Pública de Prestação de Contas referente ao primeiro quadrimestre de 2026. Durante…

Rui Costa critica postura de “tanto faz” da oposição sobre disputa presidencial

O ex-ministro da Casa Civil e pré-candidato ao Senado participou, nesta sexta-feira (29), da 9ª edição do Periferia de Direitos, promovida pela Secretaria-Geral da Presidência…

Mais de 50 prefeitos da região cacaueira se unem por reeleição histórica de Jerônimo Rodrigues

Mais de 50 prefeitos ligados à Associação dos Municípios do Sul, Extremo Sul e Sudoeste da Bahia (Amurc) se reuniram em Ilhéus, nesta quinta-feira (28),…

“Quem mais fala nunca fez nada por Ilhéus”, dispara Rui Costa ao rebater críticas sobre obras em ano eleitoral

O ex-ministro da Casa Civil e pré-candidato ao Senado pela Bahia, Rui Costa, rebateu nesta quinta-feira (28) a narrativa de oposicionistas de que anúncios de…

Vereador Porrola solicita ações para levar REURB Rural para a Colônia

A Câmara Municipal de Eunápolis recebeu, em 28 de maio, indicação do vereador Raimundo Porrola Júnior (PSD) solicitando ao Executivo Municipal a adoção de medidas…

Rolar para cima