A produção de grãos no Nordeste deve alcançar 28,3 milhões de toneladas em 2026, crescimento de 2,2 por cento em relação à safra anterior. A projeção é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e aponta o Piauí como principal destaque regional.

A análise foi elaborada pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste, vinculado ao Banco do Nordeste, a partir das estimativas oficiais do IBGE. O estudo indica que o desempenho positivo da região será puxado principalmente por Piauí, Ceará e Paraíba.
Mesmo diante de um cenário nacional de retração, o Nordeste segue na contramão, sustentando crescimento apoiado no fortalecimento do agronegócio e na ampliação da produtividade agrícola.
O Piauí deverá adicionar 956,6 mil toneladas à produção regional, configurando o segundo maior crescimento absoluto do País. Esse desempenho tem impacto direto sobre o resultado do Nordeste e reforça o papel estratégico do estado na produção de grãos.
As projeções indicam avanço expressivo na cultura da soja, com crescimento estimado de 15,7 por cento, o equivalente a 563,8 mil toneladas adicionais. Já o milho deve registrar alta de 27,7 por cento, com acréscimo de 452,7 mil toneladas em relação à safra passada.
Segundo a analista do Etene, Hellen Cristina Rodrigues Saraiva Leão, o resultado positivo decorre de fatores combinados, como ampliação da área plantada, expectativa de condições climáticas favoráveis e avanço da modernização tecnológica no campo.
De acordo com a pesquisadora, práticas de agricultura de precisão, como uso de bioinsumos, sementes de alta qualidade, monitoramento remoto das lavouras, mapeamento de pragas e pulverização seletiva, têm elevado a produtividade por hectare e garantido ganhos consistentes.
Ela destaca ainda que o agronegócio responde por cerca de 94 por cento da produção agrícola do estado, consolidando o setor como principal motor da expansão econômica piauiense.
Os números confirmam uma mudança estrutural em curso no Nordeste. Enquanto outras regiões enfrentam retração, estados como o Piauí mostram que investimento em tecnologia, planejamento e adaptação climática faz diferença. Não se trata apenas de produzir mais, mas de produzir melhor, com eficiência e visão de longo prazo.
Esse avanço tem reflexos diretos na geração de renda, na interiorização do desenvolvimento e na redução das desigualdades regionais, especialmente em áreas historicamente menos favorecidas.
No cenário brasileiro, o IBGE projeta produção total de 339,9 milhões de toneladas de grãos em 2026. O volume representa queda de 1,8 por cento em relação à Safra 2025, o que torna o desempenho do Nordeste ainda mais relevante no contexto nacional.
As projeções para a Safra 2026 reforçam o protagonismo do Nordeste no agronegócio brasileiro, com destaque absoluto para o Piauí. O crescimento regional, sustentado por tecnologia e expansão produtiva, aponta para um novo ciclo de desenvolvimento agrícola, mais competitivo e estratégico para a economia do País.

















