A inflação voltou a subir na Região Metropolitana de Salvador com alta de 0,47% em janeiro segundo o IPCA-15 divulgado pelo IBGE nesta segunda-feira (27). É a maior prévia para o mês em três anos e a 3ª mais alta do país.

O IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação oficial e reflete os preços coletados entre os dias 13 de dezembro de 2025 e 14 de janeiro de 2026. Na RMS a taxa de 0,47% representa uma leve aceleração em relação ao mês anterior (0,41%) superando também a média nacional de 0,20%.
Esse é o maior índice registrado em um mês de janeiro na região desde 2023 quando chegou a 0,60%. Salvador ficou atrás apenas de Recife (0,64%) e Rio de Janeiro (0,54%) entre os 11 locais pesquisados. Enquanto isso São Paulo (-0,04%) e Belém (-0,03%) apresentaram deflação.

No acumulado de 12 meses a RMS registra inflação de 4,00% ainda abaixo da média nacional (4,50%) e o 3º menor índice entre as áreas analisadas.
Dos nove grupos de produtos e serviços monitorados oito apresentaram alta. Os maiores impactos vieram de alimentos e bebidas (0,67%) e transportes (0,66%).
Alimentos seguem pesando no bolso das famílias tanto nas compras de casa quanto em refeições fora. Destaque para a cebola (28,64%) e o tomate (17,08%). A alimentação fora de casa subiu 1,08% com altas em refeições como almoço e jantar.
Nos transportes os aumentos da gasolina (0,88%) do aluguel de veículos (26,87%) e do ônibus urbano (1,15%) foram os principais responsáveis pela pressão no custo de vida. A passagem aérea teve queda de 3,00% ajudando a conter um pouco o avanço do grupo.
O maior aumento percentual veio do grupo comunicação (0,77%) puxado pelo aparelho telefônico (3,08%) e pelo combo de serviços de telecomunicações (0,76%) embora tenha peso menor no orçamento familiar.
Segundo o IBGE a energia elétrica residencial caiu 2,43% sendo o item que mais puxou o índice para baixo. Essa redução fez com que o grupo habitação registrasse deflação de 0,50%. O gás de botijão também recuou (-1,97%).
Por outro lado o aluguel residencial subiu 1,50% o que limitou uma queda ainda maior nos custos com habitação. Apesar da deflação em janeiro esse grupo tem a maior alta acumulada em 12 meses (7,59%).
O que mais chama atenção nesse início de 2026 é a força dos aumentos em itens básicos e indispensáveis. Quando o preço da comida sobe como vimos com a cebola o tomate e até o almoço fora de casa o impacto direto é sentido nas mesas da população mais vulnerável.
Além disso os aumentos nos transportes atingem não só quem tem carro com a gasolina mas também quem depende do ônibus para trabalhar ou estudar. Mesmo com a queda na energia elétrica os custos de moradia continuam altos.
Enquanto os índices nacionais mostram desaceleração Salvador ainda enfrenta desafios para controlar o custo de vida e isso diz muito sobre a desigualdade regional que persiste no país.
Com inflação em alta e preços pressionando especialmente itens de alimentação e transporte o cenário na RMS exige atenção. A prévia de janeiro pode ser um sinal do que está por vir e os dados reforçam a necessidade de políticas locais que aliviem o peso no bolso da população.

















