
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, acumulou alta de 3,44% entre janeiro e julho de 2026. Em 12 meses, a inflação ficou em 4,44%, abaixo dos 4,64% acumulados até junho. Em julho de 2025, o índice mensal havia sido de 0,26%.
A desaceleração não significa que todos os preços caíram. O grupo Habitação avançou 0,99% e exerceu pressão sobre o índice. Do outro lado da balança, Alimentação e bebidas caiu 0,67%, com impacto negativo de 0,14 ponto percentual sobre o IPCA. Vestuário também registrou queda, enquanto Saúde e cuidados pessoais ficou entre os grupos que subiram.
Dentro de casa, a diferença foi ainda mais clara. A alimentação no domicílio recuou 1,14%. O tomate despencou 29,09%, a batata-inglesa caiu 19,59%, a cenoura teve redução de 14,41% e o café moído ficou 2,45% mais barato.
É o tipo de movimento que muda a fotografia da feira de uma semana pra outra. Tomate e batata, por exemplo, têm peso visível no carrinho e costumam provocar aquela conta mental rápida na banca: levo hoje ou espero baixar?
A Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, feita por Conab e Dieese, reforçou esse cenário. Em julho, 26 das 27 capitais brasileiras registraram redução no custo do conjunto de alimentos básicos. Apenas São Luís apresentou alta, de 0,3%.
As maiores quedas ocorreram em Natal, com 7,95%; Maceió, 7,87%; Belo Horizonte, 7,44%; Palmas, 7,38%; e Rio de Janeiro, 7,12%. Brasília, João Pessoa, Salvador, Fortaleza, Florianópolis e Cuiabá também tiveram reduções superiores a 6%.
Mesmo caindo 5,23%, São Paulo continuou com a cesta mais cara do país, a R$ 915,01. Depois aparecem Cuiabá, com R$ 881,27, Florianópolis, com R$ 860,73, e Rio de Janeiro, com R$ 855,37. Entre os menores valores levantados estavam Aracaju, Maceió, Natal e João Pessoa.
Inflação de 0,07% parece quase nada quando vista sozinha. Só que inflação não é uma planilha distante da vida comum. É o preço do café da manhã, da passagem, da energia, do remédio, da gasolina e daquela compra de supermercado que muitas famílias já fazem com calculadora aberta no celular.
A boa notícia de julho está justamente nos alimentos. Quando produtos básicos recuam ao mesmo tempo, o alívio chega com mais rapidez às famílias de renda menor, porque comida ocupa uma parcela maior do orçamento doméstico.
Pra mim, o que chama atenção é justamente essa distância entre o índice geral e a vida real. Um número de 0,07% cabe numa linha de relatório; já uma batata quase 20% mais barata ou um tomate perto de 30% abaixo do mês anterior aparece na sacola, na feira e na conversa dentro de casa.
O movimento também alcançou os combustíveis. O grupo Transportes avançou apenas 0,05%, mesmo com alta expressiva das passagens aéreas. Os combustíveis tiveram redução no mês, com quedas da gasolina, do etanol, do diesel e do gás veicular.
Esse recuo ajuda a conter custos que se espalham pela economia. Combustível mais barato não pesa apenas no tanque do carro. Entra no transporte de mercadorias, na logística das empresas e, mais cedo ou mais tarde, no preço de uma série de produtos.
A explicação para parte da queda dos alimentos passa pela oferta.
Segundo a Conab, a redução da batata esteve relacionada à intensificação da safra de inverno e à melhora da produtividade. O tomate também chegou em maior quantidade ao mercado, favorecido pela produção nas regiões em período de safra e pelas condições que aceleraram a maturação dos frutos.
O café em pó ficou mais barato em 23 capitais pesquisadas pela Conab e pelo Dieese. Já o açúcar caiu em 20 capitais, movimento associado, entre outros fatores, ao grande volume de cana-de-açúcar colhido.
Nem tudo, porém, seguiu a mesma direção. O leite subiu em 21 capitais, enquanto o feijão apresentou aumento em 17 e redução em dez. Na carne bovina de primeira, 14 cidades registraram queda, 12 tiveram alta e Porto Alegre apresentou estabilidade.
Essa mistura ajuda a entender por que a sensação de inflação varia tanto de uma família pra outra. Quem compra mais hortaliças sentiu julho de um jeito. Quem teve despesas maiores com habitação, saúde ou determinados alimentos pode ter percebido outra realidade.
Nas regiões acompanhadas pelo IPCA, várias cidades registraram desaceleração em relação a junho. Aracaju, Belo Horizonte, Curitiba, Salvador e Belém chegaram a apresentar índice mensal negativo, situação conhecida como deflação, quando a média dos preços pesquisados cai.
Julho entregou uma combinação que o consumidor queria ver havia algum tempo: inflação quase parada e comida mais barata em boa parte do país.
O IPCA de 0,07% mostra perda de pressão sobre os preços, enquanto a queda da cesta básica em 26 capitais dá ao resultado uma dimensão mais concreta. Não resolve o aperto acumulado nem transforma supermercado em lugar barato da noite pro dia, mas abre uma pequena folga no orçamento.
Agora, mais importante do que comemorar um mês isolado será observar se esse alívio consegue atravessar agosto, setembro e chegar ao fim do ano. Porque inflação baixa é notícia; preço que cabe no bolso é o que realmente muda a vida.














