Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%. A vantagem foi de 4.430.191 votos, uma diferença de 3,58 pontos percentuais, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A vitória assegura ao petista seu quarto mandato e a continuidade no Palácio do Planalto. Lula foi considerado matematicamente eleito às 21h08, quando 97,69% da apuração estava concluída. A totalização terminou às 22h33. A posse será em 5 de janeiro de 2027, conforme informa a Agência Senado.
O resultado representa uma virada em relação ao primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Naquela votação, Flávio terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Em três semanas, o presidente conseguiu reverter a desvantagem e conquistar a reeleição.
O comparecimento também aumentou. Dos mais de 158 milhões de eleitores aptos, 128,2 milhões foram às urnas. A abstenção ficou em aproximadamente 19,2%, abaixo dos 21,08% registrados na primeira rodada. Os números, isoladamente, não permitem atribuir a mudança no resultado a um único fator.
Na Bahia, Lula obteve 71,31% dos votos válidos, segundo o painel de apuração da Band. O desempenho reforçou a vantagem do presidente no Nordeste, região em que venceu nos nove estados.
A eleição foi marcada pela prorrogação da votação até as 19h nas seções que ainda estavam abertas, após decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal. As urnas já encerradas não foram reabertas. Segundo o TSE, a medida exigiu adaptações operacionais e a suspensão temporária do recebimento dos boletins de urna.
Flávio Bolsonaro não reconheceu imediatamente a derrota e anunciou que pretende contestar o resultado, questionando a extensão do horário. Conforme reportagem da Folha de S.Paulo, a própria campanha do candidato também havia solicitado ampliação da votação, alegando dificuldades provocadas pelo clima no Sul.
No próximo mandato, a articulação política será um dos principais desafios. Segundo levantamento apresentado pela CNN Brasil, o PL terá 121 deputados federais e uma bancada de 28 senadores na nova legislatura. A federação formada por PT, PCdoB e PV contará com 88 deputados. Essa composição amplia a necessidade de acordos com partidos de centro para aprovar propostas do Executivo.
A cientista social Débora Messenberg, da Universidade de Brasília, avalia que o cenário será adverso, embora reconheça a experiência de Lula na construção de alianças. Após a vitória, o presidente afirmou que respeitará a composição do Legislativo escolhida pelos eleitores e trabalhará com os parlamentares eleitos.
Na economia, a tarefa será conciliar promessas de ampliação de programas sociais e investimentos com a pressão sobre o Orçamento. Segundo reportagem da Exame, que cita avaliação da Moody’s Ratings, o avanço da dívida e a rigidez das despesas obrigatórias restringem a margem de ação do governo. Mudanças relevantes dependerão de negociação com o Congresso.
Durante a campanha, Lula defendeu a manutenção do arcabouço fiscal e a redução gradual do déficit. A definição das prioridades de gastos, das fontes de financiamento e dos acordos parlamentares será decisiva para transformar as promessas eleitorais em medidas de governo.
















