Lula sanciona reajuste no Legislativo e veta dispositivos que furariam o teto constitucional

Lula sanciona reajuste no Legislativo para 2026, mas veta trechos que poderiam ultrapassar o teto constitucional e contrariar a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Por Murillo Vazquez
18/02/2026

Publicado em

NOTICIA OXAROPE 180226001Ricardo Stuckert_PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou parcialmente leis que reajustam salários e modernizam carreiras da Câmara, Senado e TCU para 2026. Ao mesmo tempo, vetou dispositivos que poderiam gerar despesas além do teto constitucional e comprometer a responsabilidade fiscal.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou parcialmente as Leis nº 15.349, 15.350 e 15.351, que tratam das carreiras da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do Tribunal de Contas da União.

As normas mantêm a recomposição remuneratória prevista para 2026 e promovem mudanças estruturais nas carreiras. As sanções e os vetos foram publicados no Diário Oficial da União nesta quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026.

Entre os pontos sancionados está a substituição das gratificações atuais pela Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico, de natureza remuneratória e sujeita ao teto constitucional. Também foi reconhecido o caráter típico de Estado das três carreiras, ampliando a segurança jurídica dos servidores.

No caso do TCU, houve ainda ampliação de cargos, elevação de funções de confiança e exigência de nível superior para todos os postos.

O principal debate gira em torno do equilíbrio entre valorização do serviço público e responsabilidade fiscal.

Lula vetou dispositivos que previam escalonamento de reajustes até 2029. Segundo o governo, fixar aumentos para exercícios posteriores ao atual mandato contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal, que proíbe a criação de despesa obrigatória nos últimos quadrimestres do mandato sem previsão de execução integral dentro dele.

Também foram barrados trechos que autorizavam pagamentos retroativos de despesas continuadas, por afronta ao artigo 169 da Constituição Federal de 1988.

Para mim, o ponto central não é apenas o reajuste em si, mas o sinal político. Em ano eleitoral, qualquer medida que envolva aumento de gastos no Legislativo ganha peso simbólico. O governo tentou manter a recomposição salarial, mas sem abrir brechas que pudessem gerar desgaste fiscal.

Outro veto relevante atingiu a criação de licença compensatória para servidores em funções comissionadas e de assessoramento. O texto permitia a conversão desses dias em indenização.

Na prática, isso poderia elevar os rendimentos acima do teto constitucional do serviço público, hoje fixado em R$ 46.366,19. O governo argumentou que, em determinadas hipóteses, os valores ultrapassariam esse limite.

Também foram vetadas regras de cálculo semestral para aposentadorias e pensões, consideradas incompatíveis com a Emenda Constitucional 103 de 2019.

O discurso oficial reforça que os vetos visam preservar o equilíbrio das contas públicas e evitar questionamentos jurídicos futuros.

O episódio revela uma tensão permanente em Brasília. De um lado, a necessidade de atualizar carreiras estratégicas do Estado. De outro, a pressão por rigor fiscal em um país que ainda enfrenta limitações orçamentárias.

Ao manter o reajuste para 2026 e vetar escalonamentos futuros, Lula buscou um meio-termo. Garante previsibilidade imediata aos servidores, mas evita comprometer o próximo mandato com despesas já contratadas.

Enquanto o debate técnico cita artigos e incisos da lei, o cidadão comum observa com lupa qualquer reajuste no alto escalão. A percepção pública é sensível, especialmente quando o teto constitucional entra na conversa.

No fim, o gesto político parece claro: valorizar as instituições, mas sem abrir espaço para interpretações de privilégio.

A sanção parcial das leis do Legislativo mantém o reajuste para 2026 e moderniza carreiras estratégicas. Ao mesmo tempo, os vetos reforçam o compromisso formal com o teto constitucional e a responsabilidade fiscal.

O tema agora pode retornar ao Congresso, que tem a prerrogativa de analisar os vetos presidenciais. Resta saber se o Parlamento manterá a linha de contenção ou tentará reverter parte das decisões.

Mais recentes

Secretário da segurança pública da Bahia ressalta garantia do direito ao voto

O secretário da segurança pública da Bahia, Marcelo Werner, ressaltou nesta sexta-feira (23), que as Forças Policiais…

Lula e Flávio aparecem separados por 1,2 ponto em pesquisa

Pesquisa Vox Brasil divulgada nesta sexta-feira, 23 de outubro, mostra Lula com 50,6% dos votos válidos e…

Entre Lula e Flávio, a melhor escolha exige olhar além das promessas

Comparar as propostas de Lula e Flávio Bolsonaro exige uma pergunta que costuma ficar em segundo plano…

Prefeitura de Eunápolis anuncia transporte coletivo gratuito no domingo de eleição (25)

A Prefeitura de Eunápolis informa que o transporte coletivo municipal será gratuito neste domingo (25), dia do…

Disputa acirrada no TSE e pressão sobre a Meta marcam reta final da eleição presidencial

A três dias do segundo turno presidencial, marcado para este domingo (25), a corrida pelo Palácio do…

Lula sanciona reajuste no Legislativo e veta dispositivos que furariam o teto constitucional

Lula sanciona reajuste no Legislativo para 2026, mas veta trechos que poderiam ultrapassar o teto constitucional e contrariar a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Por Murillo Vazquez
18/02/2026 - 12h03 - Atualizado 18 de fevereiro de 2026

Publicado em

NOTICIA OXAROPE 180226001Ricardo Stuckert_PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou parcialmente leis que reajustam salários e modernizam carreiras da Câmara, Senado e TCU para 2026. Ao mesmo tempo, vetou dispositivos que poderiam gerar despesas além do teto constitucional e comprometer a responsabilidade fiscal.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou parcialmente as Leis nº 15.349, 15.350 e 15.351, que tratam das carreiras da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do Tribunal de Contas da União.

As normas mantêm a recomposição remuneratória prevista para 2026 e promovem mudanças estruturais nas carreiras. As sanções e os vetos foram publicados no Diário Oficial da União nesta quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026.

Entre os pontos sancionados está a substituição das gratificações atuais pela Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico, de natureza remuneratória e sujeita ao teto constitucional. Também foi reconhecido o caráter típico de Estado das três carreiras, ampliando a segurança jurídica dos servidores.

No caso do TCU, houve ainda ampliação de cargos, elevação de funções de confiança e exigência de nível superior para todos os postos.

O principal debate gira em torno do equilíbrio entre valorização do serviço público e responsabilidade fiscal.

Lula vetou dispositivos que previam escalonamento de reajustes até 2029. Segundo o governo, fixar aumentos para exercícios posteriores ao atual mandato contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal, que proíbe a criação de despesa obrigatória nos últimos quadrimestres do mandato sem previsão de execução integral dentro dele.

Também foram barrados trechos que autorizavam pagamentos retroativos de despesas continuadas, por afronta ao artigo 169 da Constituição Federal de 1988.

Para mim, o ponto central não é apenas o reajuste em si, mas o sinal político. Em ano eleitoral, qualquer medida que envolva aumento de gastos no Legislativo ganha peso simbólico. O governo tentou manter a recomposição salarial, mas sem abrir brechas que pudessem gerar desgaste fiscal.

Outro veto relevante atingiu a criação de licença compensatória para servidores em funções comissionadas e de assessoramento. O texto permitia a conversão desses dias em indenização.

Na prática, isso poderia elevar os rendimentos acima do teto constitucional do serviço público, hoje fixado em R$ 46.366,19. O governo argumentou que, em determinadas hipóteses, os valores ultrapassariam esse limite.

Também foram vetadas regras de cálculo semestral para aposentadorias e pensões, consideradas incompatíveis com a Emenda Constitucional 103 de 2019.

O discurso oficial reforça que os vetos visam preservar o equilíbrio das contas públicas e evitar questionamentos jurídicos futuros.

O episódio revela uma tensão permanente em Brasília. De um lado, a necessidade de atualizar carreiras estratégicas do Estado. De outro, a pressão por rigor fiscal em um país que ainda enfrenta limitações orçamentárias.

Ao manter o reajuste para 2026 e vetar escalonamentos futuros, Lula buscou um meio-termo. Garante previsibilidade imediata aos servidores, mas evita comprometer o próximo mandato com despesas já contratadas.

Enquanto o debate técnico cita artigos e incisos da lei, o cidadão comum observa com lupa qualquer reajuste no alto escalão. A percepção pública é sensível, especialmente quando o teto constitucional entra na conversa.

No fim, o gesto político parece claro: valorizar as instituições, mas sem abrir espaço para interpretações de privilégio.

A sanção parcial das leis do Legislativo mantém o reajuste para 2026 e moderniza carreiras estratégicas. Ao mesmo tempo, os vetos reforçam o compromisso formal com o teto constitucional e a responsabilidade fiscal.

O tema agora pode retornar ao Congresso, que tem a prerrogativa de analisar os vetos presidenciais. Resta saber se o Parlamento manterá a linha de contenção ou tentará reverter parte das decisões.

Mais recentes

Secretário da segurança pública da Bahia ressalta garantia do direito ao voto

O secretário da segurança pública da Bahia, Marcelo Werner, ressaltou nesta sexta-feira (23), que as Forças Policiais e de Bombeiros atuarão com força máxima para…

Lula e Flávio aparecem separados por 1,2 ponto em pesquisa

Pesquisa Vox Brasil divulgada nesta sexta-feira, 23 de outubro, mostra Lula com 50,6% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro com 49,4%. A distância de 1,2…

Entre Lula e Flávio, a melhor escolha exige olhar além das promessas

Comparar as propostas de Lula e Flávio Bolsonaro exige uma pergunta que costuma ficar em segundo plano nas campanhas. Quais medidas podem produzir resultados concretos,…

Prefeitura de Eunápolis anuncia transporte coletivo gratuito no domingo de eleição (25)

A Prefeitura de Eunápolis informa que o transporte coletivo municipal será gratuito neste domingo (25), dia do segundo turno das eleições para presidente da República….

Disputa acirrada no TSE e pressão sobre a Meta marcam reta final da eleição presidencial

A três dias do segundo turno presidencial, marcado para este domingo (25), a corrida pelo Palácio do Planalto entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT)…

Deputada Cláudia Oliveira viabiliza ônibus escolares para Eunápolis, Itabela e Guaratinga

A deputada estadual Cláudia Oliveira participou, nesta quarta-feira (21), ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, da entrega de novos ônibus escolares destinados aos municípios de…

Porto Seguro recebe nesta quinta-feira (22) comício anunciado como o maior da história da direita na cidade

Uma grande mobilização da direita promete tomar conta de Porto Seguro nesta quinta-feira, 22 de outubro, com a realização do comício em apoio à candidatura…

TRE-BA abre local de votação à imprensa para mostrar preparativos do segundo turno das eleições

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) abrirá as portas do Colégio Estadual Luiz Viana, no bairro de Brotas, em Salvador, nesta sexta-feira (23), para…

TSE reforça igualdade entre Lula e Flávio Bolsonaro nas redes sociais e estabelece novas regras para campanhas digitais

A disputa presidencial de 2026 ganhou um novo capítulo no campo digital. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou, por unanimidade, a decisão que determina à…

Flávio aparece à frente, mas pesquisas divergem sobre evolução da disputa

As pesquisas divulgadas nesta segunda-feira, 19 de outubro, mostram uma disputa presidencial apertada entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Embora…

Parceria entre Estado e Governo Federal amplia oferta de cirurgias em Camaçari

O acesso a cirurgias e a ampliação da assistência especializada na rede pública de saúde ganharam um novo reforço nesta segunda-feira (19), em Camaçari, totalizando…

Fim da escala 6×1 é promulgado e garante dois dias de folga por semana para milhões de brasileiros

O Brasil deu um passo histórico na conquista de direitos trabalhistas nesta sexta-feira, 16 de outubro de 2026. Em sessão solene realizada no Plenário do…

Cláudia Oliveira destaca combate à fome no Dia Mundial da Alimentação

A data, reconhecida internacionalmente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, chama atenção para um problema que ainda pesa na rotina…

Câmara de Vereadores aprova aquisição de área para Parque de Multiploeventos em Eunápolis

A Câmara de Vereadores de Eunápolis aprovou, por maioria, na manhã desta quinta-feira, 15/10, durante duas sessões extraordinárias, Projeto de Lei número 11/2026, que autoriza…

Câmara de Eunápolis antecipa eleição e define Mesa Diretora para 2027 e 2028

A Câmara Municipal de Eunápolis antecipou a eleição da Mesa Diretora para o biênio 2027/2028 e definiu sua próxima composição durante a 1.299ª sessão ordinária,…

Rolar para cima