Pessoas com deficiência na Bahia têm menos emprego e renda

Por Murillo Vazquez
19/09/2026

Publicado em -

NOTICIA OXAROPE_119SET26_1

Apenas 1 em cada 4 pessoas com deficiência em idade de trabalhar na Bahia estava ocupada em 2022. Enquanto 25,2% desse grupo tinham alguma ocupação formal ou informal, entre os baianos sem deficiência a proporção chegava a 49,2%. Os números fazem parte da segunda edição do estudo Pessoas com deficiência e as desigualdades sociais no Brasil, divulgada pelo IBGE em 18 de setembro de 2026.

Segundo o Censo 2022, a Bahia tinha 1.094.632 pessoas de 2 anos ou mais com alguma deficiência, o equivalente a 7,9% da população nessa faixa etária. O IBGE considera, nesse levantamento, pessoas que declararam grande dificuldade ou impossibilidade para enxergar, ouvir, caminhar ou subir degraus, realizar movimentos com as mãos ou exercer atividades relacionadas às funções mentais.

Do total de pessoas com deficiência, 1.041.674 tinham 14 anos ou mais, idade considerada nas estatísticas de trabalho. Só cerca de 262 mil estavam ocupadas, o que resulta num nível de ocupação de 25,2%.

Na população sem deficiência, o índice era de 49,2%. Em outras palavras, proporcionalmente, uma pessoa sem deficiência tinha quase o dobro da presença no mercado de trabalho baiano.

No Brasil, o cenário também era desigual. Entre as pessoas com deficiência de 14 anos ou mais, 29% estavam ocupadas, contra 55,8% entre aquelas sem deficiência.

Os dados integram uma publicação do IBGE que reúne informações do Censo Demográfico 2022, da Pesquisa de Informações Básicas Municipais, a MUNIC, dos censos da educação básica e superior do Inep, além de informações do Tribunal Superior Eleitoral e do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

A renda mensal domiciliar per capita média das pessoas com deficiência na Bahia era de R$ 991, contra R$ 1.097 entre as pessoas sem deficiência. Uma diferença de 9,6%.

No país, o abismo era maior: R$ 1.354 entre pessoas com deficiência e R$ 1.677 entre aquelas sem deficiência, diferença de 19,2%.

É preciso observar as datas com cuidado. Os números de emprego e renda retratam o Censo de 2022, não a situação do mercado de trabalho em setembro de 2026. A publicação é nova, mas parte dos dados detalhados analisados vem daquela fotografia censitária.

Trabalho não é apenas salário no fim do mês. Pra muita gente significa poder pagar uma conta sem depender de outra pessoa, pegar um ônibus, ajudar em casa, construir uma carreira e tomar decisões sobre a própria vida.

Quando apenas um quarto das pessoas com deficiência em idade de trabalhar está ocupado, o problema deixa de caber naquela velha conversa de “falta de oportunidade individual”. O tamanho da diferença aponta para barreiras espalhadas pelo caminho.

Em 2022, 31,2% das pessoas com deficiência de 15 anos ou mais na Bahia não eram alfabetizadas. Entre as pessoas sem deficiência, eram 9,8%.

Entre os baianos com deficiência de 25 anos ou mais, 70,1% não tinham instrução ou não haviam concluído o ensino fundamental, contra 41,4% entre quem não tinha deficiência.

Dados do Censo Escolar de 2025 mostram que 72,6% das escolas baianas tinham pelo menos um recurso de acessibilidade. Isso significa que cerca de três em cada dez ainda não possuíam nenhum dos itens considerados no levantamento, como rampas, piso tátil, corrimãos, sinalização acessível, elevadores ou portas com largura adequada.

A situação dos banheiros é ainda mais concreta. Só 44,6% das escolas do estado tinham banheiro acessível. Das 16.016 unidades analisadas, 7.190 contavam com essa estrutura. Outras 8.916, não.

No Brasil, o percentual chegava a 57,6%.

Pra mim, o que mais chama atenção nesses números é como uma palavra bonita como “inclusão” perde força quando a pessoa chega à escola e não consegue usar o banheiro, circular pelo prédio ou estudar com o apoio necessário.

A segunda edição do estudo do IBGE amplia o olhar sobre deficiência ao juntar informações de trabalho, educação, renda, participação social, mobilidade, moradia e gestão pública. A proposta é justamente mostrar como diferentes desvantagens podem se acumular ao longo da vida.

Nas escolas baianas, apenas 26,9% tinham salas de recursos multifuncionais para Atendimento Educacional Especializado, o AEE. A média nacional era de 30%.

Já 31,5% das escolas da Bahia contavam com profissionais de apoio para estudantes com deficiência, percentual ligeiramente superior aos 30% registrados no conjunto do país.

O cruzamento do Censo com informações municipais mostra que apenas 21,5% das pessoas com deficiência na Bahia, cerca de 236 mil pessoas, viviam em municípios que possuíam fundo municipal para essa população e desenvolviam ao menos uma ação de promoção de seus direitos.

Quando o assunto era legislação municipal específica para adaptação e acessibilidade de espaços públicos, a cobertura era ainda menor: somente 6,3% das pessoas com deficiência no estado, aproximadamente 69 mil, moravam em cidades com esse tipo de norma.

No transporte coletivo, 31,4% das pessoas com deficiência na Bahia, aproximadamente 344 mil, viviam em municípios que garantiam passe livre municipal. No Brasil, essa parcela chegava a 46,1%.

São percentuais que ajudam a colocar a discussão no chão da rua. A pessoa pode conseguir uma vaga de emprego, mas precisa chegar até ela. Pode fazer matrícula numa escola, mas precisa conseguir entrar, circular e permanecer ali com dignidade. Pode ter um direito escrito numa lei nacional, mas depende da estrutura que encontra no município onde mora.

O estudo divulgado pelo IBGE em setembro de 2026 entrega uma fotografia incômoda: na Bahia, a deficiência ainda está associada a menos acesso ao emprego, renda menor, dificuldades educacionais e uma rede de acessibilidade que varia demais conforme a escola ou o município onde a pessoa vive.

Alguns indicadores mostram avanços e outros colocam o estado em posição melhor que a média nacional. Mesmo assim, basta juntar as peças para perceber quanto ainda falta.

Direito que existe apenas no papel ajuda pouco quem encontra uma escada, um ônibus inadequado ou uma porta fechada logo pela manhã.

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Pessoas com deficiência na Bahia têm menos emprego e renda

Por Murillo Vazquez
19/09/2026 - 12h52 - Atualizado 19 de setembro de 2026

Publicado em -

NOTICIA OXAROPE_119SET26_1

Apenas 1 em cada 4 pessoas com deficiência em idade de trabalhar na Bahia estava ocupada em 2022. Enquanto 25,2% desse grupo tinham alguma ocupação formal ou informal, entre os baianos sem deficiência a proporção chegava a 49,2%. Os números fazem parte da segunda edição do estudo Pessoas com deficiência e as desigualdades sociais no Brasil, divulgada pelo IBGE em 18 de setembro de 2026.

Segundo o Censo 2022, a Bahia tinha 1.094.632 pessoas de 2 anos ou mais com alguma deficiência, o equivalente a 7,9% da população nessa faixa etária. O IBGE considera, nesse levantamento, pessoas que declararam grande dificuldade ou impossibilidade para enxergar, ouvir, caminhar ou subir degraus, realizar movimentos com as mãos ou exercer atividades relacionadas às funções mentais.

Do total de pessoas com deficiência, 1.041.674 tinham 14 anos ou mais, idade considerada nas estatísticas de trabalho. Só cerca de 262 mil estavam ocupadas, o que resulta num nível de ocupação de 25,2%.

Na população sem deficiência, o índice era de 49,2%. Em outras palavras, proporcionalmente, uma pessoa sem deficiência tinha quase o dobro da presença no mercado de trabalho baiano.

No Brasil, o cenário também era desigual. Entre as pessoas com deficiência de 14 anos ou mais, 29% estavam ocupadas, contra 55,8% entre aquelas sem deficiência.

Os dados integram uma publicação do IBGE que reúne informações do Censo Demográfico 2022, da Pesquisa de Informações Básicas Municipais, a MUNIC, dos censos da educação básica e superior do Inep, além de informações do Tribunal Superior Eleitoral e do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

A renda mensal domiciliar per capita média das pessoas com deficiência na Bahia era de R$ 991, contra R$ 1.097 entre as pessoas sem deficiência. Uma diferença de 9,6%.

No país, o abismo era maior: R$ 1.354 entre pessoas com deficiência e R$ 1.677 entre aquelas sem deficiência, diferença de 19,2%.

É preciso observar as datas com cuidado. Os números de emprego e renda retratam o Censo de 2022, não a situação do mercado de trabalho em setembro de 2026. A publicação é nova, mas parte dos dados detalhados analisados vem daquela fotografia censitária.

Trabalho não é apenas salário no fim do mês. Pra muita gente significa poder pagar uma conta sem depender de outra pessoa, pegar um ônibus, ajudar em casa, construir uma carreira e tomar decisões sobre a própria vida.

Quando apenas um quarto das pessoas com deficiência em idade de trabalhar está ocupado, o problema deixa de caber naquela velha conversa de “falta de oportunidade individual”. O tamanho da diferença aponta para barreiras espalhadas pelo caminho.

Em 2022, 31,2% das pessoas com deficiência de 15 anos ou mais na Bahia não eram alfabetizadas. Entre as pessoas sem deficiência, eram 9,8%.

Entre os baianos com deficiência de 25 anos ou mais, 70,1% não tinham instrução ou não haviam concluído o ensino fundamental, contra 41,4% entre quem não tinha deficiência.

Dados do Censo Escolar de 2025 mostram que 72,6% das escolas baianas tinham pelo menos um recurso de acessibilidade. Isso significa que cerca de três em cada dez ainda não possuíam nenhum dos itens considerados no levantamento, como rampas, piso tátil, corrimãos, sinalização acessível, elevadores ou portas com largura adequada.

A situação dos banheiros é ainda mais concreta. Só 44,6% das escolas do estado tinham banheiro acessível. Das 16.016 unidades analisadas, 7.190 contavam com essa estrutura. Outras 8.916, não.

No Brasil, o percentual chegava a 57,6%.

Pra mim, o que mais chama atenção nesses números é como uma palavra bonita como “inclusão” perde força quando a pessoa chega à escola e não consegue usar o banheiro, circular pelo prédio ou estudar com o apoio necessário.

A segunda edição do estudo do IBGE amplia o olhar sobre deficiência ao juntar informações de trabalho, educação, renda, participação social, mobilidade, moradia e gestão pública. A proposta é justamente mostrar como diferentes desvantagens podem se acumular ao longo da vida.

Nas escolas baianas, apenas 26,9% tinham salas de recursos multifuncionais para Atendimento Educacional Especializado, o AEE. A média nacional era de 30%.

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O cruzamento do Censo com informações municipais mostra que apenas 21,5% das pessoas com deficiência na Bahia, cerca de 236 mil pessoas, viviam em municípios que possuíam fundo municipal para essa população e desenvolviam ao menos uma ação de promoção de seus direitos.

Quando o assunto era legislação municipal específica para adaptação e acessibilidade de espaços públicos, a cobertura era ainda menor: somente 6,3% das pessoas com deficiência no estado, aproximadamente 69 mil, moravam em cidades com esse tipo de norma.

No transporte coletivo, 31,4% das pessoas com deficiência na Bahia, aproximadamente 344 mil, viviam em municípios que garantiam passe livre municipal. No Brasil, essa parcela chegava a 46,1%.

São percentuais que ajudam a colocar a discussão no chão da rua. A pessoa pode conseguir uma vaga de emprego, mas precisa chegar até ela. Pode fazer matrícula numa escola, mas precisa conseguir entrar, circular e permanecer ali com dignidade. Pode ter um direito escrito numa lei nacional, mas depende da estrutura que encontra no município onde mora.

O estudo divulgado pelo IBGE em setembro de 2026 entrega uma fotografia incômoda: na Bahia, a deficiência ainda está associada a menos acesso ao emprego, renda menor, dificuldades educacionais e uma rede de acessibilidade que varia demais conforme a escola ou o município onde a pessoa vive.

Alguns indicadores mostram avanços e outros colocam o estado em posição melhor que a média nacional. Mesmo assim, basta juntar as peças para perceber quanto ainda falta.

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