Com premiação de até R$ 50 mil por iniciativa, o 2º Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade reconhece ações de proteção à diversidade ecológica e cultural do Brasil. Inscrições até 23 de fevereiro.

Organizações indígenas, quilombolas, de agricultores familiares e comunidades tradicionais de todo o Brasil têm até o dia 23 de fevereiro para se inscrever no 2º Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade. Com investimento total de R$ 3 milhões, a iniciativa fortalece o papel dessas comunidades na preservação dos saberes e da biodiversidade brasileira.
O Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade é promovido pelo Fundo Nacional para a Repartição de Benefícios (FNRB), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Criado com base na Lei da Biodiversidade (13.123/2015), o fundo garante que o uso do patrimônio genético brasileiro gere retorno direto a quem o protege, os verdadeiros guardiões da natureza.
Na prática, o prêmio é um reconhecimento concreto da importância desses povos na preservação da biodiversidade e no combate às mudanças climáticas. A edição de 2025 contemplou 20 iniciativas. Agora, o número salta para 50, o que sinaliza um avanço importante na política de valorização socioambiental.
Este ano, 50 organizações serão contempladas. Entre elas, 13 são indígenas, 12 quilombolas, 12 de agricultores familiares e outras 13 de povos e comunidades tradicionais. Cada projeto selecionado receberá R$ 50 mil. O valor é maior do que o da edição anterior, quando os premiados receberam R$ 45 mil.
Para mim, o que mais chama atenção é como esse tipo de premiação vai além do apoio financeiro. Trata-se de um instrumento de visibilidade, reconhecimento e empoderamento para comunidades que, há séculos, mantêm vivas as práticas sustentáveis e os conhecimentos sobre a fauna e flora do país.
Segundo o FNRB, o crescimento do fundo e o aumento no número de premiados refletem uma política de fortalecimento das bases populares na preservação ambiental.
A premiação é decidida por um comitê gestor composto por representantes das próprias comunidades. Isso garante autonomia e protagonismo na definição dos critérios. De acordo com o MMA, a atuação desses grupos é fundamental para o equilíbrio ecológico e a justiça social no Brasil.
Enquanto nos grandes centros a pauta ambiental muitas vezes é tratada como algo técnico ou distante, nas comunidades tradicionais ela é parte da vida cotidiana. É no roçado, na pesca, no uso de plantas medicinais e na transmissão oral dos saberes que a biodiversidade ganha vida e continuidade.
Valorizar essas práticas não é apenas uma questão de justiça. É também uma estratégia essencial para o futuro do planeta. E quando o Estado reconhece isso com ações concretas, como o Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade, dá um passo importante para corrigir séculos de invisibilidade.
Com inscrições abertas até 23 de fevereiro, o 2º Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade representa mais do que um edital. É um símbolo de reconhecimento, reparação histórica e valorização dos saberes que sustentam a vida no Brasil. Investir nessas comunidades é investir em um futuro mais justo, diverso e sustentável.

















