REONERAÇÃO DA FOLHA: Entidades criticam nova tentativa do governo federal

Por Redação Oxarope
11/03/2024

Publicado em -

oXarope111MAR24_ECONOMIA

Fiep afirma que projeto é mais uma tentativa de transferir meta de responsabilidade fiscal para o setor produtivo

O governo federal tenta, mais uma vez, reonerar a folha de pagamento para 17 setores. Dessa vez, o Executivo encaminhou à Câmara dos Deputados o projeto de lei 493/2024 em regime de urgência. Isso significa que a Casa tem 45 dias para apreciar a proposta, prazo que vai até 13 de abril. O Movimento Desonera Brasil — que reúne entidades do setor produtivo — critica a nova tentativa do governo de reinstiuir os tributos sobre a folha.

“O Governo Federal tardiamente e de maneira impositiva, sem diálogo ou sensibilidade social, tenta repetidamente reverter a medida, desrespeitando o equilíbrio de forças constitucionais com a imposição da sua vontade. O custo de gerar um emprego formal no Brasil é altíssimo, o que leva a uma maior informalidade e precarização no mercado de trabalho. O Brasil precisa de soluções que incentivem a geração de empregos formais pelas empresas”, diz o manifesto.

A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) também se manifestou. A entidade argumenta que, só no Paraná, os setores contemplados com a desoneração geram mais de um milhão de empregos diretos e indiretos e que a tributação pode gerar milhares de demissões.  O coordenador do Conselho Temático de Assuntos Tributários da Fiep, Guilherme Hakme, critica o projeto.

“Onde alguns poucos setores ou atividades terão alguma redução mínima no seu encargo previdenciário. O que a gente percebe é, mais uma vez, o governo federal tentando transferir a responsabilidade para o atingimento de uma meta fiscal ao setor produtivo, que não aguenta mais pagar impostos, não aguenta mais a ineficiência da máquina pública, não aguenta mais o chamado custo-Brasil, que tanto retira a competitividade da indústria brasileira frente aos competidores internacionais”, critica Hakme. 

De acordo com o mestre em direito tributário Eduardo Natal, a empregabilidade está inserida em um contexto econômico que deve considerar fatores mais amplos e não apenas por questões tributárias. No entanto, avalia ser inegável que a reoneração dos 17 setores da economia, sem ser combinada, pode impactar de forma negativa nos empregos.

“Isso pode impactar de fato nos resultados ou na própria operação dessa pessoa jurídica e causar ou demissões ou até mesmo uma mudança de planos, no sentido de que se essa empresa estivesse planejando uma implementação de novas frentes de serviços, talvez recue. Você tem tanto a possibilidade de ter demissões de um lado, quanto também de não ter novas frentes abertas de outro lado”, explica Natal. 

O projeto do governo prevê uma tributação progressiva iniciada em 10%, já em 2024, até 18,75% em 2027 aplicada sobre o salário de contribuição do segurado no valor de até um salário mínimo. Entre as atividades contempladas estão: transporte, rádio, televisão e consultoria em tecnologia da informação. Além disso, o texto revoga a lei 14.784/2023, que prorroga até 31 de dezembro de 2027 a desoneração da folha de pagamento. A lei foi aprovada no fim de 2023.

No documento enviado à Câmara, o Executivo cita estudos realizados pela Secretaria Especial da Receita Federal que apontam um custo arrecadatório — caso seja mantida a desoneração — de R$ 12 bilhões para 2024; R$ 12 bilhões para 2025; R$ 13 bilhões para 2026; e R$ 13 bilhões para 2027.

Polêmica

Em vigor desde janeiro de 2012, a desoneração da folha de pagamento tem como objetivo reduzir a carga tributária sobre as empresas dos setores beneficiados, incentivando a geração de empregos. O mecanismo permite que as empresas optem pela contribuição patronal de 20% sobre a folha de salários ou o pagamento de uma alíquota de 1% a 4,5% sobre o faturamento — receita bruta — do negócio. 

Ao longo dos últimos 12 anos, o benefício foi prorrogado algumas vezes. A última delas no fim do ano passado, quando o Congresso Nacional estendeu a desoneração até o fim de 2027. O Executivo, no entanto, vetou a medida e a resposta do Legislativo foi a derrubada dos vetos. Foram 438 votos pela rejeição — 378 deputados e 60 senadores discordam do presidente da República.

No final de 2023, o Ministério da Fazenda anunciou uma Medida Provisória (MP) que excluía oito dos 17 setores do regime a partir de abril, e aumentava gradualmente as alíquotas de contribuição previdenciária das empresas dos outros nove setores. A MP é um uma forma de o presidente da República legislar, prevista na Constituição Federal de 1988. Ocorre que a ferramenta tem validade imediata. A atuação do Congresso ocorre apenas depois que a medida já está valendo e produzindo efeitos. 

Em 2024, por meio de uma nova MP, o governo revogou dispositivos da medida anterior e manteve a desoneração dos 17 setores. Agora, por meio do PL 423, o governo tenta reverter o quadro. 

Setores beneficiados 

Os 17 setores beneficiados pela desoneração são: confecção e vestuário; calçados; construção civil; call center; comunicação; empresas de construção e obras de infraestrutura; couro; fabricação de veículos e carroçarias; máquinas e equipamentos; proteína animal; têxtil; tecnologia da informação (TI); tecnologia de comunicação (TIC); projeto de circuitos integrados; transporte metroferroviário de passageiros; transporte rodoviário coletivo; e transporte rodoviário de cargas.

Reportagem: Fernando Alves

1678540344banner-970x90-bello.png

Mais recentes

Porto Seguro capacita profissionais da rede pública em saúde LGBT

A Prefeitura de Porto Seguro, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, realizou nesta terça-feira, 24, um…

Cláudia Oliveira

Porto Seguro é reconhecida como Capital Baiana do Turismo por iniciativa da Deputada Cláudia Oliveira

A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) promulgou a Lei nº 15.124/2026, que concede ao município de Porto…

Servidores públicos estaduais receberão, este mês, adicional por Tempo de Serviço recalculados

Servidores públicos estaduais irão receber, nesta sexta-feira (27), valores recalculados do Adicional por Tempo de Serviço (ATS)….

IPVA: desconto de 15% acaba nesta quarta (25); veja como pagar

Termina nesta quarta-feira (25) o prazo para os proprietários de veículos emplacados na Bahia garantirem o desconto…

Jovens de diversos países fazem intercâmbio acadêmico, cultural e turístico na Bahia

A segunda turma do curso BRICS+ Summer School (Escola de Verão) foi aberta, nesta semana, na Sala…

REONERAÇÃO DA FOLHA: Entidades criticam nova tentativa do governo federal

Por Redação Oxarope
11/03/2024 - 10h06 - Atualizado 12 de março de 2024

Publicado em -

oXarope111MAR24_ECONOMIA

Fiep afirma que projeto é mais uma tentativa de transferir meta de responsabilidade fiscal para o setor produtivo

O governo federal tenta, mais uma vez, reonerar a folha de pagamento para 17 setores. Dessa vez, o Executivo encaminhou à Câmara dos Deputados o projeto de lei 493/2024 em regime de urgência. Isso significa que a Casa tem 45 dias para apreciar a proposta, prazo que vai até 13 de abril. O Movimento Desonera Brasil — que reúne entidades do setor produtivo — critica a nova tentativa do governo de reinstiuir os tributos sobre a folha.

“O Governo Federal tardiamente e de maneira impositiva, sem diálogo ou sensibilidade social, tenta repetidamente reverter a medida, desrespeitando o equilíbrio de forças constitucionais com a imposição da sua vontade. O custo de gerar um emprego formal no Brasil é altíssimo, o que leva a uma maior informalidade e precarização no mercado de trabalho. O Brasil precisa de soluções que incentivem a geração de empregos formais pelas empresas”, diz o manifesto.

A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) também se manifestou. A entidade argumenta que, só no Paraná, os setores contemplados com a desoneração geram mais de um milhão de empregos diretos e indiretos e que a tributação pode gerar milhares de demissões.  O coordenador do Conselho Temático de Assuntos Tributários da Fiep, Guilherme Hakme, critica o projeto.

“Onde alguns poucos setores ou atividades terão alguma redução mínima no seu encargo previdenciário. O que a gente percebe é, mais uma vez, o governo federal tentando transferir a responsabilidade para o atingimento de uma meta fiscal ao setor produtivo, que não aguenta mais pagar impostos, não aguenta mais a ineficiência da máquina pública, não aguenta mais o chamado custo-Brasil, que tanto retira a competitividade da indústria brasileira frente aos competidores internacionais”, critica Hakme. 

De acordo com o mestre em direito tributário Eduardo Natal, a empregabilidade está inserida em um contexto econômico que deve considerar fatores mais amplos e não apenas por questões tributárias. No entanto, avalia ser inegável que a reoneração dos 17 setores da economia, sem ser combinada, pode impactar de forma negativa nos empregos.

“Isso pode impactar de fato nos resultados ou na própria operação dessa pessoa jurídica e causar ou demissões ou até mesmo uma mudança de planos, no sentido de que se essa empresa estivesse planejando uma implementação de novas frentes de serviços, talvez recue. Você tem tanto a possibilidade de ter demissões de um lado, quanto também de não ter novas frentes abertas de outro lado”, explica Natal. 

O projeto do governo prevê uma tributação progressiva iniciada em 10%, já em 2024, até 18,75% em 2027 aplicada sobre o salário de contribuição do segurado no valor de até um salário mínimo. Entre as atividades contempladas estão: transporte, rádio, televisão e consultoria em tecnologia da informação. Além disso, o texto revoga a lei 14.784/2023, que prorroga até 31 de dezembro de 2027 a desoneração da folha de pagamento. A lei foi aprovada no fim de 2023.

No documento enviado à Câmara, o Executivo cita estudos realizados pela Secretaria Especial da Receita Federal que apontam um custo arrecadatório — caso seja mantida a desoneração — de R$ 12 bilhões para 2024; R$ 12 bilhões para 2025; R$ 13 bilhões para 2026; e R$ 13 bilhões para 2027.

Polêmica

Em vigor desde janeiro de 2012, a desoneração da folha de pagamento tem como objetivo reduzir a carga tributária sobre as empresas dos setores beneficiados, incentivando a geração de empregos. O mecanismo permite que as empresas optem pela contribuição patronal de 20% sobre a folha de salários ou o pagamento de uma alíquota de 1% a 4,5% sobre o faturamento — receita bruta — do negócio. 

Ao longo dos últimos 12 anos, o benefício foi prorrogado algumas vezes. A última delas no fim do ano passado, quando o Congresso Nacional estendeu a desoneração até o fim de 2027. O Executivo, no entanto, vetou a medida e a resposta do Legislativo foi a derrubada dos vetos. Foram 438 votos pela rejeição — 378 deputados e 60 senadores discordam do presidente da República.

No final de 2023, o Ministério da Fazenda anunciou uma Medida Provisória (MP) que excluía oito dos 17 setores do regime a partir de abril, e aumentava gradualmente as alíquotas de contribuição previdenciária das empresas dos outros nove setores. A MP é um uma forma de o presidente da República legislar, prevista na Constituição Federal de 1988. Ocorre que a ferramenta tem validade imediata. A atuação do Congresso ocorre apenas depois que a medida já está valendo e produzindo efeitos. 

Em 2024, por meio de uma nova MP, o governo revogou dispositivos da medida anterior e manteve a desoneração dos 17 setores. Agora, por meio do PL 423, o governo tenta reverter o quadro. 

Setores beneficiados 

Os 17 setores beneficiados pela desoneração são: confecção e vestuário; calçados; construção civil; call center; comunicação; empresas de construção e obras de infraestrutura; couro; fabricação de veículos e carroçarias; máquinas e equipamentos; proteína animal; têxtil; tecnologia da informação (TI); tecnologia de comunicação (TIC); projeto de circuitos integrados; transporte metroferroviário de passageiros; transporte rodoviário coletivo; e transporte rodoviário de cargas.

Reportagem: Fernando Alves

1

Mais recentes

Porto Seguro capacita profissionais da rede pública em saúde LGBT

A Prefeitura de Porto Seguro, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, realizou nesta terça-feira, 24, um curso de capacitação em saúde LGBT no Centro…

Cláudia Oliveira

Porto Seguro é reconhecida como Capital Baiana do Turismo por iniciativa da Deputada Cláudia Oliveira

A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) promulgou a Lei nº 15.124/2026, que concede ao município de Porto Seguro o título de Capital Baiana do Turismo….

Servidores públicos estaduais receberão, este mês, adicional por Tempo de Serviço recalculados

Servidores públicos estaduais irão receber, nesta sexta-feira (27), valores recalculados do Adicional por Tempo de Serviço (ATS). A contabilização do ATS foi suspensa pelo Governo…

IPVA: desconto de 15% acaba nesta quarta (25); veja como pagar

Termina nesta quarta-feira (25) o prazo para os proprietários de veículos emplacados na Bahia garantirem o desconto de 15% no pagamento antecipado do IPVA 2026….

Jovens de diversos países fazem intercâmbio acadêmico, cultural e turístico na Bahia

A segunda turma do curso BRICS+ Summer School (Escola de Verão) foi aberta, nesta semana, na Sala dos Conselhos da Reitoria da Universidade Federal da…

Eunápolis: Com obra de alto padrão, Creche Ayrton Senna está ganhando estrutura moderna e mais vagas

A Prefeitura de Eunápolis está realizando a reestruturação completa da Creche Ayrton Senna, localizada no bairro Pequi. A unidade, que antes funcionava com limitações estruturais,…

Bahia registra alta histórica e recebe mais de 30 mil turistas estrangeiros em janeiro de 2026

Nos primeiros 31 dias de 2026, a Bahia recebeu 30.173 turistas estrangeiros, um crescimento de 13,2% em relação a janeiro de 2025. O avanço consolida…

Container dos Artistas: Primeiro reality 100% digital do Sul da Bahia será realizado em Medeiros Neto, em março

Medeiros Neto, no extremo sul da Bahia, será cenário de um projeto inédito no cenário digital brasileiro. De 29 de março a 5 de abril…

Leilão 5G avança na Bahia e impulsiona conectividade na Costa do Descobrimento

Nos próximos meses, 93 localidades de 78 municípios baianos começarão a receber internet móvel de melhor qualidade por meio do novo leilão 5G. A iniciativa…

Asfaltamento da ciclovia do Anel Viário avança e trará mais mobilidade e segurança à população

A Prefeitura de Prefeitura de Porto Seguro, por meio da Secretaria Municipal de Obras, segue em ritmo acelerado com o asfaltamento da ciclovia do Anel…

Importação de cacau da Costa do Marfim é suspensa após articulação liderada pela Bahia

O Ministério da Agricultura e Pecuária publicou, nesta terça-feira (24), o Despacho Decisório nº 456/2026, que determina a suspensão imediata e temporária das importações de…

SAMU Eunápolis com frota renovada: ambulâncias novas garantem mais segurança e agilidade no atendimento

A saúde pública de Eunápolis vive um novo momento com a frota do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) completamente renovada e já em…

Porto Seguro cria primeiro conselho municipal do Brasil voltado aos povos de terreiro

Porto Seguro deu um passo histórico na promoção da igualdade racial ao realizar nesta terça-feira, 24, a cerimônia de posse do Conselho Municipal dos Povos…

João Roma oficializa Kaká Resolve na presidência do PL em Eunápolis

O empresário Kaká Resolve assumiu oficialmente a presidência do Partido Liberal (PL) em Eunápolis. A confirmação ocorreu durante encontro na sede do PL Bahia, em…

Nordeste acelera e redesenha o mapa das startups no Brasil

O Nordeste se consolida como o segundo maior polo de startups do país e lidera o crescimento proporcional, segundo o Sebrae Startups Report Brasil 2025….

Rolar para cima