Redução de impostos na prática e dentro da lei pode salvar negócios

Por MarcelloXarope
22/11/2023

Publicado em

oxarope3noticiaTarifa Mercado

Com o benefício tributário conhecido como Fator R, imposto a ser pago por empresas do Simples chega a diminuir de 15,5% para 6%

Em meio à tramitação da reforma tributária no Congresso, os empreendedores buscam informações sobre os impactos da nova proposta de deputados federais e senadores nos seus negócios. Apesar da ampla repercussão das normas em vigor, vários prestadores de serviços optantes pelo regime tributário Simples Nacional desconhecem uma regra que já possibilita a redução no pagamento de impostos.

Trata-se do dispositivo conhecido como Fator R, que entrou em vigor a partir das modificações efetivadas pela Lei Complementar nº 155/2016. Ele consiste em um cálculo mensal para definir em qual situação do Simples uma companhia se enquadra: Anexo III ou Anexo V. Cada anexo tem os próprios porcentuais, daí a relevância do trabalho de especialistas em contabilidade no apoio aos empreendedores.

“Avalio essa norma na legislação atual como um tópico muito importante, pois os empreendimentos ligados ao Anexo V obtêm uma diminuição significativa na carga de tributos. Eles saem da margem dos 15,5% e pagam em torno de 6% ao utilizarem o benefício fiscal do Fator R”, explica o contador e líder de Treinamento da Agilize Contabilidade Online, Fernando José.

“O dispositivo auxilia na empregabilidade, ou seja, a empresa contrata mais colaboradores para ter o benefício fiscal. Quando a companhia não tem funcionário, o sócio pode tirar um pró-labore adequado para que consiga diminuir o impacto da tributação”, acrescenta.

Benefício de até R$ 30 mil

De acordo com o líder de Treinamento da Agilize, as empresas mais beneficiadas pelo Fator R atuam em segmentos como engenharia, desenvolvimento de softwares, psicologia, nutrição e outras ligadas a trabalhos intelectuais. “Existe um nicho enorme de atividades enquadradas no Anexo V que conseguem obter vantagens com a regra”, pontua.

Anexo I: comércio.

Anexo II: indústria.

Anexo III: prestação de serviço (manutenção, reparos, contabilidades, escolas e agências de viagem, entre outros).

Anexo IV: prestação de serviço (limpeza, vigilância e construção civil, entre outros).

Anexo V: prestação de serviço (jornalismo, publicidade, marketing e tecnologia, entre outros).

Tabela: resumo dos segmentos da economia divididos entre os anexos considerados no cálculo do Fator R.

Planejamento tributário

Diversos empresários têm dúvidas se vale a pena ou não a utilização do Fator R. Por isso, o importante é fazer as contas e entender os números. “Isso varia em relação à situação da empresa, regime tributário e faturamento, por exemplo. Antes de começar a usar o benefício, basta analisar o cenário da companhia e sempre realizar um estudo, o que muitos chamam de planejamento tributário”, diz o contador Fernando José.

“Já vimos redução de até R$ 30 mil quando um cliente utilizou o benefício. Na Agilize, contamos com um robô do Fator R, um sistema que indica ao empreendedor qual o pró-labore ou a folha de pagamento adequada para conseguir se ajustar à regra”, revela o líder de Treinamento.

Com a tecnologia, é possível calcular o Fator R de forma mais segura e automatizada, evitando gastos desnecessários por erro de cálculo. Além disso, para garantir a economia, o empresário deve consultar o seu contador sobre ter ou não essa automatização.

Em resumo, para calcular o Fator R, o valor da folha de pagamento dos últimos 12 meses (pró-labore, FGTS e salários) é dividido pela receita obtida no mesmo intervalo de tempo. Quando o resultado fica igual ou superior a 28%, o empreendimento (dependendo da atividade exercida) será tributado no Anexo III e estará dispensado dos impostos do Anexo V.

Não existe um período específico do ano específico no qual o empreendedor precise se “cadastrar” para usar o benefício do Fator R, que fica sempre disponível para as empresas do Simples Nacional. Assim, especialistas sugerem que o os empresários avaliem a possibilidade de uso da regra desde os momentos iniciais da companhia.

“O empreendedor que não faz o planejamento tributário ao abrir o CNPJ e deixa acumular um histórico passa a ter muito faturamento e o custo com a folha de pagamento fica alto para se enquadrar no Fator R, de imediato. O ideal é começar já estudando a empresa e realizar o planejamento. Assim, a diminuição de tributos pode ser significativa”, enfatiza o contador Fernando José.

Criação do Fator R

O histórico do Fator R remonta ao ano de 2008, quando o governo federal extinguiu o Anexo VI do Simples Nacional, que apresentava as cargas de tributos mais elevadas. Isso afetou diretamente os Anexos III e V – algumas atividades do Anexo V passaram para o Anexo III, enquanto a maior parcela do Anexo VI se transferiu ao Anexo V.

A partir dessas mudanças, o dispositivo criado para adequar as empresas foi o Fator R, por meio de alteração da Lei Complementar nº 123/2006, que tratava da regulamentação dos benefícios às microempresas e empresas de pequeno porte.

Na sequência, os ajustes foram efetivados pela Lei Complementar nº 155/2016, que buscou tornar mais simplificada a apuração dos impostos das empresas optantes pelo Simples Nacional.

Caroline Veiga

Mais recentes

FENAJ celebra 80 anos em defesa do jornalismo, dos jornalistas e da democracia

Neste 20 de setembro, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) completa 80 anos de história, organização e…

O incômodo quando pobres, negros e nordestinos avançam

O incômodo aparece justamente aí. Quando o filho da empregada entra na universidade, quando um trabalhador passa…

Datafolha aponta empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparecem tecnicamente empatados…

Instituto de Mendonça e os R$ 11,5 milhões que cobram explicação

O ponto central da crítica é que o problema não está apenas nos R$ 5,2 milhões recebidos…

Flávio aparece numericamente à frente de Lula, mas cenário é de empate técnico

O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 42% das intenções de voto em uma eventual disputa de…

Redução de impostos na prática e dentro da lei pode salvar negócios

Por MarcelloXarope
22/11/2023 - 06h13 - Atualizado 22 de novembro de 2023

Publicado em

oxarope3noticiaTarifa Mercado

Com o benefício tributário conhecido como Fator R, imposto a ser pago por empresas do Simples chega a diminuir de 15,5% para 6%

Em meio à tramitação da reforma tributária no Congresso, os empreendedores buscam informações sobre os impactos da nova proposta de deputados federais e senadores nos seus negócios. Apesar da ampla repercussão das normas em vigor, vários prestadores de serviços optantes pelo regime tributário Simples Nacional desconhecem uma regra que já possibilita a redução no pagamento de impostos.

Trata-se do dispositivo conhecido como Fator R, que entrou em vigor a partir das modificações efetivadas pela Lei Complementar nº 155/2016. Ele consiste em um cálculo mensal para definir em qual situação do Simples uma companhia se enquadra: Anexo III ou Anexo V. Cada anexo tem os próprios porcentuais, daí a relevância do trabalho de especialistas em contabilidade no apoio aos empreendedores.

“Avalio essa norma na legislação atual como um tópico muito importante, pois os empreendimentos ligados ao Anexo V obtêm uma diminuição significativa na carga de tributos. Eles saem da margem dos 15,5% e pagam em torno de 6% ao utilizarem o benefício fiscal do Fator R”, explica o contador e líder de Treinamento da Agilize Contabilidade Online, Fernando José.

“O dispositivo auxilia na empregabilidade, ou seja, a empresa contrata mais colaboradores para ter o benefício fiscal. Quando a companhia não tem funcionário, o sócio pode tirar um pró-labore adequado para que consiga diminuir o impacto da tributação”, acrescenta.

Benefício de até R$ 30 mil

De acordo com o líder de Treinamento da Agilize, as empresas mais beneficiadas pelo Fator R atuam em segmentos como engenharia, desenvolvimento de softwares, psicologia, nutrição e outras ligadas a trabalhos intelectuais. “Existe um nicho enorme de atividades enquadradas no Anexo V que conseguem obter vantagens com a regra”, pontua.

Anexo I: comércio.

Anexo II: indústria.

Anexo III: prestação de serviço (manutenção, reparos, contabilidades, escolas e agências de viagem, entre outros).

Anexo IV: prestação de serviço (limpeza, vigilância e construção civil, entre outros).

Anexo V: prestação de serviço (jornalismo, publicidade, marketing e tecnologia, entre outros).

Tabela: resumo dos segmentos da economia divididos entre os anexos considerados no cálculo do Fator R.

Planejamento tributário

Diversos empresários têm dúvidas se vale a pena ou não a utilização do Fator R. Por isso, o importante é fazer as contas e entender os números. “Isso varia em relação à situação da empresa, regime tributário e faturamento, por exemplo. Antes de começar a usar o benefício, basta analisar o cenário da companhia e sempre realizar um estudo, o que muitos chamam de planejamento tributário”, diz o contador Fernando José.

“Já vimos redução de até R$ 30 mil quando um cliente utilizou o benefício. Na Agilize, contamos com um robô do Fator R, um sistema que indica ao empreendedor qual o pró-labore ou a folha de pagamento adequada para conseguir se ajustar à regra”, revela o líder de Treinamento.

Com a tecnologia, é possível calcular o Fator R de forma mais segura e automatizada, evitando gastos desnecessários por erro de cálculo. Além disso, para garantir a economia, o empresário deve consultar o seu contador sobre ter ou não essa automatização.

Em resumo, para calcular o Fator R, o valor da folha de pagamento dos últimos 12 meses (pró-labore, FGTS e salários) é dividido pela receita obtida no mesmo intervalo de tempo. Quando o resultado fica igual ou superior a 28%, o empreendimento (dependendo da atividade exercida) será tributado no Anexo III e estará dispensado dos impostos do Anexo V.

Não existe um período específico do ano específico no qual o empreendedor precise se “cadastrar” para usar o benefício do Fator R, que fica sempre disponível para as empresas do Simples Nacional. Assim, especialistas sugerem que o os empresários avaliem a possibilidade de uso da regra desde os momentos iniciais da companhia.

“O empreendedor que não faz o planejamento tributário ao abrir o CNPJ e deixa acumular um histórico passa a ter muito faturamento e o custo com a folha de pagamento fica alto para se enquadrar no Fator R, de imediato. O ideal é começar já estudando a empresa e realizar o planejamento. Assim, a diminuição de tributos pode ser significativa”, enfatiza o contador Fernando José.

Criação do Fator R

O histórico do Fator R remonta ao ano de 2008, quando o governo federal extinguiu o Anexo VI do Simples Nacional, que apresentava as cargas de tributos mais elevadas. Isso afetou diretamente os Anexos III e V – algumas atividades do Anexo V passaram para o Anexo III, enquanto a maior parcela do Anexo VI se transferiu ao Anexo V.

A partir dessas mudanças, o dispositivo criado para adequar as empresas foi o Fator R, por meio de alteração da Lei Complementar nº 123/2006, que tratava da regulamentação dos benefícios às microempresas e empresas de pequeno porte.

Na sequência, os ajustes foram efetivados pela Lei Complementar nº 155/2016, que buscou tornar mais simplificada a apuração dos impostos das empresas optantes pelo Simples Nacional.

Caroline Veiga

Mais recentes

FENAJ celebra 80 anos em defesa do jornalismo, dos jornalistas e da democracia

Neste 20 de setembro, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) completa 80 anos de história, organização e luta em defesa da categoria e do direito…

O incômodo quando pobres, negros e nordestinos avançam

O incômodo aparece justamente aí. Quando o filho da empregada entra na universidade, quando um trabalhador passa a consumir mais, quando uma pessoa negra ocupa…

Datafolha aponta empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparecem tecnicamente empatados na disputa pela Presidência da República, segundo pesquisa…

Instituto de Mendonça e os R$ 11,5 milhões que cobram explicação

O ponto central da crítica é que o problema não está apenas nos R$ 5,2 milhões recebidos pelo Instituto Iter, ligado ao ministro André Mendonça,…

Flávio aparece numericamente à frente de Lula, mas cenário é de empate técnico

O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 42% das intenções de voto em uma eventual disputa de segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula…

Nos 35 anos da Veracel, parceria com a ABAF impulsiona o desenvolvimento sustentável e o fortalecimento do setor florestal na Bahia

A consolidação da indústria de árvores cultivadas no Sul da Bahia nas últimas três décadas impulsionou a transformação socioeconômica da região. O município de Eunápolis…

Dark Horse sai da tela e põe Frias no roteiro da Polícia Federal

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, abriu caminho para uma ofensiva da Polícia Federal contra mais de 50 pessoas, empresas e…

Flávio Dino reintegra chefes da PF e leva crise ao Plenário

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quarta-feira, 9 de setembro, a volta imediata de Andrei Rodrigues à direção-geral da Polícia Federal…

Novas regras para ingressos ampliam direitos em shows e eventos

O consumidor que compra ingresso pra show, festival ou outro grande evento passa a contar com novas regras contra taxas abusivas, filas virtuais pouco transparentes…

TFD de Eunápolis é destaque no atendimento a pacientes que necessitam de tratamento especializado

Para quem precisa de tratamento especializado fora de Eunápolis, a distância não pode ser um obstáculo. Por isso, somente de janeiro a agosto de 2026,…

Crédito para bicicletas elétricas, fim da taxa das blusinhas e da escala 6×1 e PEC da Segurança Pública estão na pauta do Congresso

Uma linha de crédito para entregadores comprarem motos e bicicletas elétricas está entre as principais propostas que podem ser votadas pelo Congresso Nacional nesta semana….

Bahia lidera setor formal de serviços no Norte e Nordeste

O tamanho dessa engrenagem coloca a Bahia numa posição de destaque também no cenário nacional. O estado tinha, em 31 de dezembro de 2024, o…

Gestão Flauzino encaminha à Câmara projeto inédito para votação que busca solucionar dívida histórica de mais de 20 anos com a Capremi

A gestão do prefeito de Itabela, Ricardo Flauzino, encaminhou à Câmara Municipal o Projeto de Lei nº 012/2026, que autoriza o parcelamento de débitos previdenciários…

Inadimplência avança na Argentina e leva milhares às ruas

Milhares de pessoas foram às ruas de Buenos Aires na quinta-feira, 20 de agosto, para cobrar medidas contra o avanço do endividamento das famílias argentinas….

Brasil reage a tarifas dos EUA e abre processo de reciprocidade

A decisão coloca o Brasil em uma etapa formal de reação às tarifas norte-americanas. Segundo a nota oficial, a Secretaria-Executiva da Camex compartilhou o pleito…

Rolar para cima