
A Câmara Municipal de Eunápolis está debatendo pela quinta vez o Projeto de Lei 45 de 2025. De autoria do vereador Valdiran Marques, a proposta estabelece regras para regularização, fiscalização e organização da fiação aérea nos postes de energia e iluminação pública da cidade. A iniciativa surgiu após casos reais de incêndios e desordem nos bairros.
Em vários pontos de Eunápolis, a cena se repete. Postes carregados com fios de energia, internet, telefonia e cabos abandonados, formando emaranhados perigosos. A Prefeitura chegou a realizar uma ação de limpeza visual na área central, retirando fios inutilizados. Mesmo assim, o problema persiste em diversos bairros.
Já houve registro de incêndios causados por fiação irregular. Um dos casos mais preocupantes aconteceu no centro da cidade, onde um poste pegou fogo e assustou moradores e comerciantes.
Empresas de telecomunicação, provedores de internet e até concessionárias de energia atuam sem controle rígido sobre os espaços ocupados nos postes. A sobrecarga, aliada à falta de manutenção, aumenta os riscos de curtos-circuitos e falhas no fornecimento de energia.
O cidadão sente os efeitos diretos desse problema. Fios pendurados representam risco de choques elétricos. Em dias de vento ou chuva, o perigo se intensifica. Ruas mal iluminadas se tornam ainda mais vulneráveis quando há falhas causadas pela fiação desorganizada.
A poluição visual também compromete a imagem urbana da cidade. Fios aparentes passam sensação de abandono, afetam o comércio local e diminuem a sensação de segurança.
Outro ponto importante está na responsabilização. Quando ocorre um incidente, nem sempre está claro quem deve responder pela manutenção. O projeto de lei busca mudar esse cenário, estabelecendo obrigações para empresas e prevendo punições em caso de descumprimento.
O que mais chama atenção é que, por trás dos fios, está o cotidiano das pessoas. A mulher que volta do trabalho à noite e caminha por uma rua escura. O idoso que passa perto de um poste com fios soltos. A criança que brinca na calçada e pode tocar num cabo mal instalado. Esses detalhes mostram como o problema técnico atinge a vida real.
Autoridades municipais já reconheceram que o acúmulo de fios compromete não apenas a estética da cidade, mas a segurança da população. Técnicos da Secretaria de Meio Ambiente alertaram que muitos postes estão sobrecarregados e com risco de colapso.
Moradores relatam medo ao passar por determinados trechos da cidade. Alguns já viram faíscas ou sentiram cheiro de fumaça saindo dos postes. Em um vídeo que circulou nas redes sociais, é possível ver um poste em chamas no centro comercial, com pedestres assustados tentando se afastar.
Empresários do setor de internet também já se manifestaram. Um provedor local acusou a operadora nacional de deixar fios antigos instalados sem manutenção, o que aumenta o risco de acidentes.
A Câmara discute o projeto de lei com base nessas queixas. O objetivo é organizar a fiação e garantir segurança, mas a proposta ainda precisa ser aprovada e regulamentada.
Eunápolis tem a chance de resolver um problema antigo que já passou da fase de ser apenas incômodo visual. A fiação aérea desorganizada representa risco concreto e afeta diretamente a segurança pública.
A aprovação da lei é apenas o primeiro passo. Sem fiscalização ativa, sem equipe técnica e sem envolvimento das empresas, o problema continuará. É necessário criar mecanismos de denúncia, organizar cronogramas de manutenção e garantir transparência no processo de responsabilização.
Também é hora de envolver a população. Quando o morador sabe onde denunciar, quando a prefeitura responde com agilidade e quando as empresas respeitam as regras, a cidade toda ganha.
O fio solto de hoje pode ser o acidente de amanhã. E não há mais tempo para esperar que algo grave aconteça para que as autoridades ajam.
O Projeto de Lei 45 de 2025 é uma oportunidade de transformar Eunápolis em uma cidade mais segura e bem cuidada. Com regras claras e fiscalização efetiva, será possível evitar tragédias, melhorar a imagem urbana e valorizar a vida de quem mora aqui.


















