
Nova Délhi foi palco, neste sábado, 21 de fevereiro, de um movimento estratégico nas relações exteriores brasileiras. No Fórum Empresarial Brasil-Índia 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a ampliação do comércio bilateral para até 30 bilhões de dólares e acompanhou a assinatura de acordos que incluem a produção nacional de medicamentos oncológicos para o SUS.
O evento, realizado em Nova Délhi, reuniu autoridades e empresários dos dois países. A agenda foi liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo primeiro-ministro indiano Narendra Modi, com foco na ampliação da cooperação comercial, tecnológica e industrial.
Durante o encontro, Lula destacou que o Brasil quer ir além da exportação tradicional. Segundo ele, o objetivo é consolidar presença produtiva na Índia, com transferência de tecnologia e formação de profissionais. Um dos pontos centrais foi o anúncio de acordos da Embraer com os grupos indianos Adani Group e Mahindra Group, voltados à produção de aeronaves comerciais e de defesa em território indiano.
A meta traçada é ambiciosa. Brasil e Índia querem alcançar 20 bilhões de dólares em intercâmbio comercial nos próximos anos, com projeção de chegar a 30 bilhões até 2030.
O que parece apenas uma cifra bilionária tem impacto direto na economia e no cotidiano da população. Ampliação de comércio significa geração de empregos, atração de investimentos e fortalecimento da indústria nacional.
Para mim, o que mais chama atenção é como decisões técnicas e acordos diplomáticos atravessam fronteiras e chegam ao chão das fábricas, aos laboratórios e aos hospitais. Quando se fala em transferência de tecnologia e produção local, fala-se também de autonomia estratégica.
Um dos anúncios mais relevantes foi a assinatura de três Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo para fabricação de medicamentos oncológicos no Brasil. O investimento estimado pode chegar a 722 milhões de reais no primeiro ano e até 10 bilhões em dez anos.
Os medicamentos contemplados são pertuzumabe, dasatinibe e nivolumabe, usados no tratamento de câncer de mama, leucemias, melanoma e outros tipos da doença. A estratégia integra o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, com foco em reduzir a dependência externa.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou da formalização dos acordos. A produção do nivolumabe envolverá a Bahiafarma e a Dr. Reddy’s Laboratories, além da empresa brasileira Bionovis. Já o pertuzumabe terá parceria com a Biocon Biologics do Brasil. O dasatinibe será produzido por meio de cooperação entre a FURP, a Biocon Pharma e a Nortec Química.
A Fundação Oswaldo Cruz também assinou memorandos com farmacêuticas indianas para ampliar a cooperação em doenças raras, câncer e enfermidades negligenciadas, como tuberculose e malária.
No campo comercial, o Fórum foi organizado pela ApexBrasil, que inaugurou seu primeiro escritório em Nova Délhi, ampliando a presença internacional da agência.
Enquanto os discursos celebram bilhões e parcerias estratégicas, é preciso observar o desdobramento prático desses compromissos. A produção nacional de medicamentos oncológicos pode representar mais acesso e menos dependência externa. Isso é fundamental para um sistema público como o SUS, que atende milhões de brasileiros.
Ao mesmo tempo, a meta de 30 bilhões de dólares em comércio exige consistência diplomática e competitividade industrial. Não basta anunciar. É necessário garantir ambiente regulatório estável, segurança jurídica e capacidade produtiva.
Entre cifras e promessas, o que realmente importa é saber se esses acordos vão encurtar a distância entre a diplomacia e a vida real do cidadão.
O Fórum Empresarial Brasil-Índia 2026 marca um novo capítulo nas relações entre os dois países. Com metas ambiciosas de comércio, acordos estratégicos na área aeronáutica e avanços concretos na produção de medicamentos contra o câncer, o governo aposta na combinação entre diplomacia econômica e política industrial.
Resta acompanhar se as promessas de hoje se transformarão em resultados concretos nos próximos anos.




















