
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta segunda-feira, 23 de fevereiro, do Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul, em Seul, e reforçou a intenção de ampliar parcerias estratégicas entre os dois países. O encontro reuniu representantes de 230 empresas e autoridades das duas nações.
Durante o evento, o Governo do Brasil apresentou oportunidades de investimento para empresários sul-coreanos em setores como exportação de carne, indústria de cosméticos, fármacos, tecnologia, agricultura, açúcar, álcool e setor aeroespacial.
Em discurso, Lula destacou que a relação entre Brasil e República da Coreia é marcada por “fortes laços humanos e vínculos empresariais”, reforçando que confiança e cooperação são pilares para crescimento sustentável.
O presidente também defendeu o diálogo como alternativa às tensões comerciais globais e ao avanço do protecionismo, ressaltando que acordos negociados são fundamentais para garantir estabilidade econômica.
Um dos principais pontos defendidos por Lula foi a entrada da carne bovina brasileira no mercado sul-coreano. O presidente lembrou que o Brasil registrou, em 2025, a maior safra da história, com 350 milhões de toneladas de grãos, consolidando-se como potência agrícola.
Ele afirmou que o país está pronto para avançar nos protocolos sanitários necessários para exportar carne bovina à Coreia do Sul, além de estimular investimentos de frigoríficos brasileiros no país asiático.
Ao mesmo tempo, Lula ressaltou que o Brasil busca diversificar sua base econômica e reduzir a dependência da exportação de commodities, ampliando parcerias em tecnologia, inovação e indústria de alto valor agregado.
O presidente destacou que empresas como Samsung, Hyundai e LG já possuem forte presença no Brasil. A Coreia do Sul é atualmente o quarto maior investidor asiático no país, com estoque de aproximadamente US$ 9 bilhões.
Lula também apresentou programas como o PAC, Nova Indústria Brasil, MOVER e o Plano de Transformação Ecológica como instrumentos que oferecem segurança jurídica e condições atrativas para investidores estrangeiros.
Na área de mineração, o presidente apontou o potencial brasileiro em minerais críticos, essenciais para semicondutores e baterias, segmentos nos quais a Coreia é referência mundial.
Na área da saúde, Lula mencionou a cooperação entre instituições brasileiras como a Fiocruz e entidades coreanas para o desenvolvimento de vacinas e insumos médicos. Citou ainda o laboratório de biossegurança Órion como exemplo de investimento estratégico em ciência.
No setor aeroespacial, destacou a parceria com a start-up sul-coreana Innospace no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, e defendeu maior integração entre as agências espaciais dos dois países, inclusive para compartilhamento de dados e projetos de exploração lunar.
O movimento diplomático reforça uma estratégia clara: ampliar mercados e atrair investimentos em um cenário global cada vez mais competitivo.
O Brasil busca consolidar sua força no agronegócio, mas também quer avançar na cadeia tecnológica, agregando valor à produção nacional. A Coreia do Sul surge como parceiro estratégico justamente por ter construído, nas últimas décadas, um modelo de desenvolvimento baseado em inovação, educação e política industrial consistente.
O desafio está em transformar discursos e intenções em acordos concretos, protocolos sanitários firmados e investimentos efetivamente executados.
A participação de Lula no Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul reforça a aposta brasileira na diplomacia econômica e na diversificação de parcerias internacionais.
Com oportunidades em carne bovina, tecnologia, fármacos, mineração e setor aeroespacial, o Brasil busca ampliar sua presença global e fortalecer laços com um dos polos tecnológicos mais avançados do mundo.
O próximo passo será transformar diálogo em contratos e cooperação em desenvolvimento real.



















