A pecuária boliviana entrou no radar do Nelore em 2026. Em Santa Cruz de La Sierra, a primeira etapa internacional do Circuito Nelore de Qualidade avaliou 165 animais e revelou um cenário de alta precocidade, bom acabamento de carcaça e expansão da genética zebuína.

Realizada em 17 de março, a etapa foi promovida pela Associação dos Criadores de Nelore do Brasil, em parceria com a Asocebu e o frigorífico Fridosa. A ACNB confirma que o Circuito acompanha o abate e avalia carcaças para medir, na prática, a qualidade da carne produzida.
Foram inscritos 165 animais de três pecuaristas. Entre os machos, 104 eram não castrados, todos com dentição de leite completa, indicando idade inferior a dois anos. O peso médio foi de 22,1 arrobas, com 89,42% das carcaças apresentando gordura mediana e uniforme.
Entre as 61 fêmeas, 95% tinham até dois dentes incisivos permanentes, também abaixo de dois anos. O peso médio foi de 17 arrobas e 98,36% apresentaram cobertura de gordura mediana e uniforme.
O resultado vai além de uma premiação. Ele mostra como a pecuária de corte na América do Sul busca animais mais jovens, bem acabados e com melhor rendimento.
Para mim, o ponto mais importante é perceber que qualidade de carne não nasce apenas no frigorífico. Ela começa no campo, no manejo, na genética, na alimentação e na decisão diária do produtor.
Victor Paulo Silva Miranda, presidente da ACNB, destacou que a etapa começou com bom desempenho e afirmou que os resultados mostram a evolução da pecuária boliviana e o fortalecimento do Nelore fora do Brasil.
Nos lotes de machos, a medalha de ouro ficou com a Agropecuária Mônica, de Mônica Marchett, em Pailón. A prata foi para Marcelo Fernando Muñoz Añez, da Cabaña Moxos, e o bronze para Mário Ignácio Anglarill Serrate, da Ganaderia El Trebol.
Nas fêmeas, Marcelo Fernando Muñoz Añez levou ouro e Mário Ignácio Anglarill Serrate ficou com a prata.
Enquanto muita gente vê apenas números, arrobas e medalhas, o que aparece por trás é uma disputa silenciosa por eficiência. Quem entrega animal jovem, pesado e bem acabado ganha espaço em um mercado cada vez mais exigente.
No chão da fazenda, isso significa trabalho técnico, investimento e paciência. Para o consumidor, pode significar carne de melhor qualidade. Para a pecuária sul-americana, é um sinal claro de integração e avanço.
A abertura internacional do Circuito Nelore de Qualidade 2026 na Bolívia reforça o peso da raça Nelore na pecuária de corte e mostra que a busca por carne de qualidade ultrapassa fronteiras. O campeonato, criado em 1999, é considerado uma das principais vitrines de avaliação de carcaças bovinas do mundo.
Informações: Julia Abellan


















