Divulgada no noticiário desta quarta-feira, 29/04, a pesquisa mostra Rui Costa e Jaques Wagner à frente na disputa pelas duas vagas ao Senado na Bahia. O dado reforça a força do PT no estado, mas também revela um eleitorado atento, dividido entre continuidade e mudança.
A eleição de 2026 terá uma característica decisiva. Cada estado escolherá dois senadores. Segundo o TSE, o Senado terá 54 cadeiras renovadas, o equivalente a dois terços da Casa. Serão eleitos os dois candidatos mais votados em cada unidade da federação. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro de 2026.
A intenção de voto total para o Senado na Bahia aparece da seguinte forma:

Rui Costa, do PT, tem 24%.
Jaques Wagner, também do PT, aparece com 22%.
João Roma soma 9%.
Ângelo Coronel marca 6%.
Delliana Ricelli tem 1%.
Marcelo Santana não pontua.
Indecisos são 16%.
Branco, nulo ou não vai votar chegam a 22%.
O detalhe mais relevante está na divisão entre primeiro e segundo voto. Rui Costa lidera no primeiro voto, com 31%, enquanto Jaques Wagner tem 20%. Já no segundo voto, Wagner aparece à frente, com 24%, e Rui marca 16%.
Esse cenário sugere uma possível dobradinha competitiva entre os dois ex-governadores, ainda que distante de indicar uma eleição definida.
A disputa pelo Senado na Bahia não é apenas uma corrida por duas cadeiras. Trata-se também de um teste de força entre as principais lideranças políticas do estado.
Com duas vagas em aberto, o eleitor pode montar uma combinação. É justamente nesse ponto que Rui Costa e Jaques Wagner aparecem em posição favorável. Um lidera melhor no primeiro voto, enquanto o outro cresce no segundo. Na prática, isso indica que parte do eleitorado pode enxergar os dois como nomes complementares.
Mas há um dado que não pode ser ignorado. Um total de 38% do eleitorado aparece entre indecisos, brancos, nulos ou pessoas que afirmam não votar. Esse bloco tem potencial para alterar qualquer leitura feita neste momento.
O cenário apresentado pela Quaest dialoga com outros levantamentos recentes, mas também traz diferenças importantes.
Em março, a pesquisa Real Time Big Data, publicada pela CNN Brasil, mostrou Rui Costa com 27%, Jaques Wagner com 21%, Ângelo Coronel com 18% e João Roma com 14% em um dos cenários para o Senado na Bahia. O levantamento ouviu 2 mil eleitores entre os dias 10 e 11 de março, com margem de erro de 2 pontos percentuais.
Já o levantamento do Instituto Veritá, divulgado pelo Poder360 em abril, apresentou outro quadro. Jaques Wagner aparece com 27,2%, João Roma com 24,3% e Rui Costa com 13,5%.
Essas variações mostram como fatores como ordem dos nomes, metodologia, momento político e construção dos cenários influenciam diretamente os resultados.
Por isso, a leitura mais responsável é tratar a pesquisa como um retrato do momento, e não como uma previsão de resultado.
Na Bahia, o peso de Lula no Nordeste ajuda a explicar por que a chapa governista larga com força. Em 2022, Lula teve 69,34% dos votos válidos na região Nordeste, evidenciando sua forte influência política.
Esse capital se soma ao desempenho de Rui Costa e Jaques Wagner, dois ex-governadores próximos ao presidente, que lideram a pesquisa Quaest para o Senado.
A comparação com São Paulo evidencia diferenças de dinâmica eleitoral. Enquanto Tarcísio de Freitas governa o maior eleitorado do país em um ambiente mais competitivo, a Bahia apresenta uma tendência mais clara de voto casado.
Rui aparece forte no primeiro voto e Wagner competitivo no segundo. Esse efeito de composição pode favorecer a tentativa de reeleição de Jerônimo Rodrigues, já que os votos combinados dos candidatos ao Senado tendem a puxar o eleitor para o mesmo campo político do governador, principalmente no interior, onde o peso das lideranças locais e da estrutura estadual costuma ser decisivo na reta final da campanha.
No fim, como sempre, a decisão não passa pela cúpula partidária. Ela acontece na urna, com o eleitor olhando para a própria realidade.















